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Ricardo Montedo
Oi, Mãe!
Escrevo-te para dizer que continuo por aqui, vivendo, errando, acertando e melhorando, talvez não tão rápido como poderia, mas, enfim, vou indo, como se diz.
Estas “mal traçadas” são para dar conta que teu filho segue mantendo o coração aquecido, como me ensinaste, a salvo dos invernos sombrios, aqueles que trazem os gélidos ventos da indiferença, do egoísmo e do orgulho, estas correntes glaciais que isolam a alma, que nos enclausuram em nós mesmos, que nos tornam insensíveis aos outros e a um mundo que não seja o nosso.
É este calor, Mãe, o ingrediente da fantástica alquimia de transmutar dor em tristeza, tristeza em saudade e esta, por fim, em puro amor.
Assim tenho convivido com tua ausência, posto que os desígnios do Senhor dos Mundos deram por finda tua jornada terrena.
Mãe, não tem sido uma luta fácil. A razão de há muito me convenceu de que cumpriu-se a Lei Maior, que a todos rege.
Mas o coração, esse eterno insatisfeito, não cessa de indagar: por quê?
Contudo, Mãe, eu prossigo, vou em frente, não desisto. Sei que, logo ali à frente, a razão convencerá o coração que cumpriu-se uma etapa, que nada terminou, que não foi um adeus, somente um até breve.
Enquanto isso, cá do meu canto, mantenho vivo esse amor, que me anima e sustenta.
Um beijo deste filho agradecido e saudoso, que, enquanto Deus quiser, fica do lado de cá.
Tchau, Mãe!

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