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Fonte de importantes inovações tecnológicas usadas na medicina, vestuário, eletrônica, engenharia de materiais, informática e vários outros setores, a nanotecnologia, no Brasil, ainda é pouco usada para fins militares. Já em outros países, onde essas mesmas inovações ocupam papel de destaque na formulação das estratégias de segurança e defesa, os pesquisadores veem recebendo cada vez mais recursos públicos e privados para desenvolver equipamentos capazes de dar uma vantagem a seus soldados.
É o caso dos Estados Unidos. Segundo Adam Madison Rawlett, do U.S. Army Research Laboratory, quando as tropas norte-americanas desembarcaram no Iraque, em 2003, cada soldado carregava cerca de cerca de 45 quilos em equipamento. Com o emprego de material fabricado com os recursos da nanotecnologia, esse peso foi reduzido para cerca de 18 quilos, tornando o soldado mais ágil e lhe permitindo carregar mais munição. O mesmo ocorreu com os tanques de guerra, que de 70 toneladas passaram a pesar apenas 30 toneladas.
“A nanotecnologia tem um efeito imenso para vários setores, inclusive o militar, onde precisamos desenvolver materiais leves e flexíveis que deem maior proteção aos soldados. Na robótica, por exemplo, se numa missão pudermos mandar um robô, em vez de um soldado, estaremos protegendo uma vida”, afirma Rawlett, um dos convidados para o Seminário Internacional Nanotecnologia e Defesa, que ocorreu nesta segunda e terça-feira em Brasília.
Além do norte-americano, o evento, realizado pelo Exército com o objetivo de discutir os avanços do setor com pesquisadores civis e militares, contou com a participação de representantes da China, Inglaterra, Índia, França e Israel.
“É importante iniciarmos um debate nacional para o País enxergar o que está acontecendo em ciência e tecnologia e projetar isso para o futuro”, explica o general da reserva Flávio César Terra de Faria, vice-presidente da Fundação Trompowski, entidade organizadora do seminário. “O Brasil precisa priorizar esse setor e temos condições de fazer isso. Essa é uma questão de política de Estado”.
O diretor do Departamento de Políticas e Programas Temáticos, do Ministério da Ciência e Tecnologia, Mario Norberto Baibich, destaca que o País já é capaz de pesquisar e desenvolver novas aplicações em nanotecnologia, mas que a indústria nacional ainda não se apropria adequadamente deste conhecimento.
“A nanociência no Brasil vai muito bem. Somos capazes de publicar estudos em revistas internacionais com bom padrão de qualidade, mas ainda não temos a transferência do conhecimento dos centros de pesquisa para as empresas”, diz o físico. “Precisamos de políticas públicas que favoreçam a nanotecnologia e de empresas que se organizem e ofereçam produtos desenvolvidos com uso deste conhecimento”.
“Inovação não acontece como consequência de decisões de cúpula ou por distribuição de incumbências funcionais. É necessário promover uma cultura permeável à inovação”, afirmou o chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, general Augusto Heleno, ao apresentar alguns dos projetos desenvolvidos pelo próprio Exército brasileiro.

TERRA

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