Escolha uma Página
A reunião da União de Nações Sul-americanas (UNASUL), realizada ontem em Bariloche, terminou como começou: sem nenhuma novidade.
A transmissão ao vivo do encontro pela TV motivou alguns líderes, principalmente Chávez e Corrêa, a “jogar para a [sua] platéia”, deixando de lado a objetividade.
Isso irritou Lula, que passou uma descompostura em Correa, atual presidente da UNASUL.
“Não temos o direito de passar um dia inteiro discutindo”, disse, muito irritado com os discursos repetitivos depois de seis horas de discussões.
Antes, ele havia sido corrigido por Uribe, que lembrou que não existem bases americanas na Colômbia, como disse Lula em seu discurso.
Sobre a afirmação do brasileiro de que os americanos estão na Colômbia desde 1952 e não resolveram o problema, Uribe lembrou que “recebemos muita solidariedade de muitos lados, mas foram os EUA que nos ajudou, na prática, contra o ‘narcoterrorismo”.
Lula sugeriu uma reunião do Conselho de Segurança da Unasul para avaliação da situação do narcotráfico: “Que o nosso conselho de defesa visite todas as nossas fronteiras e faça um levantamento real da situação em nossa região, para ver onde essas coisas acontecem. Para que a gente possa ver entre nós não a disputa de um pais contra o outro pela imprensa, mas que possamos ter, da boca do conselho de defesa, a realidade dessa questão”, disse.
Ao final do dia, foi divulgada uma nota genérica, que, se afirma que “forças militares estrangeiras não podem (…) ameaçar a soberania e a integridade de qualquer nação sul-americana”, sem citar os EUA, como gostariam Lula, Chávez, Evo e Correa, também ressalta o “compromisso de fortalecer a luta e a cooperação contra o terrorismo, a delinquência transnacional organizada e delitos conexos: o narcotráfico e o tráfico de armas”, omitindo o apoio de Chávez as FARC e as armas compradas pela Venezuela à Suécia e encontradas em poder dos narco-guerrilheiro-traficantes da Colômbia.
Do ponto de vista do pretendido protagonismo do Brasil em questões internacionais, restou claro que Lula continua a reboque da “raposa” Chávez, que pretende usar a Unasul como contraponto à OEA, onde os EUA exercem grande influência.
Nessa toada, a tendência é o esvaziamento da Unasul, pela radicalização dos bolivarianos, que acabará por liquidar a incipiente credibilidade do órgão.
Skip to content