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José Romildo
O Grupo de Trabalho Tocantins (GTT) conclui, neste domingo (30/08), a segunda fase de escavações em busca dos corpos de guerrilheiros e militares mortos na Guerrilha do Araguaia, episódio ocorrido de 1972 a 1974, nas Regiões do Sul do Pará e Tocantins.
Essa etapa de trabalho de campo deve durar até 31 de outubro. O balanço parcial informa que foram finalizadas – por ausências de vestígios e ossadas – as investigações realizadas por equipes de geólogos e médicos legistas em cinco dos 17 locais, sendo três deles estabelecidos por indicações de guias e testemunhas que viveram, na época da guerrilha, nas áreas apontadas. As áreas já exploradas sem resultados positivos estão situadas no Sul do Pará: Água Fria, Tabocão, DNIT, Dois Coqueiros e o ponto Grota da Pulga, em Matrinxã.
As equipes de geofísica e antropologia forense, que compõem o GTT, decidiram, graças às novas informações que obtiveram junto a pessoas que conviveram com guerrilheiros, realizar escavações na cabeceira do Córrego Ezequiel para tentar localizar o corpo de Jaime Petit, um dos integrantes da guerrilha. Já as áreas da Fazenda São Sebastião e Reserva Indígena Sororó somente serão objeto de investigações depois de confirmadas as condições prévias estabelecidas pelas equipes técnicas. Segundo o médico legista Ricardo César Frade Nogueira, do IML do Distrito Federal, que integra o GTT, os trabalhos de escavações são feitos com base em uma metodologia científica, que seleciona as informações que chegam aos integrantes do Grupo. Os critérios metodológicos, de acordo com ele, envolvem a combinação da existência de testemunhas oculares, indicação pontual dos locais onde podem existir restos mortais e, por último, uma edificação, árvore, rio, morro ou qualquer outra referência física que sirva de orientação.
“Não devemos perder de vista esses critérios, senão entramos em um emaranhado de dados que nos distanciará dos nossos objetivos”, afirmou Nogueira. Nos trabalhos em curso, os integrantes do GTT concentraram a atenção em depoimentos de José Wilson Brito, Antônia Ribeiro da Silva, mulher do ex-mateiro Arlindo Piauí, e de João Santa Cruz, sargento da reserva do Exército.
Brito afirmou, em entrevista, que morou, quando tinha 13 anos, com guerrilheiros. Relatou ainda que, posteriormente, também morou com militares.
Já Santa Cruz, que servia ao Exército na época na região do conflito, informou, também em entrevista, que deseja contribuir com informações que possam levar à descoberta e identificação de corpos de guerrilheiros.
Ao comentar o surgimento de novos dados, o Coordenador de Apoio Logístico do GTT, General-de-Brigada Mário Lúcio Alves de Araújo, disse que as informações consideradas relevantes e que possam auxiliar a busca pelos corpos do Araguaia serão investigadas.
“Temos o compromisso de investigar a fundo qualquer indício para que os objetivos do Grupo sejam atingidos”, disse.
As informações trazidas por José Wilson Brito estão sendo cotejadas nas áreas de Tabocão e Água Fria, dois pontos já encerrados.
Qualquer área pode voltar a ser pesquisada caso surjam evidências que exijam o retorno dos peritos aos trabalhos de reconhecimento. Com relação à área da Reserva Indígena de Sororó, o Grupo de Trabalho, com base nas informações obtidas no reconhecimento complementar técnico, chegou à conclusão de que não há indícios e dados que orientem a necessidade de realizar trabalhos de campo nesse ponto.
As informações indicam que a existência de uma árvore conhecida como “estopeira” poderia levar à descoberta de corpos. Com base nesse dado, o GTT determinou a execução de uma limpeza na área. Se for achada a estopeira, o GTT retornará à área para deliberar sobre a execução ou não dos trabalhos de campo e em que condições.
O General Araújo observou que a participação de dona Antonia Ribeiro na “indicação de um provável local de inumação (enterro) de corpos na área de fazenda São Sebastião”, constitui uma das pistas que vem sendo investigadas no momento. Essa indicação será submetida ao grupo, que decidirá sobre a reinserção, ou não, desse ponto na agenda do grupo. O GTT constitui a 14ª expedição para a Região do Araguaia. De todas já realizadas, é a mais completa, já que, conforme lembrou o General Araújo, utiliza “não só equipamentos como também recursos humanos altamente capacitados na aplicação de metodologia científica, com capacidade de gerar laudos com valor jurídico”.
Tudo isso vem sendo aplicado no intuito de instrumentalizar o cumprimento da sentença judicial que determinou a criação do GTT.
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