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Dois sindicalistas haitianos estiveram reunidos ontem com deputados da Comissão de Direitos Humanos e Minorias para pedir apoio para o apelo feito por entidades civis do país para a retirada gradual das tropas brasileiras da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah, em francês). Raphael Dukens, da Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Setor Público (CTSP), e Louis Fignolé Saint-Cyr, da Central Autônoma dos Trabalhadores do Haiti (CATH), também pediram apoio para para ações de desenvolvimento econômico e social do país.
“Seria muito mais importante que o Brasil ajudasse o nosso país a construir escolas e hospitais do que atuar com tropas militares”, afirmou Saint-Cyr. Eles foram recebidos pelos deputados Luiz Couto (PT-PB), presidente da comissão, Pedro Wilson (PT-GO) e Fernando Ferro (PT-PE).
Os sindicalistas também solicitaram a participação de uma comitiva de parlamentares brasileiros na Comissão de Investigação Internacional que será realizada em Porto-Príncipe entre 16 e 20 de setembro. O evento é organizado por entidades da sociedade civil haitiana.
A alegada situação de insegurança pública generalizada, que justificaria a manutenção das tropas militares, não condiz com a realidade, segundo os sindicalistas haitianos.
“A violência aumenta apenas quando se aproxima o período de renovação de permanência das tropas, no mês de outubro. Nos demais períodos vigora a normalidade. Se houvesse insegurança, seria praticamente impossível circular num país com 80% da população desempregada e vivendo na miséria”, afirmou Dukens, lembrando que os índices de violência são até menores do que em algumas regiões do Brasil e dos países vizinhos.
Os deputados se comprometeram a apresentar requerimentos para a realização de audiência pública sobre a situação do Haiti – particularmente acerca da atuação do Brasil na Minustah – e vão sugerir à Câmara a participação de parlamentares brasileiros na Comissão Internacional de Investigação.
Silvana Ribaas (Agência Câmara)
Nota do editor: Resumindo, “o Haiti não é ali, é aqui”.
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