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A Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti completou cinco anos. Desde sua criação pelo Conselho de Segurança da ONU, em 2004, coube ao Brasil o comando da força militar dessa operação de paz. Inicialmente com o General Augusto Heleno Ribeiro Pereira, seguido pelos generais Urano Teixeira da Matta Bacellar – morto em 2006 num suposto suicídio, explicação ainda hoje contestada pelo Exército Brasileiro -, José Elito Carvalho Siqueira, Carlos Alberto dos Santos Cruz, e mais recentemente pelo general Floriano Peixoto Vieira Neto.
Dois destes comandantes – Heleno e Elito – ocuparam os mais importantes comandos militares dentro do território brasileiro – Amazônia e Sul – e tiveram seus comandos pautados por polêmicas e delicadas declarações, ganhando a admiração na caserna e, sobretudo, da população civil.
A presença brasileira no Haiti vai muito além da Projeção do Poder Nacional. Ela dá a oportunidade do País preparar um contingente que, desde 2004, já superou os 15 mil soldados do Exército, e 2 mil Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, em operações de Garantia da Lei e da Ordem, engenharia de combate em ambiente urbano e, principalmente, em Guerra Irregular, umas das principais características do Teatro de Operações haitiano, que foi predominante na primeira metade da Missão
Além disso, foram incorporadas ao Exército Brasileiro e o Corpo de Fuzileiros Navais, a experiência, o exercício e adaptação de doutrinas de emprego de veículos blindados em combate urbano. Esse conhecimento veio inicialmente com a utilização do VBTP Urutu pelas tropas do Batalhão Brasileiro, e mais recentemente com a entrada em operação dos modernos VBTP Mowag Piranha IIIC dos Fuzileiros Navais. Esse conhecimento obtido no terreno em missões reais de combate está sendo incorporado no desenvolvimento do novo VBTP-MR do Exército.
O General de Divisão Santos Cruz, grande exemplo de comando brasileiro, duas vezes a frente da MINUSTAH, tornou-se respeitado internacionalmente. Suas medidas incisivas no combate à criminalidade haitiana foram as responsáveis pela atual situação de calma existente no país. Após deixar o Haiti, já que o Brasil negou à ONU o pedido de um terceiro mandato como Force Commander, ele veio ocupar o comando da 11º Brigada de Infantaria Leve – Brigada GLO -, a força especializada em combate no Front Interno e que será responsável por desenvolver operações nas grandes cidades, principalmente no Rio de Janeiro, caso seja ordenada e amparada legalmente. É a experiência adquirida no Haiti pronta para ser utilizada em ações no território nacional em prol da segurança do cidadão.
Foi com o comando e a presença ostensiva dos nossos militares nas caóticas ruas do país caribenho que o Brasil conquistou o respeito internacional. A forma como o País vem conduzindo a MINUSTAH chamou a atenção da ONU que ofereceu o comando de outras missões de paz. As estratégias utilizadas para a conquista de corações e mentes haitianas têm sido aplicadas por outros exércitos em diferentes Teatros de Operações. O próprio exército português se interessou em levar militares brasileiros para integrar seu efetivo no Afeganistão por acreditar que a “receita” brasileira de conduzir operações militares em meio às populações civis é singular e eficaz.
A participação do Brasil na MINUSTAH – muito criticada internamente – tem trazido resultados significativos para a Política Externa e nas relações com outros exércitos. Efetivos militares de diversos países estão trabalhando conjuntamente com o Batalhão Brasileiro de Força de Paz e sob as ordens do Force Commander. Até mesmo nações que não integram a missão de paz no Haiti renderam-se em admiração ao trabalho brasileiro. Conheça o que pensam alguns destes militares:
Capitão Peter Amadi – Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos –P.I.O. MINUSTAH- É um prazer trabalhar com os militares brasileiros. São ótimos soldados e muito profissionais. Para mim as tropas do Brasil são as melhores.
Coronel Oscar Sandoval – Exército da GuatemalaAssessor Jurídico da MINUSTAH- Os militares do Exército da Guatemala observam com muita admiração o trabalho desenvolvido pelos militares brasileiros na missão de paz no Haiti. Este trabalho conjunto serve para estreitar as relações militares entre nossos países. As tropas de infantaria, engenharia e dos fuzileiros navais do Brasil têm demonstrado extremo profissionalismo no cumprimento da sua missão e no contato com as Forças irmãs. Eu tive a oportunidade de trabalhar sob o comando do General de Brigada Carlos Alberto dos Santos Cruz, e agora com o General de Brigada Floriano Peixoto, e digo que são homens espetaculares e militares muito profissionais.
Coronel Guillermo Simoncini – Armada da ArgentinaChefe de Pessoal do Contingente Argentino na MINUSTAH- O trabalho realizado pelos brasileiros com a ajuda dos argentinos nesta missão de paz recebe nosso respeito e nos traz muita alegria. A troca de experiências e o esforço integrado em prol da missão marcam a união de nossos países pela paz e em solidariedade à nação haitiana. O Force Commander é um militar altamente profissional e um verdadeiro cavalheiro. Para nós é uma honra trabalhar subordinados a ele.
Coronel Max Piraino – Exército do ChileAdido de Defesa do Chile no Haiti- Os brasileiros têm desenvolvido um excelente trabalho nesta missão de paz. A qualidade das suas tropas é evidente. Nossos contingentes têm mantido uma estreita relação aqui no Haiti.
Vice-Almirante Luis Miguel Galindo Méndez – Armada da VenezuelaComandante da Guarnição de Vargas – Venezuela- Há muito tempo estamos unidos por laços de amizade. Sempre tivemos uma ótima relação com o Brasil, e isto nos compromete em apoiar as aeronaves brasileiras que façam escala técnica em Maiquetia-VE rumo ao apoio de suas tropas na Missão de Paz no Haiti. Nos sentimos muito orgulhos com a presença brasileira no Haiti, e com sua passagem por aqui para compartilhar conosco. A Venezuela não integra a MINUSTAH, mas mantém uma Companhia de Engenharia formada por militares do exército e fuzileiros navais, que têm realizado um importante trabalho na construção de casas ao povo haitiano. O Haiti é um país irmão e nós sabemos que nossos países têm que ajudar os mais necessitados, independente da cor e da nacionalidade que têm.
Tenente Coronel Freddy Merizalde – Exército do EquadorChefe da Seção de Engenharia Militar da MINUSTAH- Quero deixar registrado que tive a sorte de cursar a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), em 2006, o que me deu a oportunidade de conhecer o Exército Brasileiro e saber o valor que tem seus oficiais e soldados. Agora designado para esta missão, tenho a satisfação de novamente encontrar-me com seu pessoal militar. Sobre a Companhia de Engenharia de Força de Paz do Exército Brasileiro, penso que fazem um trabalho muito importante, tanto em benefício da segurança do país, ao apoiar as operações militares executadas pela MINUSTAH, quanto apoiando à população haitiana, executando obras de engenharia que melhoram suas condições de vida. Eu vejo que o Exército Brasileiro é muito profissional, e para que isso aconteça deve dispor de líderes qualificados para comandar estas tropas, como no caso no Ten Cel Fernando Ferreira Elesbão, que elevou o nome da Cia de Engenharia Brasileira nesta missão de paz. Temos também a vantagem de possuir um Force Commander do Exército Brasileiro, que está fazendo seu trabalho com muita qualidade, colocando todo seu profissionalismo para que todas as tropas integrantes da MINUSTAH cumpram sua missão. Quero deixar registrado minha saudação a todos os militares brasileiros. Que sigam trabalhando e engrandecendo seu país e também colaborando com outras nações, como o Haiti, que tanto necessitam de sua ajuda.
Kaiser Konrad – Enviado Especial ao Haiti
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