Serviço militar obrigatório expõe contraste entre Brasil e Colômbia: salário mínimo de um lado, soldo reduzido do outro

Serviço militar Brasil x Colômbia (Imagem ilustrativa, gerada por IA)

Atualização: 15/11 (19h)

Enquanto a Colômbia adota um modelo mais atrativo, com pagamento integral do salário mínimo e benefícios educacionais, o Brasil mantém regras tradicionais, remuneração inferior e sanções rígidas para quem não se alista.

O serviço militar obrigatório segue como um marco na vida de milhares de jovens sul-americanos. No entanto, ao comparar Brasil e Colômbia, as diferenças entre os dois sistemas tornam-se ainda mais evidentes em 2026. Sobretudo, o contraste aparece no valor pago aos conscritos, na duração do serviço e nos incentivos oferecidos após o licenciamento.

Convocação obrigatória atinge jovens nascidos em 2008

Na :contentReference[oaicite:0]{index=0}, os homens que completam 18 anos em 2026, portanto nascidos em 2008, devem se apresentar aos distritos militares para regularizar a situação. Além disso, a legislação permite a convocação de jovens até os 24 anos. As mulheres, por sua vez, não são obrigadas, mas podem se alistar voluntariamente e, assim, recebem os mesmos direitos e benefícios.

No :contentReference[oaicite:1]{index=1}, o cenário é semelhante quanto à obrigatoriedade. O alistamento também é compulsório para homens nascidos em 2008, com prazo entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026. Ainda assim, o país não sinaliza mudanças estruturais no modelo atual.

Diferença salarial amplia o contraste entre os países

A remuneração é o ponto que mais evidencia o contraste. Na Colômbia, o governo passou a pagar um salário mínimo mensal integral aos conscritos a partir de 2026. Com isso, o jovem incorporado recebe 1.750.905 pesos colombianos por mês, independentemente do perfil ou da escolaridade.

No Brasil, o modelo é diferente. O soldado recruta recebe um soldo-base, atualmente em torno de R$ 1.177. No entanto, para cumprir a regra constitucional que proíbe o pagamento de remuneração inferior ao salário mínimo nacional, o governo paga ao militar o chamado “complemento do salário mínimo”. Assim, a soma do soldo com esse complemento garante que o valor final recebido pelo recruta atinja exatamente o piso nacional.

Duração do serviço segue lógicas diferentes

Na Colômbia, a duração do serviço militar varia conforme a escolaridade. Quem já concluiu o ensino médio cumpre 12 meses. Entretanto, quem ainda não possui o diploma permanece por até 18 meses, período que inclui formação militar e complementação educacional. Apesar disso, o benefício mensal permanece igual para todos.

No Brasil, a regra é mais uniforme. O serviço militar dura, em geral, 12 meses, embora possa ser prorrogado conforme a necessidade das Forças Armadas. Ainda assim, o tempo de serviço não altera o valor do soldo recebido.

Benefícios e incentivos após o licenciamento

Além do pagamento mensal, a Colômbia oferece um pacote mais amplo de incentivos. Durante o serviço, o conscrito recebe alimentação, alojamento, uniforme e assistência médica. Ao final, o Estado garante um valor de licenciamento, prioridade em programas de educação superior e pontuação adicional em concursos públicos.

No Brasil, embora o recruta também tenha direito a alimentação, fardamento e atendimento médico, os benefícios após o licenciamento são mais restritos. Dessa maneira, o impacto do serviço militar tende a se encerrar com o desligamento das fileiras.

Isenções existem, mas exigem apresentação formal

Tanto no Brasil quanto na Colômbia, nem todos os jovens convocados acabam incorporados. A legislação colombiana prevê isenções para pessoas com deficiência, responsáveis por dependentes, integrantes de comunidades indígenas, religiosos e objetores de consciência.

No entanto, mesmo nesses casos, o cidadão precisa comparecer ao distrito militar e apresentar a documentação exigida para obter a certificação correspondente. Sem esse procedimento, permanece em situação irregular. No Brasil, a lógica é semelhante: ainda que haja dispensa por critérios médicos, sociais ou excesso de contingente, o jovem deve se apresentar.

Dois modelos, impactos distintos para a nova geração

Em síntese, a Colômbia avança para um modelo mais atrativo, ao valorizar financeiramente o conscrito e ampliar os benefícios educacionais e profissionais. O Brasil, por sua vez, preserva um sistema tradicional, com remuneração inferior e forte ênfase na obrigatoriedade.

Assim, para os jovens que completam 18 anos em 2026, o contraste entre os dois países vai além da farda e se reflete diretamente nas oportunidades oferecidas após o serviço militar. Com informações de O Antagonista.

Respostas de 21

  1. Esperar o que de um pais, cuja capital federal esta infestada por ladroes e oportunistas, onde existe um lobby vergonhoso na elaboracao das leis, para privilegiar castas. Nao deveriam existir castas, mas e isso que estamos vivenciando nos ultimos anos. Uma vergonha.

  2. Militar Sub Tenente pra baixo (Praça ) juntamente com seus dependentes e veteranos de igual graduação, estão presos e esquecidos na prisão dos baixos salários e de endividamento constante, morando na periferia. Ainda falam em “SOBERANIA” ??????

    1. Muita calma nesse hora nobre, Nem todos! Fui para reserva como ST com 51 anos. Vivo muito bem. Mas tem um segredo nisso: Sempre coloquei a família em primeiro, não a Força. Já com meus 50 anos e filhos formados e independentes, tomamos a decisão de ir para reserva. Com o vencimento e sem custo em formação da viver com conforto, mas não com ostenção. Ainda tenho financiamento de casa que pago. Agora se muitos não se preparam para reserva, é por que bem provável deixaram de fazer o dever de casa.

      1. Prezado sr Peninha, eu admiro muito a sua situação financeiro. Mas, sou capaz, e com conhecimento de causa, que o sr é uma ilha, nessa vasto oceano de praças das FAs. Parabéns.

        1. Vale lembrar também que Não esqueçi de mim. Com formação em Matemática (Licenciatura), fiz vários aperfeiçoamentos. No mesmo ano da reserva prestei concurso para Professor Temporário em regime de 20 horas e passei. 20 horas apenas para não se estressar. Lecionei três anos, esse ano resolvi não lecionar. Com esse extra deu para adiantar a manutenção do meu 2009, kkk.
          Abraços nobre Sub, traído.

  3. As forças armadas da Colômbia são voltadas para a realidade local e não dispõe de armamaento pesado mais sofisticado, uma frota naval o mesmo carros de combate e gasta de 3,5% a 4% do PIB com a defesa. O efetivo do exército colombiano á maior que o nosso e estes gastos são devido a necessidade local.

    1. Fiquei curioso em saber qual a realidade colombiana que vc acha diferente da nossa para justificar o abismo no investimento nas FFAA, em termos de parcela do PIB.

  4. Sem entrar no mérito salarial, mas a reportagem é tendenciosa, senão vejamos:

    Nenhum militar pode receber menos do que um salário mínimo, esse valor do soldo é complementado com um Adicional “complemento salário mínimo ” somado a isso tem o auxílio transporte.

    Compreenda-se aqui, não estou a dizer que o valor é ideal ou não, só quero pontuar que ninguém ganha menos do que um salário mínimo.

    1. A exceção são os militares em serviço militar obrigatório. Não fere a constituição receber menos do que o salário mínimo, conforme a súmula n⁰ 6 do STF.

  5. Quando os filhos de candidatos a cargo público forem obrigados a servir a coisa muda. Hoje basta uma ligação e o filhote esta fora

    1. Procure o SPP de sua OM, tenho certeza de que algum militar que lá trabalha te mostrará com muito prazer, até mesmo pra vc aumentar um pouco seus conhecimentos sobre esse assunto! Grande abraço!

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