Presidente concede promoção honorífica póstuma ao patrono da Infantaria, militar que se destacou na Guerra do Paraguai e morreu após ferimentos na Batalha de Tuiuti.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a promoção honorífica e póstuma do brigadeiro Antônio de Sampaio ao posto de marechal do Exército Brasileiro. O decreto foi publicado no Diário Oficial da União na quinta-feira (30) e reconhece a trajetória do militar, considerado o patrono da Infantaria do Exército Brasileiro.Promoção reconhece legado histórico
A decisão oficializa uma homenagem a um dos principais comandantes militares da história do país. Além disso, a medida foi publicada poucos dias depois de declarações de Lula sobre a Guerra do Paraguai provocarem reações de autoridades paraguaias. O decreto pode ser consultado no Diário Oficial da União.Destaque na Guerra do Paraguai
Antônio de Sampaio exerceu papel decisivo durante a Guerra do Paraguai. Na campanha, comandou tropas de Infantaria e assumiu a função de inspetor da arma. Durante a Batalha de Tuiuti, considerada o maior confronto campal da guerra, o brigadeiro sofreu três ferimentos graves. Mesmo assim, permaneceu no comando até não reunir mais condições físicas. Posteriormente, militares o transferiram para o navio-hospital Eponina, com destino a Buenos Aires. No entanto, ele morreu cerca de 43 dias após a batalha, em consequência dos ferimentos, aos 56 anos.Patrono da Infantaria
Nascido em 24 de maio de 1810, em Tamboril (CE), Antônio de Sampaio ingressou no Exército em 1830, aos 20 anos. Por causa de sua trajetória militar, o Exército adotou a data de seu nascimento como o Dia da Infantaria. Em 1928, o então primeiro-tenente Humberto de Alencar Castelo Branco propôs que Sampaio se tornasse patrono da Infantaria. Depois, o governo oficializou a homenagem em 1962. Mais informações sobre a história de Antônio de Sampaio estão disponíveis no portal do Exército Brasileiro.Contexto da decisão
A promoção honorífica ocorreu poucos dias após manifestações do presidente Lula sobre a Guerra do Paraguai repercutirem diplomaticamente. Em resposta, autoridades paraguaias criticaram as declarações e o governo do país divulgou uma nota oficial de repúdio.Leia também
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Fonte: Diário Oficial da União e Exército Brasileiro.
Respostas de 9
Eu ia pedir baixa mas depois dessa valorização vou ficar aqui na minha…ganhando menos q um PM
160 anos no QA. Não entendo o porquê dos Praças reclamarem dos interstícios. 🤣🤣🤣🤣🤣🤣
Patético
E o Soldo do Soldado, Cabo e do Sargento?
As promoções ao longo da história do Brasil e a influência política
Ao longo da história brasileira, as promoções e nomeações em cargos públicos e militares foram influenciadas, em diferentes graus, pelo contexto político de cada época.
– Império (1822–1889): as promoções eram frequentemente influenciadas por relações pessoais, prestígio social e apoio político, especialmente nos altos cargos da administração e das Forças Armadas.
– República Velha (1889–1930): o coronelismo e o clientelismo exerceram forte influência sobre nomeações e carreiras, fazendo do apadrinhamento político um importante instrumento de poder.
– Era Vargas (1930–1945): houve avanços na profissionalização da administração pública, mas a influência política permaneceu relevante em diversas nomeações e promoções.
– Governo João Goulart (1961–1964): o período foi marcado por debates e controvérsias sobre o favorecimento de militares considerados politicamente alinhados ao governo.
– Ditadura Militar (1964–1985): além dos critérios formais previstos na legislação, promoções e nomeações para determinados cargos e altos comandos também podiam considerar fatores como confiança política, alinhamento ao regime e avaliações dos órgãos de inteligência.
– Período democrático (1988 em diante): com a Constituição Federal de 1988, as promoções passaram a seguir regras legais mais consolidadas e transparentes. Ainda assim, a escolha para determinados cargos de comando e funções de confiança permanece como competência da autoridade responsável, observados os limites estabelecidos pela legislação.
Embora a influência política tenha variado ao longo da história, em todas as épocas coexistiram promoções baseadas em critérios objetivos e critérios subjetivos influenciados pelo contexto político e institucional vigente.
Viva o Marechal Antônio de Sampaio!!!
Na mesa dos Marechais, no céu, não haverá lugar para falsos marechais, nem para traidores da Pátria, corsários do dinheiro público e apatridas militantes.
Caxias e Sampaio, Osório e Mascarenhas, protejam o Exército Brasileiro dos canalhas e aproveitadores, aqueles que rondam os quartéis, usam tua imagem, mas no fundo, desprezam tua bandeira.
Promoção por babação existe????
Sim e por porte de genitais, também.
É um fato histórico curioso que um presidente da República tenha concedido uma promoção honorífica póstuma a Antônio de Sampaio, militar cuja carreira foi integralmente construída no Exército Imperial Brasileiro. Sampaio serviu sob o reinado de Dom Pedro II, prestou juramento de fidelidade ao Imperador e dedicou sua vida militar à defesa do Estado monárquico e de suas instituições.
Sob essa perspectiva, pode-se argumentar que sua lealdade institucional estava vinculada ao Império do Brasil. Como faleceu em 1866, vinte e três anos antes da Proclamação da República, jamais teve a oportunidade de manifestar sua posição sobre a mudança de regime ou sobre a deposição da família imperial. É plausível supor que dificilmente apoiaria a deposição do Imperador e o exílio da família imperial, à qual prestou juramento de lealdade, tendo dedicado sua carreira à preservação das instituições do Estado monárquico. Da mesma forma, parece improvável que se alinhasse aos militares que depuseram o Imperador. No entanto, essa permanece uma hipótese histórica, pois não há registros que permitam afirmar qual teria sido sua posição caso estivesse vivo em 1889.
Também é possível sustentar que a adoção de Sampaio como Patrono da Infantaria pelo Exército Republicano e sua posterior promoção honorífica ao posto de marechal representam uma releitura republicana de sua trajetória, incorporando à tradição do Exército Brasileiro um militar que serviu exclusivamente ao Império. Para alguns, essa homenagem evidencia a continuidade histórica da instituição militar brasileira, que preservou símbolos e personagens anteriores a 1889. Para outros, pode parecer paradoxal que a República homenageie um oficial cuja carreira e juramento estavam ligados à Monarquia.
Em termos historiográficos, não há elementos que permitam concluir que Sampaio teria apoiado a Proclamação da República ou aceitado a deposição do Imperador, assim como também não há evidências de que teria resistido a ela caso estivesse vivo. O que se pode afirmar com segurança é que sua vida e sua carreira foram dedicadas ao Exército Imperial e ao Estado monárquico então vigente.