Escassez de aeronaves operacionais e lenta incorporação dos Gripen levam a Força Aérea a estudar a concentração da frota de F-5M em uma única base
A Força Aérea Brasileira (FAB) intensificou as discussões sobre a possível desativação de um dos dois esquadrões de F-5M ainda em atividade. A medida, analisada nos bastidores da instituição, busca preservar a capacidade operacional da aviação de caça diante da redução da frota disponível e dos atrasos na substituição dos veteranos caças pelos novos F-39 Gripen.
Segundo análise do editor-chefe do DefesaNet, Nelson During, a FAB enfrenta dificuldades crescentes para manter simultaneamente os esquadrões Pampa, em Canoas (RS), e Jambock, em Santa Cruz (RJ). A diminuição do número de aeronaves aptas ao voo afeta diretamente o treinamento de pilotos, a prontidão operacional e a capacidade de resposta da defesa aérea.
Frota envelhecida reduz disponibilidade
A FAB modernizou os F-5M no início dos anos 2000, em parceria com a Embraer e a israelense Elbit Systems. Entretanto, os caças nasceram na década de 1960 e acumulam décadas de uso intensivo.
O envelhecimento estrutural das aeronaves reduz a disponibilidade das células e amplia as dificuldades logísticas. Além disso, a obtenção de componentes tornou-se mais complexa e onerosa. Como resultado, a FAB precisa investir mais recursos para manter um número cada vez menor de aeronaves em condições de voo.
Diante desse cenário, oficiais da força defendem a concentração de toda a frota remanescente em apenas uma unidade. A medida permitiria elevar a disponibilidade operacional, reduzir custos de manutenção e otimizar o emprego de equipes técnicas.
Canoas e Santa Cruz disputam permanência
A eventual reestruturação colocaria em jogo duas unidades de grande importância para a aviação militar brasileira.
O Esquadrão Pampa desempenha papel estratégico na proteção da Região Sul e reforça a vigilância de uma extensa área de fronteira. Por isso, sua presença em Canoas possui relevância operacional significativa.
Já o Esquadrão Jambock carrega um valor histórico singular. A unidade descende diretamente do grupo de caça brasileiro que combateu na Itália durante a Segunda Guerra Mundial e ocupa posição simbólica dentro da FAB.
Consequentemente, qualquer decisão provocará impactos operacionais, políticos e institucionais.
Gripen avança em ritmo abaixo do esperado
Ao mesmo tempo, a chegada dos caças Gripen ocorre em velocidade inferior à prevista originalmente. Embora a FAB já tenha incorporado parte das aeronaves contratadas, o número disponível ainda não permite substituir integralmente os F-5M.
A força contratou apenas 36 Gripen, quantidade considerada insuficiente para absorver rapidamente todas as missões desempenhadas pelos caças mais antigos. Dessa forma, os F-5 continuam essenciais para a defesa do espaço aéreo brasileiro.
Enquanto os novos vetores não atingem uma massa operacional adequada, a FAB precisa prolongar a utilização de aeronaves que já se aproximam do limite de sua vida útil.
Decisão pode redefinir a aviação de caça
A FAB já adotou estratégia semelhante no passado. Anos atrás, a instituição encerrou as operações do esquadrão de F-5 baseado em Manaus para redistribuir aeronaves e concentrar recursos em Canoas e Santa Cruz.
Agora, a força volta a analisar uma medida de racionalização. Entretanto, desta vez, o cenário apresenta maior complexidade, pois a disponibilidade da frota continua diminuindo e a substituição pelos Gripen avança lentamente.
Nos bastidores, cresce a percepção de que a FAB se aproxima de um ponto crítico. Por isso, a concentração dos F-5M em uma única base ganhou força como alternativa para preservar a capacidade de combate da aviação de caça durante a transição para os novos caças.
A principal dúvida já não gira em torno da necessidade de reorganização. A questão central passou a ser qual esquadrão permanecerá em operação e qual encerrará suas atividades.
Confira a análise de Nelson During, no site Defesa Net
Respostas de 2
Faz o l….E admire a capacidade estratégica do Nine. Bando de subservientes.
Enquanto isso, o demiurgo falastrão continua nos palanques a desafiar, em discursos típicos de “bodega”, países com FA verdadeiramente equipadas, adestradas e testadas em conflitos recentes.
Aqui, não se tem recursos nem para o recruta executar mais de 20 tiros em sua formação.