Gilberto Hideki Ueda deixou o comando do Corpo de Alunos e foi transferido após uma agressão envolvendo seu filho, estudante da instituição.
Após ser afastado do Colégio Militar Dom Pedro II, Gilberto Hideki Ueda foi transferido para o Grupamento de Aviação Operacional. O oficial é primeiro-tenente e comandava o Corpo de Alunos do educandário, gerido pelo Corpo de Bombeiros Militares do DF.
Segundo apuração da coluna Na Mira, do Metrópoles, a governadora Celina Leão determinou o afastamento do militar. A decisão ocorreu após suspeitas envolvendo o filho do comandante.
Além disso, o caso provocou a abertura de procedimentos internos para esclarecer as circunstâncias da agressão e definir eventuais responsabilidades.
Aluno sofreu múltiplas fraturas no rosto
O estudante agredido cursa o 7º ano. Segundo relatos, um colega do 8º ano teria desferido diversos socos contra o rosto da vítima.
Por causa dos ferimentos, o colégio acionou uma ambulância. Em seguida, a equipe encaminhou o estudante ao Hospital Alvorada para atendimento médico.
De acordo com relatos, o menino sofreu múltiplas fraturas na face. Além disso, ele contou a pessoas próximas que não reagiu durante a agressão.
Segundo o estudante, ele temia uma eventual expulsão. Isso ocorreria porque o agressor seria filho de um oficial de alta patente do Corpo de Bombeiros.
Agressão teria começado após partida de handebol
Segundo relatos, os estudantes participavam de uma partida de handebol fora do colégio. Depois da derrota, entretanto, eles retornaram à escola.
Já no vestiário, os adolescentes continuaram brincando entre si. Nesse momento, alguns estudantes teriam iniciado uma brincadeira com bolinhas de papel.
“Em certo momento, [a vítima] e mais dois começaram a jogar bolinha de papel, [um deles] jogou no menino e ele teve essa alteração. Parece que dois correram para um lado e ele para outro, até que alcançou a vítima”, disse um conhecido.
Na sequência, conforme os relatos, o agressor teria derrubado a vítima no chão. Para evitar uma pancada na cabeça, o estudante apoiou os cotovelos no piso.
Em seguida, o agressor teria montado sobre o estudante e desferido diversos socos contra o rosto.
Os golpes teriam continuado até a intervenção de dois monitores. Logo depois, o colégio acionou uma ambulância para transportar o estudante.
Exames apontaram fraturas
A coluna Na Mira teve acesso aos exames realizados pela vítima. Conforme os documentos, o estudante sofreu uma fratura multifragmentada do osso nasal esquerdo.
Além disso, os exames apontaram desvio do septo nasal para a esquerda e pansinusopatia. Contudo, não houve sinais de processo inflamatório agudo.
Segundo a família, o adolescente apontado como agressor pratica judô. Por causa dos ferimentos, o estudante de 13 anos ficará 21 dias afastado.
Durante esse período, ele não poderá praticar exercícios físicos. Paralelamente, a família registrou o caso na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) 1.
Além disso, a vítima realizou exame no Instituto de Medicina Legal (IML) no mesmo dia da agressão.
CBMDF instaurou procedimentos
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) informou que o colégio prestou socorro ao estudante.
Ao mesmo tempo, a unidade manteve contato com os responsáveis pelos adolescentes envolvidos. A corporação também iniciou os procedimentos necessários para esclarecer o episódio.
Segundo o CBMDF, o Conselho Escolar também participa da apuração. A corporação afirmou ainda que mantém atenção especial à proteção e à privacidade dos estudantes.
“O CMDP II instaurou os procedimentos necessários para a elucidação dos fatos e realiza na quarta (12) uma reunião do Conselho Escolar como parte do processo apuratório. O militar que, na ocasião, exercia a função de Comandante do Corpo de Alunos foi exonerado. O CBMDF e o CMDPII reforçam que o caso está sendo tratado com a devida atenção e responsabilidade, respeitando o processo de apuração e, especialmente, a proteção e a privacidade dos estudantes envolvidos”, diz a nota.
Defesa afirma que adolescente sofria bullying
Após a publicação da reportagem, a defesa do coronel procurou a reportagem e enviou uma nota de esclarecimento.
Segundo os advogados, o adolescente apontado como agressor também sofria bullying recorrente. Além disso, a defesa afirma que ele enfrentava ofensas relacionadas ao nome, à ascendência japonesa e à raça.
A família também relata comentários depreciativos sobre o corpo do adolescente. Por isso, os advogados defendem que a apuração considere todo o contexto anterior ao episódio.
Confira a nota da defesa na íntegra:
“O escritório Saraiva | Veiga Advogados, que representa a família do estudante mencionado na reportagem, esclarece que o adolescente é vítima, há anos, de bullying reiterado por parte de colegas de turma, com ofensas relacionadas ao seu nome, à sua ascendência japonesa e também pelo fato de ser negro, além de comentários depreciativos sobre seu corpo. O histórico escolar do adolescente registra ainda episódios recorrentes de exclusão e importunação por parte de colegas.
Segundo apurado pela família, no dia dos fatos, após uma derrota em jogo de handebol, colegas iniciaram comentários depreciativos e ofensas dessa natureza contra o adolescente, que se intensificaram durante o trajeto de retorno à escola e se tornaram ainda mais agressivas já no vestiário. Em razão do bullying sofrido, o estudante buscou abrigo em um dos boxes do banheiro, na tentativa de que as ofensas cessassem.
Mesmo assim, passou a ser alvo de arremessos reiterados de bolinhas de papel molhadas e sujas, sendo atingido diversas vezes, inclusive no olho. Foi nesse contexto de reiterada hostilização que o episódio ocorreu, sem qualquer intenção de causar lesão, tendo os fatos cessado por iniciativa própria do adolescente, antes mesmo da intervenção dos monitores. Logo em seguida, o próprio estudante buscou o colega para saber como ele estava e, ao perceber que ele aparentava estar bem, pediu desculpas pelo ocorrido.
A família lamenta o ocorrido e deseja pronta recuperação ao colega envolvido. Ao mesmo tempo, destaca que o que aconteceu faz parte de um processo muito maior, que precisa ser apurado considerando também tudo o que ocorreu anteriormente. Em nome da família, foi declarado: “Nosso filho deve ser ouvido e, se houver qualquer responsabilização, que ela ocorra dentro dos procedimentos e do regulamento do Colégio, e não por julgamentos ou questões políticas.”
Cabe destacar, ainda, que o pai do adolescente sempre pautou sua conduta profissional pela exemplaridade e pelo respeito às normas institucionais. Ao tomar conhecimento do ocorrido, solicitou voluntariamente seu afastamento das atividades relacionadas ao caso, justamente para preservar a lisura e a imparcialidade de qualquer apuração, colocando-se integralmente à disposição para todos os esclarecimentos necessários.
A família confia que as autoridades e a direção escolar conduzirão a apuração dos fatos de forma isenta, técnica e completa, considerando a integralidade do contexto que antecedeu o episódio, e espera que a instituição adote as medidas cabíveis para coibir o racismo e o bullying reiterado enfrentado pelo adolescente.
Por se tratar de adolescentes, solicita-se que a privacidade de todos os envolvidos seja devidamente preservada”.
Apuração ainda está em andamento
O caso continua sob apuração pelas autoridades e pela direção do Colégio Militar Dom Pedro II. Portanto, eventuais responsabilidades ainda dependem da conclusão dos procedimentos.
Enquanto isso, o CBMDF afirma que preservará a privacidade dos estudantes envolvidos. A defesa, por sua vez, pede uma análise completa das circunstâncias anteriores à agressão.
Assim, a apuração deverá considerar tanto a agressão quanto os relatos de bullying apresentados pela defesa do adolescente.
Fonte: Metrópoles, coluna Na Mira.
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Respostas de 5
Estudei em escola civil e toda semana tinha uma dessas…batiam até nos professores…
Achando normal a anormalidade e banalizandono errado. Por que esse país nunca se tornará uma nação desenvolvido, pois continuamos pensando como indivíduos de 3ª, 4ª, 5ª classe.
Cólégio vinculado ao Corpo de Bombeiros do DF
Manchete mal intencionadamente redigida.
Maior “furada” se Comandante e trabalhar em Colégio Militar. Quase sempre o Oficial que faz este Comando não sai General ele recebe um Comando as vezes pela segunda vez como um prêmio de conforto e já sabe que terminou a carreira. Os militares que trabalham com alunos vivem preocupados um “processo” termina a carreira. Um cara foi trabalhar em Colégio com esperança de receber pontos, saiu com um processo nas costas executado pelos Pais do aluno. Na minha opinião nos dias de hoje, quanto menos contato com civis melhor. Aluno de Colégio Militar não são militares são crianças e jovens. Assim o PTTC o cara esta na boa em casa e inventa de voltar, sai doente e as vezes respondendo processos. Mano cumpriu o tempo sai fora, a vida é única, cada segundo que passa não volta mais. Vem curtir a vida…Será que amanhã estaremos com vida ou com saúde? Eu sou viúvo e estou com três namoradas, só curtindo, beijando muitoooooooooooooooooooo. Muito forró e curtição.