Comunidades de São Gabriel da Cachoeira denunciam ameaças, restrições de acesso aos roçados e presença de homens armados; MPF cobra reforço das Forças Armadas na fronteira.
Indígenas denunciam presença de homens armados
Comunidades indígenas de São Gabriel da Cachoeira, no extremo noroeste do Amazonas, relataram a presença de homens armados vindos da Colômbia em território brasileiro.
Segundo os moradores, o grupo teria intimidado comunidades, restringido o acesso às plantações e provocado o deslocamento de famílias para áreas consideradas mais seguras.
As denúncias partiram da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Tiquié, Uaupés e Afluentes, ligada à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).
Em ofício enviado às autoridades em 17 de agosto, a entidade pediu providências urgentes diante dos avistamentos e das ameaças.
Além disso, as lideranças relataram movimentações suspeitas nas proximidades das comunidades e dos roçados.
Grupo pode reunir até 2 mil homens
Lideranças locais estimam que o grupo possa reunir cerca de 2 mil homens. Entretanto, as autoridades brasileiras ainda não confirmaram esse número de forma independente.
Também não existe identificação oficial da organização armada à qual os estrangeiros supostamente pertenceriam.
De acordo com os relatos, os homens procuram comunidades para comprar ou trocar alimentos. Contudo, moradores que tentaram chegar aos roçados teriam enfrentado ameaças.
Segundo as denúncias, os homens exibiram armas de fogo e impediram a circulação de indígenas em determinadas áreas.
Restrição ameaça segurança alimentar
A situação afeta diretamente a segurança alimentar das comunidades. Afinal, muitas famílias dependem da agricultura de subsistência para garantir a própria alimentação.
Sem acesso aos roçados, os moradores não conseguem colher mandioca, frutas e outros produtos essenciais.
Os relatos apontam que os avistamentos aumentaram a partir de 15 de agosto. Entre as localidades citadas aparecem Rio Castanho, Cachoeira Comprida, Cunurí, São Filipe e Morro de Beija-Flor.
Além disso, moradores de São Filipe e Morro de Beija-Flor teriam abandonado suas casas. Eles seguiram para o distrito de Pari Cachoeira em busca de maior segurança.
Homens teriam cortado comunicações
Os indígenas também afirmaram que os homens armados ordenaram o desligamento de equipamentos de comunicação.
Entre os equipamentos citados estão terminais de internet por satélite. Consequentemente, a interrupção dos contatos aumentou a preocupação das organizações indígenas.
As entidades deixaram de receber informações de algumas comunidades isoladas. Por isso, as lideranças passaram a cobrar uma resposta rápida das autoridades federais.
Liderança indígena teria servido como guia
Um dos episódios mais graves envolve uma liderança da comunidade Cunurí, no Baixo Uaupés.
Segundo o documento encaminhado às autoridades, o indígena teria sido levado pelo grupo armado. Depois, os homens o obrigaram a atuar como guia durante o deslocamento até Rio Castanho.
A liderança retornou cinco dias depois. Ao chegar, teria informado aos moradores que os estrangeiros não representavam perigo.
A declaração, porém, provocou desconfiança entre outras lideranças. Elas consideram a possibilidade de o indígena ter sofrido ameaças ou represálias.
Além disso, surgiram relatos sobre o desaparecimento de embarcações utilizadas pelas comunidades. As autoridades ainda precisam confirmar essas informações.
Assista a reportagem do Sistema Encontro das Águas, do Amazonas
MPF cobra ação das Forças Armadas
O Ministério Público Federal no Amazonas abriu um inquérito civil para investigar as denúncias.
Em 19 de agosto, o MPF encaminhou uma recomendação urgente aos comandos do Exército, da Marinha e da Força Aérea Brasileira.
O órgão também acionou a Superintendência da Polícia Federal no Amazonas. Dessa forma, o MPF busca integrar as ações de segurança e fiscalização na região.
A recomendação pede reforço do patrulhamento, fiscalização da faixa de fronteira e proteção das comunidades indígenas.
Os órgãos receberam prazo de 48 horas para informar as providências adotadas. Entretanto, parte das diligências permanece sob sigilo para preservar as investigações.
Comunidades pedem tropas especializadas
As organizações indígenas também solicitaram o envio de tropas especializadas em operações na selva.
A reivindicação inclui as calhas dos rios Tiquié e Baixo Uaupés. As entidades também defendem a instalação de um ponto permanente de fiscalização.
Além disso, as lideranças querem uma atuação conjunta das Forças Armadas, da Polícia Federal e do MPF.
O objetivo consiste em investigar possíveis violações da fronteira e proteger os direitos das comunidades indígenas.
Exército monitora a faixa de fronteira
O Exército Brasileiro informou que acompanha a situação e mantém atenção especial aos relatos envolvendo estrangeiros na faixa de fronteira.
O Exército Brasileiro mantém presença permanente na região amazônica por meio dos Pelotões Especiais de Fronteira.
O 6º Pelotão Especial de Fronteira, sediado em Pari Cachoeira, realiza missões de reconhecimento e vigilância na área sob sua responsabilidade.
A unidade também mantém contato com outros órgãos federais responsáveis pela segurança e fiscalização da fronteira.
Enquanto isso, Marinha e Força Aérea não haviam detalhado publicamente eventuais medidas adicionais até a publicação das denúncias.
Pressão militar na Colômbia aumenta tensão
Lideranças indígenas suspeitam que os homens tenham entrado no Brasil após o aumento das operações contra grupos armados na Colômbia.
O governo colombiano ampliou a pressão militar contra dissidências das antigas Farc, o ELN e outras organizações criminosas.
Esses grupos mantêm envolvimento com atividades como narcotráfico, sequestros e extorsões em diferentes regiões colombianas.
Entretanto, nenhuma autoridade brasileira confirmou ligação entre os homens avistados no Amazonas e essas organizações.
Também permanecem sem confirmação a dimensão do grupo, sua localização exata e eventual conexão com organizações criminosas brasileiras.
Por isso, as autoridades continuam investigando os relatos apresentados pelas comunidades.
Enquanto a apuração avança, os indígenas cobram uma presença permanente do Estado na região.
As lideranças temem que uma resposta apenas temporária provoque o deslocamento dos homens armados para outras áreas da extensa fronteira amazônica.
Fonte: organizações indígenas e informações encaminhadas às autoridades brasileiras.
Leia também:
- 6º Pelotão Especial de Fronteira reforça presença do Exército na Amazônia
- Exército amplia operações de vigilância na região amazônica
- Forças Armadas atuam na proteção das fronteiras brasileiras
Respostas de 7
Faz o L.
Coisa para inglês ver, todo mundO sabe que as FARCS compram nos supermercados de SGC/AM e MOVIMENTAM a economia LOCAL. Anos atrás, já houve esses relatos na comunidade do Balaio (100 km de SGC/AM). Na época, o general da 2ª Bda enviou a banda para o aniversário da comunidade e 1 tonelada de gasolina de presente, para confidencializar os líderes indígenas….
São amigues do Mullah. No RJ ocupam as favelas e florestas, uns 100 mil com drones, treinamento com drones, fortemente armados. Ninguém entra, nem a PF nem as FFAAs. O IBAMA, a Força Nacional e o ICMbio só avançam para expropriação de agricultores desarmados, passam longe desses amigues.
Rei Lula quer implantar a monarquia com a ajuda dos povos da floresta (Colômbia, Amazônia e Venezuela); já estão no brasil para atacar o trump e defender o lula com armas russas; pare o ônibus que eu quero descer!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Essa narrativa tá com jeito de Decreto de GLO para a suspensão das eleições, um combinado.
Está tudo bem, sob controle, na região do 6° Pelotão de fronteira, não são dois mil invasores que vão intimidar habitantes locais…
Liga não o trump vem ai kkkkkk