Lula autoriza devolução do canhão “El Cristiano” ao Paraguai após reação a fala sobre a guerra

Canhão ‘El Cristiano’

Decisão ocorre após repercussão negativa no Paraguai provocada por declaração de Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança; canhão histórico é reivindicado há décadas pelo país viznho.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou a devolução ao Paraguai do canhão histórico El Cristiano, levado ao Brasil durante a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870).

Reação paraguaia aumentou pressão pela devolução

A decisão ocorreu após a repercussão negativa no Paraguai de uma declaração feita por Lula em julho. Na ocasião, o presidente afirmou: “nós gostamos de paz, mas um belo dia o Paraguai decidiu invadir o Brasil”. A declaração provocou reação política no Paraguai. Além disso, autoridades do país voltaram a cobrar a devolução de objetos relacionados à guerra. Entre eles, o El Cristiano ocupa posição especial pelo forte valor simbólico que representa para o Paraguai.

Reivindicação do Paraguai é antiga

Apesar da repercussão causada pela fala de Lula, o pedido paraguaio pelo canhão não começou agora. O país reivindica a peça há mais de 15 anos. Ao longo desse período, governos dos dois países mantiveram negociações sobre a restituição. Entretanto, questões relacionadas ao patrimônio histórico brasileiro dificultaram a conclusão do processo. O Paraguai atribui ao El Cristiano um significado que ultrapassa seu valor material. O canhão representa parte da memória nacional relacionada à Guerra da Tríplice Aliança.

Canhão foi produzido durante a guerra

O El Cristiano foi produzido no Paraguai durante o conflito. Para fabricar a peça, os paraguaios utilizaram metal obtido da fundição de sinos de igrejas. Posteriormente, tropas brasileiras capturaram o canhão e o levaram para o Brasil como troféu de guerra. Atualmente, o artefato permanece no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. O canhão integra o patrimônio histórico protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Devolução ainda depende de procedimentos legais

Embora Lula tenha dado aval político à restituição, a transferência não ocorrerá automaticamente. O governo brasileiro ainda precisa cumprir procedimentos legais e administrativos. O tombamento representa um dos principais obstáculos. Portanto, o processo exige medidas específicas para permitir a retirada definitiva da peça do patrimônio protegido. Além disso, a operação envolve desafios logísticos. O El Cristiano pesa cerca de 12 toneladas e permanece instalado no Museu Histórico Nacional.

Canhão tem forte valor simbólico para o Paraguai

A disputa envolve, portanto, mais do que a posse de uma peça militar histórica. O objeto concentra diferentes interpretações sobre memória, patrimônio e identidade nacional. Por isso, o Paraguai mantém a reivindicação há anos. Para o país, a devolução representa um gesto de reconhecimento de sua memória histórica. Nesse contexto, a autorização de Lula representa uma mudança na posição brasileira sobre uma reivindicação que atravessa diferentes governos. A decisão também ocorre após um momento de tensão diplomática. A declaração do presidente brasileiro provocou críticas e ampliou a pressão pela restituição.

Guerra da Tríplice Aliança marcou a história do Paraguai

A Guerra da Tríplice Aliança envolveu Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai entre 1864 e 1870. O conflito provocou enormes perdas humanas e materiais no Paraguai. O país celebra anualmente o Dia dos Heróis em 1º de março. A data recorda a morte do marechal Francisco Solano López, em Cerro Corá, em 1870. Leia também: Paraguai cobra devolução do canhão El Cristiano Saiba mais: Brasil e Paraguai discutem cooperação na área de Defesa  

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