Cabo do Exército que esteve desaparecido afirma que foi a área de garimpo para destruir estrutura de ouro em Roraima

O Cabo Santiago Ramos de Paulo está desaparecido em Roraima

Santiago Ramos de Paula afirmou que viajou com outras sete pessoas para destruir uma estrutura de processamento de ouro. Segundo ele, uma suposta dívida milionária motivou a ação.

O cabo do Exército Santiago Ramos de Paula, de 23 anos, contou à Polícia Militar que entrou em uma área de garimpo em Roraima com outras sete pessoas.

Segundo o militar, o grupo pretendia destruir uma estrutura usada para processar ouro. Além disso, ele afirmou que a ação teria relação com uma suposta dívida milionária.

Santiago desapareceu em 7 de agosto. Entretanto, equipes localizaram o militar com vida na quinta-feira (13), após seis dias de buscas.

De acordo com o depoimento obtido pelo g1 Roraima, Santiago saiu de Boa Vista rumo à comunidade Napoleão.

Ele viajou em uma caminhonete. Enquanto isso, outro homem, identificado como “Valério”, seguiu em outro veículo.

Ao chegar à comunidade, o grupo se dividiu em duas equipes. Cada caminhonete transportava quatro pessoas.

Santiago afirmou que não conhecia os demais integrantes. Segundo ele, todos usavam balaclavas, enquanto apenas “Valério” tinha identificação conhecida.

Depois, Santiago e Valério decidiram destruir uma estrutura conhecida como “pia”. Conforme o relato, um homem chamado “Trindade” controlaria o equipamento.

Além disso, Santiago afirmou que “Trindade” teria causado um prejuízo financeiro milionário a ele e a Valério.

Por isso, segundo o depoimento, os dois teriam decidido destruir a estrutura como forma de vingança.

“Santiago afirmou que ‘Trindade’ teria causado grande prejuízo financeiro a ele e a ‘Valério’, estimado por Santiago em milhões de reais”, registra o relatório da PM.

A região fica na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, a aproximadamente 286 quilômetros de Boa Vista. Além disso, existem áreas de garimpo nos arredores.

Segundo o tuxaua Leomir Simplício Miliano, cerca de 20 moradores integram a segurança comunitária. O grupo fiscaliza a entrada de pessoas e veículos.

Caminhonetes ficaram atoladas durante o trajeto

Ainda segundo Santiago, seis integrantes deixaram os veículos antes de uma ponte. Em seguida, caminharam por cerca de 30 minutos até as estruturas.

Durante o deslocamento, o grupo utilizou rádios comunicadores. Os integrantes também carregavam sacos de sabão dentro das mochilas.

Santiago explicou que pretendia usar o sabão para prejudicar a recuperação do ouro por meio do carvão. Ele também estimou entre quatro e cinco quilos de ouro na estrutura.

No entanto, as duas caminhonetes atolaram durante o trajeto. Depois disso, o grupo ouviu vários disparos na direção da sede da comunidade Napoleão.

O militar afirmou que não identificou quem efetuou os tiros. Logo depois, os integrantes correram e se separaram.

Segundo Santiago, sete pessoas seguiram juntas. Ele, porém, escolheu outra direção e continuou sozinho.

Enquanto isso, integrantes da segurança comunitária encontraram dois veículos abandonados na região.

O tuxaua Leomir contou ao g1 que os seguranças perceberam a movimentação por volta das 5h de sábado (8).

Os ocupantes, contudo, fugiram antes que os seguranças conseguissem identificá-los. Depois, um dos integrantes subiu uma serra e viu pessoas correndo.

Militar afirma que se escondeu em caverna

Após deixar o grupo, Santiago procurou abrigo em uma caverna no alto de uma serra. Posteriormente, ele avistou um homem armado com uma pistola.

Segundo o militar, o homem percebeu sua presença e comunicou a localização a outra pessoa por rádio.

Em seguida, Santiago relatou que “Trindade” apareceu em um quadriciclo vermelho, acompanhado por outro homem. Os dois, conforme o relato, passaram a procurá-lo.

O cabo, entretanto, conseguiu escapar e continuou caminhando pela mata.

Mais tarde, Santiago chegou a uma fazenda na região da Raposa 1. Ali, pediu ajuda e recebeu água.

Depois que o homem deixou a propriedade, Santiago ouviu novos disparos por volta das 18h. Além disso, ele viu uma lanterna na direção por onde havia passado.

Com medo de ser encontrado, o militar voltou a fugir. Depois, escondeu-se novamente em uma área de serra.

Segundo o depoimento, Santiago também afirmou que “Trindade” teria envolvimento com atividades políticas na região de Cantá, em Roraima.

Essa informação, contudo, integra apenas o relato apresentado pelo militar às autoridades e ainda depende de apuração.

Cabo foi localizado após seis dias de buscas

Santiago permaneceu escondido e caminhou por áreas de mata e serras durante vários dias. Finalmente, na quinta-feira (13), ele chegou à comunidade Raposa 2.

Em seguida, procurou a casa do tuxaua e pediu ajuda. O líder comunitário acionou a Polícia Militar.

Quando os policiais chegaram, encontraram Santiago consciente. O militar apresentava lesões nos pés e vários arranhões pelo corpo.

Os policiais levaram o cabo ao Hospital Ruth Quitéria, em Normandia. Depois do atendimento, conduziram Santiago à Delegacia de Normandia.

Na unidade policial, o militar prestou depoimento. Além disso, reencontrou o pai, Adriano de Paula.

A Polícia Civil de Roraima continua investigando o desaparecimento e as circunstâncias que levaram o militar à região.

Até o momento, as autoridades ainda apuram as circunstâncias da suposta ação contra a estrutura de processamento de ouro.

Também permanecem sob investigação a identidade dos demais integrantes do grupo e as circunstâncias dos disparos relatados pelo cabo.

Leia também

Links de saída


g1 Roraima


Exército Brasileiro


Polícia Militar de Roraima


Polícia Civil de Roraima

“`

Respostas de 4

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *