“O Brasil não será comunista nunca!”, afirma Baptista Júnior, que rejeitou ruptura democrática

Baptista Júnior lança livro sobre articulações palacianas sobre golpe em 2022

Ex-comandante da FAB diz que “não foi herói por cumprir a lei”, relata pressões após a eleição de 2022 e defende limites para o STF.

O tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior afirmou que “o Brasil não será comunista nunca”. A declaração integra uma entrevista concedida à revista Veja. Na conversa, o ex-comandante da Força Aérea Brasileira também revisitou a crise institucional após a eleição de 2022. Além disso, explicou sua oposição a qualquer tentativa de impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

“O Brasil não será comunista nunca!”

Baptista Júnior rejeitou a ideia de que o Brasil possa caminhar para um regime comunista. Segundo ele, essa possibilidade não corresponde à realidade política e social do país. “O Brasil não vai ser comunista nunca”, afirmou o ex-comandante. Ao mesmo tempo, ele criticou os extremos políticos de direita e esquerda. Para Baptista Júnior, os radicais de direita atuam de forma reacionária. Já os radicais de esquerda assumem uma postura revolucionária. Por isso, ele considera que nenhum dos dois extremos deveria ocupar espaço relevante na política brasileira.

“Não sou herói por cumprir a lei”

A defesa da democracia aparece como outro ponto central da entrevista. Baptista Júnior afirma que não considera heroica sua decisão de rejeitar a ruptura institucional. “Não sou herói por cumprir a lei”, afirmou. Para ele, respeitar a Constituição representa uma obrigação de qualquer militar. Apesar disso, o ex-comandante relata que enfrentou consequências pessoais após sua posição. Ele perdeu amizades antigas e sofreu ataques públicos. Segundo Baptista Júnior, os ataques também atingiram sua família. Ele atribui ao general Walter Braga Netto uma campanha de difamação contra sua imagem.

Pressão para impedir a posse de Lula

Após a eleição de 2022, Baptista Júnior afirma ter enfrentado pressões para apoiar medidas destinadas a impedir a posse de Lula. O então comandante da FAB recusou a proposta. Além disso, ele afirma que a falta de unanimidade entre os comandantes militares ajudou a evitar uma ruptura. Segundo o militar, instituições e sociedade também contribuíram para preservar a normalidade democrática. “O povo não quer uma ditadura”, afirmou. Para ele, o Brasil não deveria repetir experiências autoritárias do passado.

Por que não denunciou Bolsonaro?

Baptista Júnior também explicou por que não denunciou nem determinou a prisão de Bolsonaro durante as discussões sobre medidas golpistas. Segundo ele, prender ou denunciar o presidente poderia produzir consequências institucionais graves. Por isso, preferiu uma estratégia de contenção. A estratégia buscava impedir uma ruptura e ganhar tempo até a posse presidencial. Dessa forma, ele esperava preservar a normalidade institucional.

Divergência de versões com Freire Gomes

Outro ponto controverso envolve o general Marco Antônio Freire Gomes, então comandante do Exército. Baptista Júnior afirmou ao Supremo Tribunal Federal que Freire Gomes teria advertido Bolsonaro sobre uma possível prisão. Posteriormente, Freire Gomes apresentou uma versão diferente durante seu depoimento ao STF. Ainda assim, Baptista Júnior manteve sua narrativa. Apesar da divergência, o ex-comandante da FAB afirma que continua amigo de Freire Gomes.

Militarização do governo Bolsonaro

Baptista Júnior não considera que Bolsonaro tenha simplesmente politizado as Forças Armadas. Na avaliação dele, ocorreu principalmente uma militarização do governo. O ex-comandante reconhece que militares possuem direitos políticos e podem exercer funções públicas. Entretanto, considera exagerada a presença de oficiais em cargos do Executivo. Por isso, ele defende que o Congresso discuta restrições para militares da ativa em cargos de primeiro e segundo escalões. Segundo Baptista Júnior, essa medida poderia reduzir a associação entre as Forças Armadas e governos específicos.

“Não somos golpistas”

O ex-comandante também rejeita a ideia de que as Forças Armadas sejam instituições golpistas. Segundo ele, o pensamento militar passou por uma evolução e se aproximou da democracia. Além disso, considera superada a tese de que os militares exercem um suposto poder moderador. Para Baptista Júnior, as Forças Armadas devem atuar em favor do Brasil e da defesa nacional. Portanto, a instituição não deve assumir protagonismo político.

A imagem das Forças Armadas

A crise também afetou a imagem das Forças Armadas perante a sociedade. Baptista Júnior reconhece a preocupação dos militares da ativa com a queda da confiança pública. Por outro lado, ele acredita que a credibilidade institucional poderá ser recuperada. Para isso, considera fundamental demonstrar que as Forças Armadas não possuem lado político. Além disso, o ex-comandante entende que a instituição precisa manter distância das disputas partidárias.

Anistia para envolvidos no 8 de Janeiro

Baptista Júnior defende anistia para pessoas que participaram dos atos de 8 de Janeiro. Na avaliação dele, os manifestantes presentes na Praça dos Três Poderes não tinham capacidade para executar um golpe de Estado. Além disso, considera excessivas algumas penas aplicadas aos envolvidos. Por isso, defende anistia ou revisão das sentenças. Entretanto, ele diferencia os manifestantes dos integrantes do núcleo responsável pela articulação golpista. Para o ex-comandante, os responsáveis pela tentativa de ruptura devem responder pelos crimes. Ainda assim, ele defende proporcionalidade na aplicação das penas.

Críticas ao Supremo Tribunal Federal

Baptista Júnior também critica a atuação do Supremo Tribunal Federal. Ele questiona a duração do inquérito das fake news e a ampliação dos poderes da Corte. Por isso, defende mandatos fixos para ministros do STF. Segundo ele, o Congresso poderia estabelecer períodos entre oito e 12 anos. Além disso, propõe um código de ética para os ministros. O objetivo seria estabelecer regras sobre conflitos de interesses e relações de apadrinhamento. Assim, sua proposta busca limitar poderes e promover maior renovação no Tribunal.

Eleição polarizada entre populistas

Na política, Baptista Júnior afirma ter dificuldade para se definir ideologicamente. Ele lembra que já votou em Lula e em Bolsonaro. Agora, porém, demonstra preocupação com uma eleição polarizada entre dois grupos que considera populistas. Segundo ele, líderes políticos precisam manter seus apoiadores mobilizados. Nesse cenário, temas como urnas eletrônicas e conflitos internacionais podem ampliar a polarização.

Soberania nacional e relação com os Estados Unidos

Baptista Júnior não acredita que os Estados Unidos possam invadir o Brasil ou promover uma intervenção militar. Contudo, ele critica a personalização dos conflitos entre os governos de Brasília e Washington. Para o ex-comandante, Brasil e Estados Unidos mantêm relações estratégicas construídas ao longo de décadas. Por isso, considera perigosa uma escalada política baseada em confrontos pessoais. Além disso, ele defende um debate mais amplo sobre o avanço do narcotráfico e suas consequências para a segurança nacional.

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Fonte: Revista Veja.

Respostas de 14

  1. “Não sou heroi por cumprir a lei”.

    E em que momento ele levou ao conhecimento do PGR, ou STF, ou presidente do Senado, da tentativa de gope de estado do então Presidente?

    Se não fez isso, não pode dizer que cumpriu a lei.

  2. No mínimo prevaricou. Só não embarcou naquela aventura golpista (ele é outros tantos) porque avaliaram que aquela loucura não daria certo. Quanto ao Brasil ser “comunista”, ou “socialista”, ou “monarquista” e outros “istas”, quem decide ou decidirá nào será os militares mas sim a sociedade brasileira em sua maioria e no voto, que é quem deve escolher o que for melhor para nossa pátria e para o nosso modo de vida. Eu pessoalmente defendo um Brasil livre, forte e soberano, totalmente independente de estadunidenses, chineses, coreanos, italianos, jordanianos kuaitianos…. Somos uma gigantesca, rica e próspera nação…..não cabemos no quintal de ninguém…..nunca coubemos na verdade.

  3. Até pensei em comprar o livro. Mas como o autor citou uma frase com a palavra ‘ comunista’, desisti. Comunismo nunca existiu. Nem na China, nem na Coreia do Norte e muito menos na antiga URSS. Tivemos sim regimes totalitários. Vamos lá, senhor Brigadeiro; aprenda comigo: Ditadura de Direita, também Totalitarismo: quando a ditadura é imposta pelo Estado, mas com o apoio do empresariado. Exemplos: Hitler, Mussolini, Francisco Franco, Brasil. Ditadura de Esquerda: quando a ditadura é imposta pelo Estado, sem a presença do empresariado; URSS, China, Coreia do Norte. Portanto, os que aqui insistem na palavra ‘ melancia’, sinal que estudaram pouco. Ficaram apenas nos rasos manuais militares. Esse é o problema do militar brasileiro; não estuda. Acha que o que aprendeu na Aman ou na ESA é suficiente. Dica de veterano; estudem. Tenham mais contato com a sociedade civil.

  4. Tempo e senhor da razão, Esse senhor é um Petralha. Igual a uma nota de 7 pila. o resultado do que ele apoia esta ai…forças armadas na latrina da historia do brasil. quem confia em alguém que apoia os petralhas.

      1. Se vc votou não nine mesmo apos o mesmo ser condenado e vc jura de pé junto que ele não rouba e nem deixar roubar. porque o Pr Bolsonaro não pode nomear um traidor.

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