USS George Washington seguirá para a região enquanto crescem as denúncias sobre falta de suprimentos, problemas de infraestrutura e desgaste psicológico da tripulação do USS Abraham Lincoln.
Os Estados Unidos enviaram o porta-aviões USS George Washington ao Oriente Médio em meio a crescentes preocupações sobre as condições do USS Abraham Lincoln.
A movimentação ocorre enquanto o Lincoln acumula mais de oito meses em operação, com milhares de militares submetidos a uma missão prolongada.
Segundo a imprensa americana, o George Washington substituirá o Lincoln na região. A Marinha, contudo, trata a operação como parte de uma rotação planejada.
O George Washington deixou Da Nang, no Vietnã, na semana passada. Além disso, o navio segue acompanhado por um cruzador e um destróier.
Missão prolongada aumenta pressão sobre tripulação
O USS Abraham Lincoln partiu de San Diego em 21 de novembro de 2025. Posteriormente, chegou ao Oriente Médio em janeiro deste ano.
Desde então, o porta-aviões participa das operações americanas relacionadas à guerra contra o Irã.
A permanência prolongada no mar, entretanto, elevou a pressão sobre os cerca de 5 mil militares a bordo.
Além disso, familiares relataram falta de alimentos, problemas no abastecimento de água, falhas de encanamento e atrasos na entrega de correspondências.
Normalmente, porta-aviões realizam escalas periódicas para reabastecimento, manutenção e descanso das tripulações. No caso do Lincoln, porém, essas pausas foram reduzidas.
Denúncias também envolvem saúde mental
As denúncias mais graves envolvem a saúde mental dos marinheiros.
Segundo relatos publicados pelo Military Times e pelo Stars and Stripes, familiares mencionaram episódios nos quais militares teriam tentado ou se preparado para saltar do porta-aviões.
Em um dos casos, a esposa de um marinheiro afirmou ter recebido informação de que o marido tentou se jogar ao mar.
Segundo ela, o militar recebeu acompanhamento médico posteriormente.
Em outro episódio, um tripulante teria percebido um colega preparando-se para passar pela borda do navio.
O militar conseguiu segurá-lo pelos braços e impedir a queda. Depois, outros três tripulantes ajudaram no resgate.
O Stars and Stripes também publicou outro relato sobre militares que teriam impedido um tripulante de saltar.
A Marinha, entretanto, não confirmou publicamente quantos episódios desse tipo ocorreram durante a missão.
Marinha nega aumento de casos de suicídio
Apesar dos relatos, a Marinha afirma que não identificou aumento de pensamentos suicidas ou tentativas de suicídio a bordo.
A instituição também evitou divulgar dados sobre saúde mental. Segundo a força, a decisão protege a segurança operacional e a privacidade dos pacientes.
No início de agosto, um marinheiro caiu ao mar e acabou resgatado rapidamente.
Até agora, as autoridades não esclareceram se investigam o episódio como uma possível tentativa de suicídio.
Pentágono contesta denúncias
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, contestou os relatos durante uma visita ao Panamá.
Segundo Hegseth, as informações sobre as condições do Lincoln foram “deturpadas”.
Ainda assim, o secretário afirmou que pretende acelerar a rotação da tripulação e levar os militares de volta para casa.
A Marinha, por sua vez, reconheceu dificuldades logísticas provocadas pela guerra.
Segundo a instituição, os combates afetaram centros logísticos tradicionais no Oriente Médio.
Por isso, a força priorizou alimentos, itens de higiene e, posteriormente, correspondências para a tripulação.
A Marinha afirma ainda que os militares agora contam com água potável e opções de refeições consideradas saudáveis.
Parlamentares cobram investigação
As denúncias provocaram reação entre parlamentares democratas nos Estados Unidos.
O senador Richard Blumenthal pediu mais informações e maior transparência sobre as condições enfrentadas pelos militares.
Além disso, outros parlamentares pressionam o Pentágono para investigar os problemas relatados por familiares e veículos especializados.
Familiares também participaram de reuniões com autoridades navais e cobraram medidas para proteger a saúde dos tripulantes.
Missões longas preocupam Marinha
O caso do Lincoln não representa um episódio isolado na Marinha americana.
O USS Gerald R. Ford retornou aos Estados Unidos em maio, depois de uma missão de aproximadamente 11 meses.
Durante aquela operação, o navio também enfrentou problemas que afetaram a rotina dos militares.
Além disso, o USS Harry S. Truman passou por uma missão prolongada durante operações contra os houthis no Iêmen.
Esses episódios ampliaram o debate sobre os limites operacionais de longas missões e seus efeitos sobre equipamentos e tripulações.
Rotação busca aliviar desgaste
A chegada do USS George Washington deverá permitir o retorno do Lincoln aos Estados Unidos.
Embora autoridades afirmem que a substituição fazia parte de um planejamento anterior, o momento ganhou importância diante das denúncias recentes.
Assim, a troca poderá reduzir a pressão sobre uma tripulação submetida a meses de operações contínuas.
O episódio também reacende o debate sobre a capacidade dos Estados Unidos de sustentar operações navais prolongadas sem comprometer o bem-estar dos militares.