Segundo análise de Fabio Murakawa, do portal Jota, programa de governo para 2026 deixa mudanças institucionais de lado e prioriza defesa, tecnologia e indústria militar.
Uma análise publicada por Fabio Murakawa, do portal Jota, aponta que o programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva para um eventual quarto mandato sinaliza uma mudança na relação com as Forças Armadas.
Segundo o artigo, com os militares afastados da disputa eleitoral de 2026, Lula evita temas capazes de reabrir conflitos com os quartéis. Em contrapartida, concentra as propostas na modernização e no fortalecimento da capacidade militar brasileira.
Foco no reequipamento
O programa prioriza o fortalecimento da capacidade de defesa. Entre os principais pontos estão:
- Reequipamento das Forças Armadas;
- Aumento da capacidade de dissuasão;
- Autonomia tecnológica;
- Fortalecimento da indústria de defesa;
- Ampliação da defesa cibernética;
- Proteção das fronteiras, da Amazônia e da Amazônia Azul;
- Redução da dependência tecnológica estrangeira.
O documento cita R$ 20,4 bilhões executados desde 2023 em projetos estratégicos do Novo PAC. Além disso, destaca programas como o caça Gripen, o KC-390, fragatas e blindados.
O que ficou fora do programa
A ausência de propostas também chama atenção. De acordo com a análise de Murakawa, o texto não prevê alteração do artigo 142 da Constituição.
A mudança é defendida por setores do PT e envolve o debate sobre o papel constitucional das Forças Armadas.
Além disso, o programa não propõe reformas na formação das academias militares. Também não menciona mudanças em salários, pensões, proteção social ou efetivos.
Relação com os quartéis
A estratégia ocorre após um período de forte desgaste entre o governo Lula e as Forças Armadas.
O 8 de Janeiro e as investigações sobre a tentativa de golpe ampliaram a tensão institucional. Entretanto, a atuação do ministro da Defesa, José Múcio, ajudou a reconstruir os canais de diálogo com os comandantes.
Assim, segundo a análise publicada pelo Jota, o governo deslocou a relação com a caserna do campo político para uma agenda institucional.
Fator Trump
O cenário internacional também influencia essa mudança. As políticas de Donald Trump e o aumento das tensões envolvendo segurança regional reforçaram preocupações brasileiras com soberania e capacidade de defesa.
Nesse contexto, Lula passou a defender maiores investimentos militares. Ao mesmo tempo, mantém o discurso de que o Brasil prioriza a paz e rejeita uma corrida armamentista.
Recursos continuam indefinidos
Apesar da defesa de maiores investimentos, o programa não estabelece uma meta de gastos militares como percentual do PIB.
O texto menciona, porém, a Lei Complementar 221/2025. A legislação permite retirar da meta fiscal e do limite de despesas até R$ 5 bilhões anuais destinados a projetos estratégicos de defesa entre 2026 e 2031.
Portanto, permanece em aberto quanto Lula pretende ampliar os investimentos e como financiar esse aumento diante das restrições fiscais.
Principais conclusões da análise
- Menos política nos quartéis: Lula evita propostas que possam provocar novo confronto institucional.
- Mais capacidade militar: o foco passa para reequipamento, tecnologia e dissuasão.
- Indústria nacional: o programa prioriza autonomia tecnológica e fortalecimento da Base Industrial de Defesa.
- Artigo 142 fora da agenda: não há proposta de alteração constitucional sobre o papel das Forças Armadas.
- Reformas militares não aparecem: salários, pensões, efetivos e formação militar ficam fora do programa.
- Cenário internacional pesa: as tensões geopolíticas reforçam a preocupação com soberania e capacidade de defesa.
- Financiamento permanece indefinido: o programa não informa quanto pretende gastar em defesa em um eventual quarto mandato.
Fonte da análise
A análise que serve de base para esta reportagem foi publicada por Fabio Murakawa, no Jota, em 10 de agosto de 2026.
Fonte: Jota — Fabio Murakawa.
Respostas de 3
Na arte de enganar, lula é professor.
Soldadinhos das Forças Armadas vão ganhar menos de 2 salários mínimos. Salário mínimo 2027 R$1.717,00.
Quero ver quem vai operar tanta tecnologia prometida.
Talvez algum assalariado ou assistido pelo governo, pois daqui a pouco vai faltar efetivo para preencher os claros, ou, o mais provável em futuro não muito distante, uma guarda revolucionária criada por quem está no poder.