STM impõe tornozeleira eletrônica a major do Exército condenado por fraudes no IME

Militar com tornozeleira

Decisão unânime mantém prisão domiciliar por motivos de saúde, mas determina monitoramento após histórico de evasão e falta de cooperação.

O Superior Tribunal Militar decidiu, por unanimidade, impor monitoramento eletrônico a um major do Exército condenado por desvio de recursos públicos, mantendo o cumprimento da pena em prisão domiciliar.

A decisão reformou parcialmente autorização anterior da Justiça Militar da União, que havia permitido ao oficial cumprir a condenação em casa, sem tornozeleira, em razão de graves problemas de saúde.

Recurso levou o caso ao STM

O julgamento ocorreu após recurso apresentado pelo Ministério Público Militar, que questionou a ausência de mecanismos efetivos de fiscalização do cumprimento da pena.

Na primeira instância, a juíza responsável pela execução penal considerou que o quadro psiquiátrico do condenado justificava a flexibilização, diante do risco de agravamento do estado clínico.

Ao reavaliar o caso, o tribunal manteve a prisão domiciliar por razões humanitárias, mas determinou a instalação de tornozeleira eletrônica ou equipamento equivalente.

O relator do processo afirmou que o benefício não elimina a necessidade de controle contínuo da execução da pena.

Conduta do militar pesou na decisão

Segundo o voto, a prisão domiciliar sem fiscalização tecnológica exige disciplina e colaboração do condenado, o que não se confirmou no caso concreto.

O relator destacou comportamento considerado evasivo, com sucessivas tentativas frustradas de intimação realizadas pela Justiça Militar e por setores do próprio Exército.

Entre os episódios relatados, oficiais de Justiça e o diretor do Serviço Geográfico do Exército tentaram localizar o major, sem sucesso. Em uma das diligências, o oficial de Justiça relatou ter ouvido movimentação dentro do apartamento, mas ninguém atendeu à campainha, apesar das tentativas repetidas.

Esquema de fraudes no IME

O condenado é o major Pierre Moura, apontado como um dos articuladores de um esquema de fraudes e desvio milionário de verbas no Instituto Militar de Engenharia. Como coordenador administrativo de convênios, ele atuava na montagem de contratos simulados, com uso de empresas de fachada e intermediários para receber pagamentos antecipados por serviços não executados.

Pena e perda da patente

A condenação soma cinco anos, sete meses e 15 dias de reclusão por peculato em continuidade delitiva, além do reconhecimento da indignidade para o oficialato.

A decisão resultou na perda do posto e da patente, encerrando a carreira militar do oficial.

A defesa tentou suspender os efeitos da condenação por meio de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal, mas o pedido foi negado. O entendimento seguiu a orientação do Superior Tribunal de Justiça, de que o habeas corpus não substitui revisão criminal.

Fiscalização como condição

Para o relator, sem monitoramento eletrônico, a prisão domiciliar poderia se transformar em uma execução sem supervisão efetiva.

Com a decisão, o STM reforça o controle do cumprimento da pena, mesmo diante das limitações de saúde do condenado.

 

Respostas de 7

  1. Não encontrei no RUE qualquer referência à tornozeleira eletrônica, nem regulamentação que defina em qual perna ou braço ela deve ser utilizada, tampouco se existe modelo administrativo ou de combate e com qual uniforme.

  2. É melhor fazer bicos de motorista por aplicativos, garçom de bares e restaurantes, cozinheiros, eletricista e de entregador da shopee, do que ser corrompido e obrigado a usar tornozeleira.
    Vamos tirar o L na próxima eleição.

  3. Não adianta a condição social, bandidos estão escondidos em todos os níveis. Não existe mais vergonha ao se assenhorar do que é público.

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