Comandante da Aeronáutica detalha governança de sistemas, prioridades estratégicas e impacto das novas tecnologias nos conflitos contemporâneos
A Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) realizou, em 12 de maio, sua Reunião Plenária em São José dos Campos (SP). O evento, sediado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), reuniu autoridades militares, representantes do Ministério da Defesa, lideranças empresariais e pesquisadores. Nesse contexto, a agenda priorizou o fortalecimento do diálogo entre a Força Aérea Brasileira, a indústria e a base científica nacional.
Presença do Alto Comando reforça peso institucional
A plenária ganhou relevância institucional com a participação do Comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, acompanhado de integrantes do Alto Comando da Aeronáutica. Além disso, o encontro contou com a presença do secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, do diretor-geral do DCTA, e do reitor do ITA, consolidando o ambiente como espaço estratégico de interlocução entre o setor público e o privado.
Autonomia tecnológica como eixo estratégico
Em sua manifestação central, o Brigadeiro Damasceno afirmou que a integração entre Estado, indústria e academia representa um vetor decisivo para ampliar a autonomia tecnológica do Brasil. Segundo ele, sem essa convergência, o país tende a ampliar dependências externas. Por isso, defendeu uma atuação coordenada, contínua e orientada a resultados, capaz de transformar conhecimento científico em capacidades operacionais concretas.
“Defender, controlar e integrar”
Ao tratar da missão da FAB, Damasceno destacou os verbos “defender, controlar e integrar” como síntese da atuação da Força Aérea. Dessa forma, explicou que a Aeronáutica atua tanto na defesa aeroespacial e no controle do espaço aéreo quanto no apoio direto à integração nacional, inclusive em regiões remotas.
Governança de sistemas e demanda da indústria
Na sequência, o Comandante da Aeronáutica detalhou a governança de sistemas da FAB, composta por 49 sistemas. Desse total, um corresponde à governança institucional, cinco são finalísticos e 43 dão suporte às atividades operacionais. Segundo Damasceno, praticamente toda essa estrutura exige produtos, serviços e soluções fornecidos pela indústria nacional, o que inclui aeronaves, armamentos, radares, sistemas de comunicação, logística, saúde, manutenção e apoio administrativo.
Além disso, o comandante ressaltou que a FAB acompanha, de forma permanente, indicadores como custos, efetivos, atividades e nível de participação nacional em cada sistema. Com isso, a Força busca ampliar a presença de empresas instaladas no Brasil em suas cadeias de fornecimento, fortalecendo a Base Industrial de Defesa e Segurança.
Novos conflitos e tecnologias emergentes
Ao analisar o cenário internacional, Damasceno destacou que os conflitos contemporâneos passam por transformações aceleradas. Segundo ele, drones, mísseis de precisão, sistemas autônomos, capacidades espaciais, cibernéticas e aplicações de inteligência artificial já alteram profundamente a forma de conduzir operações militares. Portanto, a adaptação tecnológica tornou-se um imperativo estratégico.
Nesse contexto, o comandante citou programas e iniciativas em desenvolvimento na FAB, que abrangem projetos de aeronaves de transporte, ataque leve e caça, além de sistemas de monitoramento e soluções voltadas à aviação remotamente pilotada. Por fim, mencionou a ALADA como um instrumento de articulação entre o Estado, a iniciativa privada e o mercado espacial, reforçando que soberania, dissuasão e desenvolvimento tecnológico caminham de forma indissociável.