Justiça Militar condena um sargento e quatro ex-militares da FAB por agressões a recrutas no Rio

Agressão de militares da FAB a recrutas (Imagem ilustrativa, gerada por IA)

 

Sentença aponta uso de “manta” com bambu e coturnos como punição aplicada dentro de unidade militar em 2024

 

A Justiça Militar do Rio de Janeiro condenou cinco militares da Aeronáutica por agressões físicas contra recrutas do Grupamento de Segurança e Defesa do Rio de Janeiro (GSD). As informações são do site Metrópoles, que teve acesso à senteça.

O caso ocorreu em junho de 2024, quando dois cabos e dois soldados aplicaram um “corretivo físico” ilegal conhecido como “manta”, prática que envolve agressões com objetos como bambu e coturnos. A condenação foi proferida na última terça-feira (31/3).

Foram condenados o 2º sargento R. S. L., os ex-cabos P. B. S. P. e A. F. S. F., além dos ex-soldados de 1ª classe C. D. S. C. e M. B. M..

De acordo com os autos, sete recrutas foram flagrados utilizando aparelhos celulares durante o expediente, conduta proibida pelo regulamento. Em vez de adotar os procedimentos disciplinares previstos, os militares ofereceram duas alternativas aos subordinados: o registro oficial da falta na ficha militar ou a submissão à “manta”.

A Justiça considerou que a anotação poderia prejudicar a carreira dos recrutas, o que os levou a aceitar a punição física. Cada um foi levado individualmente a uma sala no alojamento, onde sofreu agressões com coturnos, varas de bambu, cordas, cabides, caixas de papelão e livros.

Discriminação e humilhação
A sentença também reconheceu a prática de homofobia. Um dos recrutas teve o celular vasculhado pelos militares, que encontraram uma mensagem de cunho afetivo enviada por outro homem. Por esse motivo, ele foi deixado por último na fila da “manta”. Ao entrar na sala, foi questionado sobre sua orientação sexual e, após confirmar que era gay, relatou ter sofrido agressões mais violentas, além de profunda humilhação.

Outros quatro recrutas também relataram agressões severas, incluindo tapas no rosto aplicados por C. D. S. C., sob ordens para que “trincassem os dentes”.

Em juízo, os acusados admitiram a prática, mas alegaram que a “manta” seria uma tradição cultural do batalhão, usada tanto para correção disciplinar quanto para comemorações, e negaram intenção de humilhar os subordinados.

A Justiça Militar rejeitou as teses de obediência hierárquica e consentimento das vítimas, destacando que a prática não tem previsão legal e configura abuso de autoridade e violência contra inferior.

O sargento R. S. L. foi condenado a 1 ano e 2 meses de detenção. C. D. S. C. recebeu pena de 1 ano, 10 meses e 11 dias. Os demais réus foram condenados a 8 meses e 11 dias de detenção.

Todos tiveram concedido o direito à suspensão condicional da pena por três anos e poderão recorrer em liberdade.

Respostas de 4

  1. TODOS deveriam pegar condenação de ➕️ de 2 ANOS. Em pleno século XXI, Século da Informação, já passamos de 1/4 do Século XXI e, tem militares antigos aplicando SURRAS em Sd Recrutas. 😡😠😤🤬.

  2. GSD-R J , conhecido como máquina de Guerra na FAB. Tropa de infantaria. Não foi o primeiro caso. Se o metrópole pesquiar direitinho vai descobrir outros absurdos ocorridos por lá. Não foi por falta de aviso e orientação dos comandantes para evitar esses abusos, foi por birra desse Sargento, que deveria ser expulso!!

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