Em meio a um Exército dominado por aliados de Maduro e envolvidos em negociatas suspeitas, a nova presidente busca consolidar controle
Caracas – A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta sexta-feira uma ampla renovação no Alto Comando das Forças Armadas, em mais um movimento de reestruturação do governo iniciado após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro.
Rodríguez nomeou, ainda esta semana, o major-general Gustavo González López como novo ministro da Defesa, substituindo o general Vladimir Padrino López, que ocupava o posto há mais de uma década e era um dos mais fiéis aliados de Maduro no aparato militar.
A presidente interina afirmou que o novo comando militar “assume com absoluta lealdade” e com “o mais alto senso de dever de defender a soberania nacional, preservar a paz e salvaguardar a integridade territorial da Venezuela.” Para Rodríguez, essas mudanças são essenciais para “trabalhar incansavelmente pela concretização de uma Venezuela soberana, justa e solidária.”
Além da troca no Ministério da Defesa, também foram substituídos os comandantes das principais regiões estratégicas de defesa, reorganizando as oito Regiões Estratégicas de Defesa Integral (Redi), agrupamentos que articulam forças e meios militares em diferentes áreas do país.
Essas reformas ocorrem em um contexto em que a alta cúpula das Forças Armadas havia sido construída ao longo dos anos sob o comando de Maduro, com generais e oficiais de topo profundamente integrados ao regime e beneficiados por uma rede de negócios governamentais pouco transparentes, que incluíam contratos estatais, controle de portos e setores estratégicos e operações que, segundo observadores, geraram elevados lucros para membros do alto escalão militar.
A saída de Padrino, em particular, marca uma ruptura simbólica com uma liderança que durante muitos anos não apenas sustentou o poder de Maduro, mas também acumulou poder e influência dentro do Estado, sendo apontado por críticos como peça central de uma estrutura militar alinhada a interesses econômicos e políticas clientelistas.
Com essas nomeações, Rodríguez procura neutralizar qualquer lealdade remanescente ao comando anterior e reforçar o seu próprio controle sobre as Forças Armadas, num momento crucial para a sua sobrevivência política enquanto enfrenta pressões internas e externas e prepara o país para uma possível transição.
Uma resposta
Um natural desmanche paulatino do hipócrita e autoritário “socialismo bolivariano”, criado por um tenente-coronel com ambições ditatoriais.