Esquema usava autorizações e identidades militares — autênticas e falsificadas — para comprar armas legalmente e abastecer o tráfico no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.
Campos (RJ) – Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou um esquema criminoso que utilizava documentos militares — reais e falsificados — do Exército Brasileiro para a aquisição irregular de armas e munições, posteriormente desviadas para o mercado clandestino. A ação faz parte da Operação Senhor das Armas, deflagrada nesta quinta-feira (19).
Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa se passava por integrantes das Forças Armadas e apresentava documentação de liberação militar para obter armamentos de forma aparentemente legal. Em alguns casos, os investigadores apontam o uso de documentos autênticos vinculados a militares; em outros, autorizações e identidades militares teriam sido falsificadas para burlar os controles oficiais.

Até o momento, uma pessoa foi presa e uma grande quantidade de armas de fogo e munições foi apreendida. As investigações indicam que o material bélico era adquirido por meio desse artifício documental e, em seguida, redistribuído para diferentes regiões do Rio de Janeiro e também para o Espírito Santo, caracterizando tráfico interestadual de armas.
A apuração teve início após agentes identificarem que armamentos utilizados por grupos criminosos no Rio tinham origem fora do estado. A partir desse mapeamento, a Polícia Civil localizou endereços usados como depósitos clandestinos de armas e passou a monitorar a atuação da quadrilha.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em bairros e municípios como Engenho da Rainha, Campos dos Goytacazes e Rio das Ostras, além de ações realizadas com apoio das forças de segurança capixabas. Durante as diligências, foram apreendidos fuzis, outras armas de alto poder ofensivo, munições e documentos que podem comprovar o uso indevido de autorizações militares.
Outro ponto levantado pelos investigadores foi a tentativa do grupo de adquirir uma loja de armas em Campos dos Goytacazes. A suspeita é de que a iniciativa tinha como objetivo facilitar ainda mais o acesso ao comércio legal de armamentos, ampliando o esquema de desvio por meio de documentação vinculada ao Exército.
Todo o material recolhido será submetido à perícia. A Polícia Civil informou que as investigações continuam e não descarta novas fases da operação e apura a participação de outros envolvidos, incluindo possíveis facilitadores responsáveis pelo fornecimento ou uso irregular de documentos militares.