INSS: empresário preso pela PF mantém contrato com o Ministério da Defesa

Filial da empresa Total Saúde na Rua Doutor João Moreira, centro de Fortaleza (Imagem: Google Street View)

 

Empresa ligada a Natjo Pinheiro Lima, a Total Saúde Clínica presta serviços ao Exército no Ceará

Reportagem do jornalista Paulo Cappelli, do Metrópoles, revela que o empresário Natjo Pinheiro Lima, preso pela Polícia Federal na nova fase da Operação Sem Desconto, mantém um contrato de R$ 750 mil com o Ministério da Defesa. O acordo foi firmado sem licitação em agosto de 2023 e tem vigência até novembro de 2028.

Segundo a apuração, a Total Saúde Clínica e Laboratório Ltda., empresa comandada por Natjo, foi contratada para prestar serviços de análises clínicas, anatomia patológica e citopatologia a militares do Exército no Hospital Geral de Fortaleza.

Além desse contrato, outras empresas vinculadas ao empresário receberam recursos federais. A Total Empresa Simples de Crédito aparece como favorecida com R$ 59 mil; a Fattor Participações e Construções Ltda., suspeita de ser usada para desvio de recursos do INSS, recebeu R$ 383; e a Max Serviços e Processamento de Dados Cadastrais Ltda. obteve R$ 1,7 mil, conforme registros do Portal da Transparência.

De acordo com os investigadores, Natjo é apontado como um dos líderes do “núcleo cearense” do esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, atuando em conluio com servidores do INSS. O prejuízo estimado apenas no Ceará pode ultrapassar R$ 450 milhões. Quebras de sigilo bancário e fiscal indicam movimentação de R$ 1,11 bilhão entre 2023 e 2025, dados encaminhados à CPMI do INSS.

A nova fase da operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF. Além de Natjo, foram alvos a deputada federal Maria Gorete Pereira e a advogada Cecília Rodrigues Mota. Mendonça decretou a prisão preventiva de Natjo e Cecília e impôs medidas cautelares à parlamentar, como uso de tornozeleira eletrônica, restrições de contato, entrega de passaportes e recolhimento domiciliar noturno.

empresário Natjo de Lima Pinheiro (centro) e a advogada Cecília Rodrigues Mota (dir.)Reprodução
Deputada federal Maria Gorete Pereira – MDB (esq.), empresário Natjo de Lima Pinheiro (centro) e a advogada Cecília Rodrigues Mota (dir.)
Reprodução

Segundo o MPF e a PF, Maria Gorete teria atuado na articulação política do esquema; Cecília controlaria associações em nome de terceiros para dar aparência de legalidade; e Natjo seria o responsável pela gestão financeira do grupo criminoso.

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