Preocupação com a politização nos quartéis é legítima, nas o ministro da Defesa desconhece uma prática comum antes de Bolsonaro
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, defende a separação rigorosa entre a carreira militar e a atividade política como condição indispensável para preservar a disciplina e a hierarquia nas Forças Armadas. Segundo ele, a participação de militares em campanhas eleitorais, seguida do retorno à ativa, abre espaço para o proselitismo político dentro dos quartéis e compromete o funcionamento da instituição.
Múcio critica a dinâmica em que militares se afastam para disputar eleições e, após o pleito, retomam as funções, levando para o ambiente castrense debates partidários e articulações políticas. Para o ministro, essa prática fere princípios basilares da carreira, como a disciplina, a hierarquia e a disponibilidade para cumprir determinações, incluindo transferências.
Proposta articulada pelo Ministério da Defesa em conjunto com os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica foi apresentada ao Parlamento pelo senador Jaques Wagner (PT-BA). A PEC 42/2023 busca impedir que militares que ingressem na política retornem à ativa, justamente para evitar a contaminação partidária da estrutura militar. A proposta, no entanto, ainda não avançou no Congresso Nacional.
Para Múcio, trata-se de “vidas diferentes”: enquanto a defesa nacional é uma função permanente, técnica e suprapartidária do Estado, a política tem caráter eleitoral e temporário. A mistura desses dois campos, segundo ele, fragiliza a neutralidade institucional das Forças Armadas e amplia riscos, especialmente em períodos eleitorais.
A regra não escrita
Como civil, Múcio talvez desconheça a existência de uma antiga “regra não escrita”, vigente até o alinhamento explícito de militares de alto escalão ao então candidato Jair Bolsonaro na campanha de 2018.
Esse artifício foi usado durante décadas, principalmente contra praças do Exército. Na prática, os militares que retornam após disputar eleições são transferidos compulsoriamente – “por necessidade do serviço” – para guarnições fora de seus estados de origem e distantes de suas bases eleitorais.
O objetivo é evitar a politização nos quartéis e os danos que isso trás para a hierarquia e disciplina, lição que foi aprendida à duras penas com os fatos pré-1964.
Como as normas aplicadas nas eleições de 2022 continuarão válidas no pleito de 2026, essa regra tem grande chance de voltar a vigorar nos quartéis. Aguardemos.
Respostas de 16
Se os comandantes, que representam a tropa perante a sociedade e ao governo, se preocupassem mais com a situação financeira e funcional dos seus subordinados, não haveria necessidade dos militares do universo de diversos posto/graduações se candidatarem para tentar manter uma representatividade junto ao governo a fim de atender aos pleitos da tropa.
Na prática, a maioria dos militares eleitos ficam inebriados com o poder e esquecem a razão do por que foram eleitos, onde seus eleitores depositaram sua confiança através do voto para que tivessem uma representatividade da classe na política, para pelo menos mitigar os problemas financeiros dos militares da ativa em geral, veteranos e pensionistas, os quais a maioria ficou esquecida com o advento da Lei 13954/19, Lei essa que os generais prometeram rever, não cumpriram sua promessa/palavra, pois muita gente ficou de fora das benesses proporcionadas à uma pequena fatia do efetivo, tanto da ativa como da reserva e pensionistas.
Infelizmente a politicagem está sempre rondando os quartéis, uma visita aqui outra ali para tratar assunto de “interesse” das FA, mas que na verdade, busca estabelecer uma cabeça de ponte para futuro desembarque. Estabelecida, começa o assédio, a minhoca suculenta no anzol, as promessas e Pronto, a molécula do bem se liga com a molécula do mal acontece a reação química, nefasta, ardilosa, danosa, nociva, destrutiva, uma espécie de pirâmide financeira, em que alguns poucos se darão bem. A maioria, a hierarquia, a disciplina, valores, a fé na instituição vai se esvaindo na corrente caudalosa do esgoto, da mentira, do proselitismos e da ganância desesperada. políticos em quartéis são semelhantes aqueles influenciadores que em vídeos ostentam carros importados, mansões, joias e mulheres bonitas, ninguém se surpreende se daqui uma semana sejam presos por lavagem de dinheiro do crime organizado. O pior é quem cai em tal armadilha é quem deveria dar o exemplo é quem menos precisa, os espertos. Os ingênuos, bobos, incautos entrarão na base da “pirâmide” e não passarão de mão de obra grátis e dispensáveis.
Orando.
Parabéns! Falou tudo.
Múcio pior Ministro da Defesa de todos os tempos.
Enquanto isso os Militares das Forças Armadas estão menos que garis, caixas de supermercados e vigilantes.
Um vendedor numa loja de shopping recebe cerca de R$ 6 mil/mês.
É assustadora a defasagem salarial dos militares.
Como o sistema é verticalmente hierarquizado, a culpa recai sobre os Generais-de-Exército, omissos e coniventes.
Meus amigos, a coisa tá feia. Vou aproveitar o Carnaval pra fazer bicos de motorista de aplicativo pra complementar a renda. Sub EL de Mara.
Todo eleitor é elegível por lei e isso não pode ser mudado. A única possibilidade seria o militar não ter direito ao voto para não ser elegível e se tem que sair das FA é porque deixou de ser militar, ou seja, deixou de ser elegível. Não me parece necessária nenhuma mudança, bastaria apenas o militar candidato entrar Licença para Tratar de Interesse Particular (LTIP) e depois retornar caso não seja eleito. O tempo de licença não conta como tempo de serviço, nem é remunerado.
Olha, devo discordar, pois existem duas capacidades eleitorais: 1) ativa – seria quase plena e 2) passiva – que existem tantos incompatibilidade como impedimentos tanto legais quanto constitucionais. Sendo assim, enquanto que a imensa maioria tem a capacidade eleitoral ativa plena, a passiva somente os que não incidirem em incompatibilidade ou impedimento (analfabetos, reflexas, etc).
Esperamos que continuemos de segunda classe só nos salários, pelo menos isto.
O ministro José Múcio é mais fraco que caldo de batatas, nem um reajuste Digno conseguiu. Tomara que termine logo o ano, para nós livrarmos desta múmia e dos 3 inúteis. Pois a gente somo inúteis, a gente somos inúteis.
Vou votar pra Governador Álvaro Dias, senadores Capitão Styverson Valentin, Coronel Hélio, Deputado Federal Sub oficial Valdir, Deputado Estadual Coronel Azevedo.
Rapaz, o pessoal aqui realmente acha que o milico que se candidata em um primeiro momento pensa em mudar algo, na verdade esse militar como muitos aqui, apenas sonha em ganhar seu proporcional e sair das forças armadas com algum dinheiro sem deixar que os anos perdidos tenham sido em vão.
Agora que vc falou vai
Lembrando pracinhas e pensionistas não voltem em oficiais e também em Hélio negão
Alguém aí manda esse cúcio tomar no seu Múcio. Brasileiros são livres para ir e vir. Está na CF 1988. Cumpram a lei seus jegues democráticos.
Ouvir que política não se faz nos quartéis é manter a Idade Média dentro dos muros. A boa política traz benefícios, corrige erros, ajusta diferenças. Quando temos uma tropa desmotivada, praças esquecidos, meios obsoletos precisamos da política para modificar essas realidades. Se não há pessoas competentes, mobilizadas para esse fim então, uma pena, estamos falidos