Encontro ocorre em meio à tensão no Oriente Médio; Trump diz priorizar a diplomacia, mas mantém opção militar
Irã e Estados Unidos voltam à mesa de negociações nesta sexta-feira (6), em Omã, para discutir um possível acordo sobre o programa nuclear iraniano, em um momento de forte escalada das tensões no Oriente Médio e após trocas públicas de ameaças militares entre os dois países.
O encontro ocorre poucos dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que prefere uma solução diplomática, mas não descartar o uso da força caso as conversas fracassem. Washington reforçou sua presença militar na região, enquanto Teerã respondeu com demonstrações de poder bélico.
Antes de embarcar para Mascate, capital de Omã, o chanceler iraniano Abbas Araqchi afirmou que o país participa das negociações “com olhos abertos e memória firme do ano passado”, em referência a compromissos anteriores que, segundo Teerã, não foram cumpridos. Para ele, um eventual acordo precisa se basear em “igualdade de posição, respeito mútuo e interesses compartilhados”.
Apesar da retomada do diálogo, americanos e iranianos divergem sobre o escopo das negociações. A Casa Branca defende uma agenda ampla, que inclua limitações ao programa de mísseis balísticos do Irã, o fim do apoio a grupos armados na região e mudanças no comportamento do regime. Trump também reiterou o objetivo de alcançar “capacidade nuclear zero” por parte de Teerã.
O governo iraniano, por sua vez, insiste que as conversas devem se restringir ao programa nuclear e afirma que suas atividades têm fins exclusivamente pacíficos. Estados Unidos e Israel acusam o país de buscar capacidade para desenvolver armas nucleares.
Araqchi deve se reunir em Omã com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e com Jared Kushner, genro e assessor do presidente norte-americano. Segundo o governo iraniano, a meta é alcançar um entendimento “justo, mutuamente aceitável e digno”.
As negociações acontecem sob forte pressão militar. Os EUA enviaram soldados, um porta-aviões, navios de guerra, caças, aeronaves de vigilância e aviões-tanque para o Oriente Médio. Trump afirmou que “coisas ruins” podem acontecer se não houver acordo.
Na véspera do encontro, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, lembrou que o presidente, como comandante das Forças Armadas, dispõe de alternativas além da diplomacia. Em resposta, a TV estatal iraniana informou que o país posicionou em uma base subterrânea da Guarda Revolucionária um de seus mísseis balísticos de longo alcance mais avançados, o Khorramshahr 4, com alcance de até 2.000 quilômetros e capacidade para transportar uma ogiva de 1.500 quilos.
Segundo fontes iranianas, os Estados Unidos pressionam para que o alcance desses mísseis seja reduzido para cerca de 500 quilômetros.
A escalada verbal e militar acendeu o alerta internacional. Países da região tentam conter o agravamento da crise, temendo que um confronto direto provoque instabilidade generalizada. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou trabalhar para evitar um novo conflito no Oriente Médio, enquanto países árabes do Golfo demonstram preocupação com a possibilidade de bases americanas em seus territórios se tornarem alvos.
Na Europa, o chanceler alemão Friedrich Merz disse haver “grande preocupação” com o risco de escalada e pediu que o Irã contribua para a estabilidade regional. Já a China declarou apoio ao direito iraniano de usar energia nuclear para fins pacíficos e criticou ameaças de força e sanções unilaterais.
Com agências internacionais