EUA anunciam exercícios militares no Oriente Médio e Irã alerta países da região

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Manobras americanas ocorrem em meio à escalada de tensões com Teerã, que ameaça tratar como “hostil” qualquer país que apoie eventual ataque

As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram a realização de exercícios militares de prontidão aérea no Oriente Médio, em meio ao aumento das tensões com o Irã e ao deslocamento de navios de guerra americanos para o Golfo Pérsico. Em resposta, autoridades iranianas afirmaram que países da região que colaborarem com uma ofensiva contra Teerã passarão a ser considerados inimigos.

Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), responsável pelas operações americanas no Oriente Médio, as manobras devem durar vários dias e têm como objetivo testar a capacidade de desdobrar, dispersar e sustentar o poder aéreo de combate em uma ampla área de operações. O comando informou ainda que os exercícios buscam fortalecer parcerias regionais e validar estruturas integradas de comando e controle, embora não tenha confirmado a participação de outros países.

“Nossos aviadores estão demonstrando que conseguem operar em condições exigentes, com segurança, precisão e ao lado de parceiros”, afirmou Derek France, responsável pelas operações aéreas do Centcom, em comunicado divulgado pelo Pentágono.

De acordo com O Globo, os exercícios ocorrem em um dos momentos mais delicados da região desde a guerra de 12 dias entre Irã e Israel, que terminou com ataques inéditos dos Estados Unidos a instalações nucleares iranianas. O cenário é agravado por uma onda de protestos no Irã, reprimidos com violência, e por declarações recentes do presidente Donald Trump, que voltou a elevar o tom contra o regime iraniano.

Fontes diplomáticas ouvidas pelo jornal afirmam que Trump chegou a considerar um ataque direto ao Irã, mas foi dissuadido por lideranças do Catar, de Omã e da Arábia Saudita, que alertaram para os riscos de instabilidade regional. Apesar disso, o presidente americano mantém a pressão e mencionou recentemente a movimentação de uma “grande força” em direção ao país, em referência ao grupo de ataque liderado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, deslocado do Mar do Sul da China para o Oriente Médio.

Analistas avaliam que a mobilização militar serve tanto como instrumento de dissuasão quanto como forma de pressionar Teerã a aceitar um novo acordo nuclear. Trump defende a suspensão total das atividades atômicas iranianas, proposta rejeitada pelo regime.

Alerta iraniano
Do lado iraniano, o discurso também se endureceu. Em declarações à agência Fars, o vice-chefe político da Guarda Revolucionária, Mohammad Akbarzadeh, afirmou que países vizinhos que permitirem o uso de seu território, espaço aéreo ou águas para ataques contra o Irã serão considerados “hostis”.

Já o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificou as ações americanas como tentativas de desestabilização regional. Em conversa com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, ele defendeu a cooperação entre os países do Oriente Médio para evitar uma escalada do conflito. O líder saudita, por sua vez, disse que não considera aceitável qualquer agressão ou criação de tensão contra o Irã.

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