Bilionário ucraniano troca terno por uniforme militar e comanda mortífera unidade do Exército contra a Rússia

Bilionário Vsevolod Kozhemyako no front da guerra na Ucrânia —  Reprodução X.png

 

Vsevolod Kozhemyako fundou umas das mais bem-sucedidas brigadas da Ucrânia na guerra, que se arrasta há quatro anos

 

Fernando Moreira
Bilionários podem financiar guerras. Mas Vsevolod Kozhemyako fez mais. O ucraniano trocou o terno e a gravata por um uniforme militar e se juntou aos compatriotas no front da guerra contra a Rússia, que se arrasta desde fevereiro de 2022.

“Sim, sou um empresário. E agora sou comandante de uma unidade militar na Ucrânia”, disse o bilionário do ramo de grãos, de acordo com o “Telegraph”.

Kozhemyako fundou há quatro anos um batalhão de infantaria leve, conhecido como 13ª Brigada Khartia. Inicialmente, era um grupo de voluntários civis financiado por sua fortuna e com o apoio de outros doadores ricos. Com o tempo, o número de integrantes foi crescendo, consideravelmente.

Os avanços são notáveis. Nesta semana, a a Khartia hasteou a bandeira ucraniana sobre Kupiansk em uma demonstração de força contra as tropas de Vladimir Putin. Foi um símbolo marcante de que as forças de Kiev estão longe de ceder a Moscou e consolidou a unidade como uma das mais eficazes à disposição da Ucrânia.

“A operação em Kupiansk prova que, por meio de planejamento, comandantes e equipes treinados e preparação de qualidade das unidades – tudo o que chamamos de método Khartia – é possível deter e destruir o inimigo com sucesso”, disse o coronel ucraniano Ihor Obolensky.

O sucesso da Khartia – apelidada de “brigada do bilionário” – resolveu semanas de disputas entre a Rússia e a Ucrânia pelo controle da cidade estratégica. O resultado, espera Kiev, pode ajudar os EUA a compreender a força da Ucrânia numa guerra de inimigos com condições desiguais. A operação bem-sucedida ocorreu num momento em que demonstrar força é crucial para o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

A unidade de Kozhemyako lidera contra-ataques de precisão em uma das frentes mais mortíferas da guerra. Khartia foi mobilizado juntamente com unidades regulares e menos experientes na área, que se uniram para formar um modelo de defesa e ataque em camadas.

As forças ucranianas usaram essa abordagem para absorver os ataques russos, preservando as tropas de elite para ataques decisivos. As unidades infiltraram-se silenciosamente durante o outono (primavera no Hemisfério Sul), avançando pelas florestas ao redor de Kupiansk antes de penetrarem na própria cidade. As unidades se concentraram em pontos-chave de Kupiansk, incluindo cruzamentos ferroviários, acessos a rios e gargalos urbanos, transformando ruas e zonas industriais em zonas de extermínio para as forças russas em avanço. As operações da brigada se basearam em reconhecimento cuidadoso, mobilidade e coordenação com equipes de artilharia e drones.

Kupiansk parecia à beira da invasão há poucas semanas, mas, em uma reviravolta dramática, as tropas ucranianas afirmaram ter praticamente expulsado todas as forças russas. A bandeira azul e amarela foi hasteada na prefeitura em ruínas na última segunda-feira (12/1).

Os números reforçam o sucesso da operação, segundo Kiev: 27 soldados russos perdidos para cada ucraniano. O número de baixas desproporcional inflou o moral das tropas da Ucrânia.

Quem é Kozhemyako?
Antes da guerra, as redes sociais do bilionário por trás da Khartia mostravam uma vida rica em viagens e atividades ao ar livre, desde esqui nos Alpes até iatismo. O pai de quatro filhos, de 55 anos, conciliava suas férias luxuosas com corrida, ciclismo e golfe.

Em 2017, ele e sua esposa correram a Maratona de Nova York em menos de três horas e meia.

Kozhemyako é o fundador e diretor executivo do Grupo Agrotrade, um dos maiores produtores e exportadores de grãos da Ucrânia. Hoje, no entanto, sua atenção está totalmente voltada para a guerra.

O bilionário opera de forma independente do Exército ucraniano, mas acata as suas ordens. Sites de monitoramento militar estimam que o efetivo da Khartia provavelmente varie entre 1.500 e 5.000 combatentes.

Sites de monitoramento militar estimam que o efetivo da Khartia, fundada em março de 2022, provavelmente varie entre 1.500 e 5.000 pessoas. Tecnicamente, o batalhão é uma unidade de defesa territorial, uma necessidade em tempos de guerra que deixará de existir quando a guerra terminar.

“Assim que a guerra acabar, voltaremos a ser civis”, disse Kozhemyako.
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Respostas de 3

  1. Nenhum miliciano digital de bolsonaro, vai se voluntariar nessa unidade? quem vai lá caçar alguns comunistas russos de verdade, a hora é essa .

    1. Creio que os voluntários começarão a aparecer depois que os apoiadores brasileiros do maduro tiverem sucesso em resgatá-lo da prisão em Nova York!

  2. Líderes de verdade abdicam de tudo. Até mesmo de sua fortuna por uma causa nobre. No Brasil é o contrário nossos “líderes de ar condicionado” abdicam de tudo por poder, dinheiro e mordomias. Pergunte a Heleno, Braga Netto ou Paulo Sérgio se querem renunciar aos suas mordomias e comandarem uma unidade militar no teatro de operações. Do ar condicionado é fácil.

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