A ascensão silenciosa da Força Aérea na reconfiguração do poder militar chinês

(250903) -- BEIJING, Sept. 3, 2025 (Xinhua) -- A grand gathering to commemorate the 80th anniversary of the victory in the Chinese People's War of Resistance against Japanese Aggression and the World Anti-Fascist War is held in Beijing, capital of China, Sept. 3, 2025. (Xinhua/Yao Dawei)

 

Prisões de altos comandantes militares chineses impulsionam ascensão da Força Aérea no regime de Pequim

Pequim – A Força Aérea da China vem ampliando sua influência dentro do Exército de Libertação Popular (ELP) em meio à campanha anticorrupção promovida pelo governo de Xi Jinping, que atingiu principalmente altos oficiais de outros ramos das Forças Armadas.

Na segunda-feira, o ELP realizou uma cerimônia para promover Yang Zhibin e Han Shengyan ao posto de general da Força Aérea. As nomeações foram formalizadas pelo próprio presidente Xi Jinping, que também preside a Comissão Militar Central.

Segundo a agência estatal Xinhua, Yang assumiu o comando do Teatro Oriental, responsável por Taiwan e pelo Mar da China Oriental, enquanto Han passou a liderar o Teatro Central, encarregado da defesa da capital. O antecessor de Yang, Lin Xiangyang, foi expulso do Partido Comunista Chinês em outubro, após subir na hierarquia militar, sob acusações de corrupção.

A crescente presença de oficiais da Força Aérea em eventos políticos e militares reforça a percepção de que o ramo vem ganhando protagonismo. Na Conferência Central de Trabalho Econômico deste mês, quatro altos oficiais militares não compareceram. Três dos cargos interinos foram ocupados por oficiais da Força Aérea, incluindo funções estratégicas nos departamentos de Trabalho Político, Apoio Logístico e Treinamento e Administração da Comissão Militar Central.

Situação semelhante foi observada na quarta sessão plenária do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, realizada em outubro. Entre os quatro ramos das Forças Armadas e a Polícia Armada Popular, apenas a Força Aérea contou com a presença de seu comandante e de seu comissário político. Representantes da Marinha, da Força de Foguetes e da Polícia estiveram ausentes. O Exército foi representado apenas pelo comissário político Chen Hui, transferido do próprio ramo aéreo no ano anterior.

Dos cinco comandos de teatro de operações da China, três de seus principais comandantes participaram da plenária, sendo dois deles oriundos da Força Aérea.

Em outubro, o Ministério da Defesa informou que nove oficiais do ELP foram expulsos do Partido Comunista, incluindo Lin Xiangyang, além de He Weidong e Miao Hua, ex-integrantes da Comissão Militar Central. Nenhum dos oficiais punidos pertencia à Força Aérea.

A campanha anticorrupção concentrou-se principalmente no Exército, na Marinha e na Força de Foguetes — esta última detentora de um dos maiores orçamentos militares. Analistas apontam que a menor exposição da Força Aérea aos expurgos abriu espaço para a ocupação de cargos estratégicos por seus oficiais.

O jornal Lianhe Zaobao, de Cingapura, noticiou em 14 de dezembro que Wen Dong foi nomeado comandante da Região Militar de Xinjiang, responsável pela segurança da fronteira com a Índia e pelo combate ao terrorismo. Já Zhu Jun assumiu, em setembro de 2024, o cargo de comissário político do Distrito da Guarnição de Pequim. Ambos são oriundos da Força Aérea.

Considerações estratégicas reforçam o papel da Força Aérea

Além do contexto político, fatores militares também explicam a ascensão do ramo aéreo. “Se a China lançasse uma invasão armada a Taiwan, o poder aéreo seria absolutamente decisivo”, afirmou Masafumi Iida, diretor do Departamento de Estudos de Segurança do Instituto Nacional de Estudos de Defesa do Japão.

Uma eventual operação anfíbia exigiria o emprego intenso de caças e bombardeiros para neutralizar forças navais e aéreas de Taiwan, além de aeronaves de transporte para o deslocamento de tropas.

Os veículos aéreos não tripulados (Vants) também ganharam destaque na doutrina militar chinesa. Neste mês, o ELP realizou o primeiro voo do drone Jiutian, capaz de lançar até 100 drones menores em pleno ar, além do CH-7, um drone furtivo voltado para missões de reconhecimento em grandes altitudes.

Apesar de menos afetada, a Força Aérea não ficou totalmente imune aos expurgos. Em dezembro de 2023, o Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional destituiu Ding Laihang, ex-comandante da Força Aérea, por graves violações disciplinares e legais.

Mais recentemente, em 15 de dezembro, o ELP anunciou que está recebendo, até o fim de junho, denúncias sobre irregularidades em compras da Força Aérea, incluindo suspeitas de conluio e suborno em contratos de fornecimento e serviços.

“As armas da Força Aérea são extremamente caras, o que cria muitas oportunidades para a corrupção”, avaliou Iida. “Embora a campanha anticorrupção ainda não tenha atingido profundamente o ramo aéreo, não se pode descartar novos expurgos de altos oficiais no futuro.”

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