Aeronave brasileira poderá ser submetida a uma avaliação operacional já no início de 2026
Fernando Valduga
A Força Aérea da Polônia está analisando novas soluções aéreas para reforçar sua defesa contra drones kamikaze e outros alvos lentos que voam a baixa altitude, e entre as opções em estudo aparece o A-29 Super Tucano, aeronave turboélice de ataque leve desenvolvida pela Embraer.
A iniciativa reflete a crescente preocupação dos países da OTAN com a proliferação de UAVs de baixo custo, amplamente utilizados em conflitos recentes, e a necessidade de respostas mais eficazes e economicamente sustentáveis para esse tipo de ameaça.
Segundo autoridades polonesas ouvidas pelo site Defense24.pl, o Super Tucano poderia ser submetido a uma avaliação operacional já no início de 2026, como parte de um esforço mais amplo para ampliar o número de plataformas capazes de interceptar drones do tipo one-way attack, como os modelos Shahed e Geran empregados em grande escala na guerra da Ucrânia.
A experiência do conflito mostrou que o uso de mísseis antiaéreos caros contra drones baratos cria um desequilíbrio financeiro e operacional, levando vários países a buscar meios alternativos de defesa na chamada “camada baixa” do espaço aéreo.

O A-29 Super Tucano vem sendo promovido pela Embraer como uma solução versátil para esse cenário. A aeronave pode operar por longos períodos, tem custos de aquisição e operação significativamente menores do que caças a jato e pode ser equipada com sensores eletro-ópticos e infravermelhos, sistemas de link de dados, canhões e foguetes guiados a laser. Esse conjunto permite detectar, acompanhar e neutralizar alvos pequenos e lentos em baixas altitudes, inclusive durante operações noturnas, integrando-se a redes de comando e controle já existentes.
Outro ponto destacado é a capacidade do Super Tucano de operar a partir de pistas curtas e com infraestrutura limitada, característica considerada relevante em um cenário de defesa territorial distribuída.
A discussão na Polônia, no entanto, não se limita à possível aquisição de uma nova aeronave. A Força Aérea do país também estuda adaptar meios já existentes para missões antidrone, incluindo helicópteros e o avião leve M-28 Bryza, bastante utilizado pelas forças armadas polonesas em diferentes funções. A ideia é ampliar rapidamente o número de plataformas disponíveis para patrulha aérea e resposta imediata, criando uma solução em camadas que combine sensores terrestres, sistemas de mísseis e aeronaves tripuladas.
Nesse contexto, os futuros helicópteros de ataque AH-64E Apache, encomendados pela Polônia em grande quantidade, também entram no debate. Embora sejam projetados principalmente para missões contra alvos terrestres, seus sensores avançados, radares e variedade de armamentos abrem a possibilidade de emprego contra ameaças aéreas de baixa velocidade em determinados cenários. Com a chegada gradual dos Apaches a partir da segunda metade da década, eles poderão integrar um sistema mais amplo de defesa aérea de curto alcance, complementando tanto soluções terrestres quanto plataformas como o Super Tucano.
A possível avaliação do A-29 em 2026 é vista como um passo pragmático para entender, em condições reais, até que ponto uma aeronave turboélice de ataque leve pode desempenhar o papel de “caçador de drones” no ambiente operacional europeu.
Além do desempenho contra alvos aéreos lentos, os testes permitiriam analisar integração com radares, centros de comando e controle, regras de engajamento e custos operacionais, fatores considerados críticos diante do aumento constante desse tipo de ameaça.
O interesse polonês no Super Tucano reforça uma tendência internacional: a busca por soluções mais flexíveis, escalonáveis e financeiramente viáveis para enfrentar enxames de drones e ataques assimétricos pelo ar.
Para a Embraer, trata-se de mais uma oportunidade de posicionar a aeronave brasileira em um novo nicho estratégico; para a Polônia, é parte de um esforço mais amplo para fortalecer sua defesa aérea e aumentar a resiliência diante de um cenário de segurança cada vez mais complexo no flanco leste da OTAN.
cavok – Edição: Montedo.com