Entre oficiais de média patente e praças, as opiniões se dividem de maneira semelhante ao debate observado na sociedade
Vinícius Sales
A prisão dos generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, em 25 de novembro, causou um sentimento misto entre os militares do Exército. Por um lado, parte da caserna entende que o tratamento dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos generais é injusto. Por outro, parte do generalato busca se desvencilhar dos oficiais, alegando que suas ações não representam a instituição.
Os dois foram presos e levados para o Comando Militar do Planalto (CMP), em Brasília. Heleno é ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e Nogueira é ex-ministro da Defesa. A prisão foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes após o fim dos recursos do processo em que foram condenados por tentativa de golpe.
Entre os militares, a situação de Heleno é citada como o maior exemplo da injustiça do caso. O general quatro estrelas, que tem 78 anos, informou em depoimento logo após a prisão, na semana passada, ter Alzheimer. Com isso, a defesa pediu que o militar cumpra a pena em prisão domiciliar, já que está com idade avançada e apresenta comorbidades.
Como houve divergências entre o depoimento de Heleno e a documentação médica enviada pela defesa do militar, que alegava que a doença havia sido descoberta em 2024, Moraes ordenou que a Polícia Federal realizasse nova perícia no general.
Ex-colega de Heleno e Paulo Sérgio no governo Bolsonaro, o ex-ministro da Saúde e deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ), que também é general da reserva do Exército, lamenta a situação:
“Os oficiais-generais, principalmente os que estavam em linha de comando, nada fizeram. Não cometeram crimes”.
Para Pazuello, a única solução possível é política. “Nós precisamos anistiá-los. A saída para essa situação é aprovar a anistia ampla, geral e restrita, da mesma forma como os militares anistiaram a esquerda em 1979”, afirmou.
A Gazeta do Povo ouviu dois generais da reserva e um interlocutor próximo das Forças Armadas para compreender como a prisão dos generais repercutiu entre militares. Os relatos revelam um ambiente marcado por indignação, sensação de injustiça e percepções distintas sobre o impacto das condenações.
Parte dos reservistas afirma que o Alto Comando tenta desvincular a instituição das atitudes dos generais presos, enquanto outra parcela vê o processo conduzido pelo Supremo como um “justiçamento”, com falhas no devido processo legal e ausência de provas que sustentem a narrativa de golpe. Em comum, os depoimentos apontam que a reserva se tornou o espaço onde o descontentamento é manifestado com mais clareza, já que, na ativa, o silêncio é imposto pela disciplina e pela hierarquia.
Comandantes buscam desvincular o Exército dos generais presos
Um interlocutor próximo das Forças Armadas relata que o Alto Comando tem repetido a mesma linha: apresentar o caso de Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira como um problema restrito a gerações passadas, de oficiais já aposentados, sem relação com a atual composição das Forças Armadas.
Segundo essa avaliação, os atuais comandantes têm insistido que os dois não representariam mais o Exército, pois atuavam em funções políticas após deixarem a ativa e utilizavam apenas a experiência acumulada da carreira militar.
Ao mesmo tempo, há uma preocupação em preservar a imagem do generalato. Mesmo defendendo que os oficiais presos não falam em nome da instituição, há entre os generais a percepção de que é necessário resguardar o simbolismo do posto para manter a hierarquia militar. Por isso, a ordem interna tem sido evitar qualquer manifestação pública que acentue a humilhação de oficiais.
Esse mesmo general da reserva afirma ainda que, fora do alto escalão, o clima é heterogêneo. Entre oficiais de média patente e praças, as opiniões se dividem de maneira semelhante ao debate observado na sociedade brasileira.
Há quem considere que os generais presos “fizeram por merecer”, em razão dos atos revelados no processo, enquanto outros avaliam que não houve envolvimento político irregular ou mobilização indevida. Entre os militares, diz esse general, a discussão se torna quase técnica do ponto de vista jurídico, sem consenso sobre em que medida as condutas reveladas no caso configuram, de fato, crimes.
Na reserva, cresce a sensação de injustiça contra militares
Outro general da reserva descreve um clima de desamparo entre militares fora da ativa, diante da situação de Heleno e Paulo Sérgio. Segundo ele, predomina a sensação de “orfandade”, como se parte da corporação estivesse sem representação e impedida de reagir ao que consideram uma injustiça contra os antigos chefes.
Entre reservistas, afirma, há a percepção de que, mesmo que se admitam erros individuais, o processo deveria seguir estritamente o devido rito legal — algo que, na visão dele, não ocorreu. Ele cita como exemplo a forma como foi conduzida a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, interpretada por muitos como resultado de forte pressão por parte de Alexandre de Moraes.
Esse sentimento, diz o general, foi verbalizado também por entidades tradicionais da reserva. Em nota divulgada após as prisões, clubes militares afirmaram que a condução dos casos não refletiria um ambiente de normalidade jurídica e expressaram preocupação com o impacto das decisões sobre a imagem das Forças Armadas.
Para o general, essas manifestações funcionam como uma espécie de porta de saída para um descontentamento que os militares da ativa, por dever de hierarquia e disciplina, não podem expressar publicamente.
Ele também chama atenção para as declarações do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, que afirmou que as prisões representam o encerramento de um “ciclo doloroso” e que o país precisa virar a página — uma fala que repercutiu de forma ambígua entre militares.
Segundo o general da reserva, Múcio exerce um cargo político dentro do ministério e, por isso, suas declarações refletem a posição do governo, não a voz das Forças Armadas. Para ele, a distinção é fundamental para entender por que a reserva demonstra mais indignação enquanto o comando da ativa mantém silêncio institucional.
Oficial da reserva diz que STF promoveu “vingança”, não justiça
Um terceiro general da reserva consultado pela reportagem descreve as condenações como um “justiçamento”, expressão usada para reforçar a percepção de que o STF teria promovido um ato de revanche, e não de justiça. Para ele, o processo assumiu contornos de “vingança”, inclusive com ares de acerto de contas tardio com o regime de 1964.
Na leitura desse general, faltaram provas concretas e sobrou arbitrariedade, em desacordo com princípios básicos do Direito — como o de que ninguém pode ser punido por cogitar um ato e o de que não há crime ou pena sem previsão legal explícita.
Entre os reservistas, o entendimento é de não há comprovação que vincule os generais condenados aos episódios de 8 de janeiro de 2023, nem elementos que caracterizem o que seria uma tentativa real de golpe. Argumentam que um golpe pressupõe tropa, comando, estrutura e liderança — ingredientes que, segundo eles, não estavam presentes.
Citam ainda que potenciais lideranças políticas ou militares estavam fora do país ou em atividades privadas naquela data, o que tornaria inviável a ideia de coordenação para uma ruptura institucional.
O general resume o cenário como “absurdo”, refletindo uma indignação crescente entre oficiais da reserva. Para esse segmento, as decisões judiciais não apenas carecem de fundamento, mas também ferem a compreensão de justiça que orientou suas carreiras, alimentando a sensação de que o processo se afastou dos limites do devido procedimento legal.
GAZETA DO POVO – Edição: Montedo.com
Respostas de 24
“Golpí” sem FFAA, sem tropas, sem carros de combate e sem armas. 😡😠🤬😤
Se vc está fazendo um elogio aos Comandantes do Exército e da Aeronáutica, parabéns pelo discernimento, se não está, se faz de desentendido.
Ontem o congresso Nacional protagonizou, na calada da noite, como os bandidos, uma página vergonhosa de sua vergonhosa história. Votar, com um acordo, no ardil, a diminuição de pena para determinados elementos, certos e identificados. O Brasil clama pela diminuição da criminalidade mas, clama baixinho demais para ser ouvido. Quem será beneficiado da próxima vez? Uma espécie de princípio da legalidade as avessas.
Cenas lamentáveis que correram o mundo também se viu, o cerceamento da imprensa e, como bandidos, desligaram e tiraram do ar a TV Câmara. Concomitantemente com isso, apareceu homens fortes e corajosos, impetuosos e fiéis no cumprimento de ordens. Ora, em episódio passado, não tiveram a mesma coragem, não foram tão fortes, tiveram medo e até uma viatura jogaram no espelho d’águ. Contra as velhinhas e os batons lhes faltou coragem.
Pergunta o Imperador: ” o Exército está do lado dele?” Sim excelência.
Está feita a República! com uma caneta pena, sem tropas, sem carros de combate e sem armas, com o cavalo manso e um velho doente.
Texto lixo
Melhore seu argumento. Rebata cada ponto do texto com fatos comprovados.
Do contrário, é só militância e recalque.
Sem anistia! Fico impressionado que tem praça defendendo general. Só tem um Sub que vai ter a “honra” de ser condenado no STF junto com Oficiais. Na nota do Clube Militar ele nem é lembrado. Vai ser lambe-botas lá na Papuda.
Injustiças é o brasileiro ter um congresso vil, venal, vergonhoso.
Por coincidência todos de “DIREITA”.
Pra pensar precisa ser de direita? Por que os outros processos correm normal em todas as instâncias e esse já começou na última sem direito a recorrer a ninguém? Tem que ser muito otário mesmo.
Se estudar a Constituição, vai perceber que determinadas autoridades têm foro de julgamento iniciado já no Supremo.
Há vantagens e desvantagens em ser ter uma ou mais instâncias.
É loteria!
No mais, lugar de GOLPISTAS É NA CADEIA!
Coitadinhos, não podem nem armar um golpe de Estado. Antigamente não que era bom, não tinha esse negócio de cadeia para criminoso!
Novamente as fontes em off sentindo um mal estar com decisões da justiça. Do jeito que isso tem se repetido de janeiro de 2023 pra cá, talvez devessem procurar um médico antes que isso vire uma úlcera.
Coitadinhos!!!!! Tem que ficarem presos, nunca pensaram nos mais modernos. Aguentem, não foi assim que aprenderam.
Quem está sendo condenado nessa celeuma toda são as forças armadas e os cidadãos de bem desse país. Golpe é meus zovo.
Cara isto sempre foi assim. Tenho um amigo. Ele era trabalhador, cuidava a Granja. Fazia costelão para Oficiais. Finais de semana encilhava cavalos para os filhos de militares passearem a cavalo. No açude colocou carpas para pesca artesanal. Camarada prestativo. Ele teve a infelicidade de um dia beber e atropelou uma pessoa no trânsito. Foi preso e saiu na midia. Cara o primeiro a boquear ele no zap zap foi o Comandante e todos se afastaram. Quer ver os verdadeiros amigos, fica desempregado, doente ou enfrenta alguma dificuldade. Este “papinho” irmão de arma, lealdade é tudo fria. Ame e cuide sua família. Festinha e reunião de quartel é só para “Fofoca” e comparação de roupas. Não fale seus problemas, dobre seus joelhos e fale para Deus. Imagina estes militares alto nível “Top de carreiras” imagina o pracinha. Uma vez um sargento colocou o nome dos filhos Gêmeos em homenagem ao Comandante e esposa. Mesmo nome do Coronel e da esposa. Anos depois ele saiu QAO e procurou o ex-Comandante (homenageado) e ele respondeu no e-mail: “siga a cadeia de Comando”. O outro convidou o Comandante para padrinho do filho e recebeu um não. Cara ame sua família e Deus. No Exército não tem amigos, são colegas. Tem Oficial de AMAN que fala que QAO não é Oficial e QE não é Sargento.
Perfeito!
Isso acontece em qualquer lugar do mundo, mas os militares, mesmo no século XXI, ainda caem nessa ladainha de “irmãos de armas”.
a lei é dura, mas é a lei. Em relação as penas impostas pelo Xandão. O problema e que o Xandão pegou a mesma Régua que os oficiais usam para punir os Praças e usou nos generais. E lugar de golpista e na cadeia.
INJUSTIÇA foi o que os generais fizeram com o Graduados Veteranos e Pensionistas. Eles fizeram um Reestruturação fajuta, com a aquiescência do falso Messias, encheram os bolsos do vil metal e jogaram no fundo do poço o salário dos prejudicados. Mas, diz o ditado: “aqui se faz, aqui se paga”.
Por que “injustiça” somente em relação a esses dois?
E os demais?
Ah, lembrei, deve ser o velho e “bom” corporativismo da oligarquia verde-oliva.
O lado mais positivo desse julgamento foi escancarar a hipocrisia desses senhores. Antes, ficava restrita à caserna, mas agora todo cidadão sabe como são esses “guerreiros” atrás das máscaras de patriotas e legalistas.
Vejo como ato vergonhoso tudo o que foi feito Com os condenados nos atos democráticos de “08 de janeiro”. Ao meu ver foi uma vingança ao lula que ficou atrás das grades merecidamente por quase 2 anos. Isto só veio a manchar as instituições “forças armadas e congresso” as quais já não eram bem vistas pelo povo brasileiro, decretando assim o fracasso dessas instituições. Resumindo: Congresso e forças armadas são coisas do passado, e atualmente o objetivo de seus membros é só ganhar dinheiro, ter uma boa renda mensal, órgãos sem moral. ME DESCULPEM, MAS, É A FORMA QUE ENXERGO O BRASIL DE HOJE.
Concordo contigo!
O que aconteceu no 8/1 foi arquitetado pelo Zé dirceu e o dino-ssauro. Tanto é que ele sumiu com as imagens.
Para a ESQUERDA tudo, para a DIREITA os rigores da lei. Vídeo o dirceu, sergio cabral e os demais que roubaram bilhões e estão livres, levar e soltos. Enquanto generais e inocentes estão puxando cadeia pq foram julgados numa instância que não era previsto.
Sem falar que o ninE já estava com um decreto prontinho pra ser assinado.
Só 1D10TAS acreditam nessa farsa do golpe.
Um dia saberemos a verdade!
A mesma verdade que soubemos do conluio do Marreco de Maringá com o MPF.
abdulah allah salamaleicun, deixa de ser recalcado, invejoso, com raivinha de oficial, deve ser um frustradinho e revoltadinho -q devia tomar mijada todos os dias pela incompetencia
“…Exército busca distanciamento…” Quando é que tiveram? hãnn sei, dos praças.