Militares cobram “volta à normalidade” do STF e se afastam de Bolsonaro

BOLSONARO BEBÊ

 

Alto escalão do Exército e integrantes do STF tiveram conversas

William Waack
Estadão
Há uma lição que setores relevantes das Forças Armadas acham que o STF poderia aprender com elas. É a volta à normalidade. Entende-se por normalidade o afastamento dos militares da política, começando pela campanha eleitoral do ano que vem. A concentração em sua missão específica, que é defesa e segurança do País. E a desvinculação com grupos ideológicos de qualquer tipo.

Na ativa, a prisão dos generais foi debatida e digerida muito antes do início das penas. É entendida como fato inevitável, embora os argumentos que levaram à condenação desses altos oficiais tenham sido “de natureza política”, comenta-se nos círculos de comando do Exército.

DESAGREGAÇÃO
Nos escalões superiores, Bolsonaro é visto como um agente de desagregação e destruição da imagem da força. Hoje, a influência do nome entre os oficiais de maior graduação é tida como mínima. E, internamente, o preço principal pela violação das cadeias de comando e hierarquia militares está sendo pago por integrantes de tropas especiais, alguns deles preteridos em promoções.

É bastante diferente a situação na reserva, capaz de fazer bastante barulho mas que não está sendo levada em consideração pelos comandantes atuais. Nem as vozes do que oficiais da ativa em comando chamam de “extrema direita”, ligadas ao bolsonarismo.

Há uma notável mágoa em relação ao STF, sobretudo pela comparação entre o golpe de 1964 e o julgamento de Bolsonaro, presente em alguns votos. Considera-se que a comparação é descabida, e que sucessores de militares que participaram então do movimento (fortemente encaminhado pela sociedade civil, diga-se de passagem) não podem ser escalados hoje como alvos de punições por episódios de 60 anos atrás.

RECADOS
O alto escalão do Exército e integrantes do STF tiveram conversas constantes antes e durante o julgamento. Houve recados específicos, que continuam sendo transmitidos sobretudo em relação ao estado de saúde do General Augusto Heleno – e do próprio Bolsonaro. No geral, o arranjo das prisões para cumprimento de pena vem sendo adjetivado como “satisfatório”.

Os comandantes da ativa chamam a atenção para o fato de que as enormes turbulências na relação entre Brasil e Estados Unidos em nada parecem ter afetado até aqui as importantes ligações entre as respectivas Forças Armadas. Ao contrário, os americanos entregaram há poucos dias o primeiro de uma compra de 11 helicópteros Blackhawk, e confia-se que os demais irão chegando ao longo dos próximos dois anos.

Ouve-se em conversas particulares com oficiais graduados manifestações de alívio pelo fato da instituição não ser um fator político nas próximas eleições. Mas também uma queixa perene em relação ao Judiciário. Quando é que eles voltam ao normal, pergunta-se.
TRIBUNA DA INTERNET – Edição: Montedo.com

Respostas de 21

  1. “Afastamento dos Militares da política”, Çei. Então as Assessorias Parlamentares que as Forças mantêm há décadas dentro do Congresso serão extintas, né?

    O próprio texto se contradiz ao dizer que continuam esses conversas parelas entre as cúpulas militar e jurídica do país. É política mais baixa possível.

    1. Com os atuais Of Gen (🍉🍉🪴🪴🍌🍌🐴🐴🦑🦑) do Alto Comando das FFAA (ou Estado-Maior Conjunto das FFAA ou qq nome _pomposo_ q queiram dá), nada mudará para eles, pois as BOQUINHAS (cargos em qq Instituições do governo, seja no Executivo, Judiciário ou Legislativo) continuarão. Infelizmente, para a tropa será SEMPRE TFM centralizado; inspeções de Vtr; treinamento de canções militares; marchas; formaturas rolhas (verificação dos padrões de ordem unida); aprontos operacionais; respones; faxina [pintura de meio fio, corte de mato, cricri (odeio isso), limpeza das calçadas, limpeza das alamedas, limpeza dos banheiros]; alinhamento dos beliches e armários dos aloj dos Of/ST/Sgt/Cb/Sd; pintura do quartel para passagens de Cmdo e/ou “inspeções” de Gen, Fora os “vales”: vale uma mochila, vale um fuzil, vale um cantil etc, distribuídos em aprontos operacionais e, como se não bastasse, embarcar a tropa em viaturas desenhadas em quadrados no chão com gesso!!!!

      1. Na verdade, sempre foi assim.

        Até acho que a maioria gosta.

        Imagine ter que ir para território hostil guerrear com o inimigo…

        Forças Especiais e Comandos não aguentam a PF na porta…

        Quem dirá uma guerra contra a “Argentanha” (país fictício nos meus tempos de SIESP).

  2. Os Comandantes das Forças deveriam se preocupar com aprestamento operacional, exercícios, bem estar da tropa, remuneração, alimentação, fardamento, etc.

    Os Generais golpistas agiram, antes de tudo, como políticos.

    E de Generais golpistas o Xandão já cuidou!

  3. Isso devia ter ocorrido em 2018, quando o exército brasileiro, melhor Exército do Brasil, ingressou em uma aventura sem volta, na nefasta política brasileira, se unindo a um péssimo militar, péssimo ser humano e inoperante político, tudo isso relatado anteriormente pelo então ministro do exército, Leônidas Pires Gonçalves. Bolsotrevas, o falso Meçias, coptou os generais mais gananciosos por poder, dinheiro e mordomias e tentou de inúmeras formas iniciar seu projeto de perpetuação no poder por meio do populismo e tbm pelo apoio da alta cúpula das FFAA. Quem realmente saiu muito prejudicado no final de toda essa bandalheira institucional foi o exército brasileiro, que perdeu em 4 anos, o que demorou décadas para ser conquistado, depois da redemocratização, a confiança da sociedade brasileira.

    1. Isso eu discordo! A lona cobria o circo há muitos anos e ninguém sabia o que os Oficiais Pomposos faziam, imaginavam, porém com aqueles embuste todo, achavam que as Forças Armadas eram uma instituição de Valor, prestígio, homens de honra. Bolsonaro conseguiu levantar a lona do Circo e expor todos. Nós praças já somos lascados mesmos. Agora todos sabem quem são os Oficiais. Pelo menos isso, de bom, o ganancioso do Bolsonaro fez.

  4. Pode continuar amigo, estamos em uma democracia e ninguém vai tolhe-lo desse direito mas, se o inepto egregio dispendioso perdulário pródigo Superior Tribunal Militar fizer seu raro, esporádico, ocioso, indolente trabalho, seu senhor, algoz, capataz, mito, não será mais Capitão do Exército de Caxias, e sim, capitão do mato, defendei-vos.

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