Forças Armadas da Venezuela ordenam mobilização ‘maciça’ ante ameaças ‘imperiais’ e chegada de porta-aviões dos EUA

USS GERALD FORD

 

Apesar dos pedidos de paz, Maduro afirma que país está preparado para se defender em caso de ataque dos Estados Unidos

AFP — Caracas
As Forças Armadas da Venezuela ativaram, nesta terça-feira, uma mobilização “maciça” em todos os estados do país para responder às “ameaças imperiais” dos Estados Unidos, que mantêm sua operação militar antidrogas na América Latina. Também nesta terça-feira, o USS Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo, foi incorporado à mobilização de tropas americanas no Caribe, que a Venezuela insiste ter como objetivo a derrubada do presidente Nicolás Maduro.

Maduro, que já reiterou seus apelos à paz mais de uma vez, afirma estar preparado para se defender e demonstra constantemente atividades militares no país. Um comunicado publicado pelo Ministério da Defesa venezuelano indica que está sendo executada uma “mobilização maciça de meios terrestres, aéreos, navais, fluviais e de mísseis; sistemas de armas, unidades militares, Milícia Bolivariana (civis alistados)”, entre outras estruturas de defesa policial, militar e cidadã.

O canal televisivo estatal VTV transmitiu discursos de líderes militares em vários estados do país, com imagens da mobilização de efetivos e do uso de armamento e equipamento militar. No entanto esses anúncios frequentes e amplamente divulgados pelo governo não necessariamente se traduzem em operações visíveis no terreno.

Na segunda-feira, Maduro advertiu que sua estrutura tem “força e poder” para responder aos Estados Unidos, incluindo civis. Ele convocou o alistamento na Milícia Bolivariana, um corpo das Forças Armadas composto por civis e com uma altíssima carga ideológica.

— Se o imperialismo chegasse a dar um golpe de mão e causar danos, desde o momento em que fosse decretada a ordem de operações, [teríamos] mobilização e combate de todo o povo da Venezuela — disse o líder venezuelano.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou na semana passada os temores de uma guerra com a Venezuela, mas afirmou que acredita que os dias de Maduro no poder estão contados. O governo Trump acusa Maduro de liderar um cartel de narcotráfico e autorizou, segundo o presidente, operações da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) na Venezuela.

USS Gerald Ford
A chegada do USS Gerald Ford à região coincidiu com a nova mobilização militar da Venezuela e com a condenação da Rússia aos bombardeios de embarcações que supostamente transportam drogas. Descrito pela Marinha americana como “a plataforma de combate mais capaz, adaptável e letal do mundo”, o navio de guerra tem 337 metros de comprimento e dois reatores nucleares para propulsão e pode chegar a uma velocidade de 55km/h.

Os últimos ataques realizados pelos EUA aconteceram no domingo, no Pacífico. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, confirmou as ações e as mortes de seis pessoas a bordo de duas embarcações.

Desde o final de agosto, o Exército dos Estados Unidos tem deslocado meios militares à região sob a justificativa de combater o narcotráfico supostamente proveniente da Colômbia e da Venezuela. A operação resultou em 20 embarcações bombardeadas em águas internacionais do Caribe e do Pacífico e 76 mortes.

O Comando Sul das Forças Navais dos Estados Unidos afirmou em um comunicado que o USS Gerald Ford, cujo envio foi ordenado há quase três semanas, entrou em sua zona de responsabilidade, que abrange a América Latina e o Caribe. No entanto não se sabe exatamente onde o navio está. Desde que ele cruzou o Estreito de Gibraltar e entrou no Oceano Atlântico, o Gerald Ford teve seu transponder desligado para manter sua posição em sigilo, como é comum em operações militares.

“[O porta-aviões] reforçará a capacidade dos Estados Unidos para detectar, vigiar e desarticular os atores e atividades ilícitas que comprometem a segurança e a prosperidade do território americano e nossa segurança no hemisfério ocidental”, afirmou o porta-voz chefe do Pentágono, Sean Parnell.

Os EUA ainda não apresentaram provas de que as embarcações atacadas estavam sendo utilizadas para o tráfico de drogas ou de que representavam uma ameaça ao país. O canal CNN informou que o Reino Unido não compartilhará informações de inteligência com os Estados Unidos sobre embarcações suspeitas de narcotráfico para não se tornar cúmplice desses bombardeios, que, segundo as fontes consultadas, são ilegais. É uma ruptura crucial entre dois importantes aliados.

A Rússia — rival do Ocidente e aliado-chave de Maduro — qualificou os bombardeios como “inaceitáveis”.

— É assim que, em geral, agem os países sem lei, aqueles que se consideram acima da lei — declarou na televisão o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, que classificou como “pretexto” a luta contra as drogas que os Estados Unidos alegam para justificar esses ataques.
O GLOBO – Edição: Montedo.com

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