Os kids pretos na mira do STF que seguem na ativa do Exército mesmo após debandada

Kids pretos IA

 

A quase totalidade dos militares processados por tentativa de golpe de Estado pediu reserva, incluindo vários FE


Johanns Eller
Três dos réus do julgamento do núcleo 3 da trama golpista na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que começou na última terça-feira (11), são kids pretos que continuam na ativa, a despeito da debandada de diversos réus das Forças Armadas nos últimos meses, com o avanço do processo na Corte. O trio deve engrossar o grupo de militares condenados pela conspiração contra a posse de Lula, o que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A equipe do blog apurou junto ao Exército que continuam na ativa os tenentes-coronéis Hélio Ferreira Lima, Rafael Martins de Oliveira e Rodrigo Bezerra de Azevedo. Os três estão presos em unidades do Exército – Ferreira Lima em Manaus, De Oliveira em Niterói (RJ) e Bezerra de Azevedo em Brasília. Também continuam recebendo salário.

A expulsão deles da Força só será avaliada após a confirmação da condenação. Em casos de pena maior do que dois anos, o Estatuto do Militar determina que sejam expulsos, mas antes precisam passar por um julgamento no Superior Tribunal Militar (STM).

Como publicamos no blog em setembro, quase a totalidade dos militares apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como integrantes da tentativa de golpe de Estado decidiram migrar para a reserva, incluindo vários membros da FE.

Até então, 16 oficiais haviam pedido para deixar a Força. Desde então, outro réu oficializou a solicitação: o tenente-coronel Sérgio Cavaliere, que figura entre os réus do núcleo 3 mas não integrou as Forças Especiais.

Todos, segundo a PGR, fizeram parte do monitoramento clandestino de autoridades como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Lula e o então vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, junto com o general Mário Fernandes – outro kid preto que aguarda julgamento no núcleo 2 da trama golpista e já passou para a reserva.

As investigações da PF demonstraram que o plano era articulado em um grupo de WhatsApp denominado “Copa de 2022” nos quais os membros se identificavam com nomes de países na forma de codinomes para a execução do plano Punhal Verde e Amarelo, que previa o sequestro e assassinato de Moraes, Lula e Alckmin.

Segundo a PGR, De Oliveira, como é seu nome de guerra, e Ferreira Lima assumiram posições de liderança na estratégia operacional da conspiração.

Ainda de acordo com o procurador-geral, Paulo Gonet, a dupla liderou “ações de campo voltadas ao monitoramento e neutralização de autoridades públicas” e “contribuíram para o planejamento de um Golpe de Estado” que empregaria técnicas militares e terroristas para eliminar Alexandre de Moraes e a chapa vitoriosa nas urnas formada por Lula e Alckmin.

Além de Ferreira Lima, De Oliveira e Azevedo, outro militar arrolado na trama golpista segue no Exército, mas por pouco tempo. É o caso do tenente-coronel Mauro Cid, condenado em setembro a dois anos de prisão.

Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Cid teve a menor pena do chamado núcleo crucial do golpe por ter fechado um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) que serviu como o pilar da acusação da PGR.

Como contamos no blog, o tenente-coronel pediu para migrar para a reserva pela quota compulsória, quando o número de vagas para promoções não atinge o mínimo estipulado pela Força. O pedido, porém, só deve ser analisado pelo comandante do Exército, Tomás Paiva, no início do ano que vem. Os demais passaram à reserva por já terem tempo suficiente de serviço.

Durante o julgamento, a defesa de Mauro Cid afirmou que o militar não teria mais “condições psicológicas” de continuar na Força militar. A avaliação na cúpula militar é que os demais réus seguiram o mesmo roteiro por considerarem que não havia clima para permanecer na ativa.

Em função da pena de apenas dois anos, Cid escapou de responder a um processo no STM que poderia sujeitá-lo à perda de patente e a ser declarado como indigno do Exército. Não é o caso de Bolsonaro e outros militares condenados, como os generais Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, todos condenados a mais de 20 anos de cadeia.

No caso dos kids pretos do núcleo 3 e aos demais militares réus na trama golpista, esse prognóstico dependerá das sentenças do Supremo contra os oficiais condenados. As atribuições da Justiça Militar estão fora da competência do Comando do Exército.
Malu Gaspar (O Globo) – Edição: Montedo.com

Respostas de 3

    1. Claro, militares ambiciosos transformaram o Exército e, de lambuja as Forças Armadas como um todo, em “puxadinho” do ex-capitão ladrãozinho ganancioso reformado como doido terrorista de contracheque. Vai dizer que ninguém sabe que aqueles arruaceiros travestidos de “petistas” infiltrados no quebra-quebra do dia 8 não eram Kids pretos!??? Poupe-me….

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *