Supermercados têm 357 mil vagas em aberto e recrutam egressos do Exército para suprir falta de mão de obra

Supermercado

Área costumava ser porta de entrada para o mercado de trabalho, mas busca por flexibilidade alterou quadro, diz associação, que quer mudanças na CLT
Cristiane Gercina
O setor de supermercados no país vive uma crise de emprego inversa a tudo o que se viu no Brasil por anos seguidos. Com 357 mil vagas abertas, as redes não encontram trabalhadores e têm feito parcerias para contratar egressos do Exército.

A falta de mão de obra está atrelada a uma mudança no perfil dos jovens -a área é considerada porta de entrada para o mercado de trabalho-, que buscam mais flexibilidade na jornada e salários maiores, segundo associação do setor.

“Antes, o trabalhador procurava o supermercado. Agora, o supermercado está procurando, usando redes, oferecendo bolsas de empregos, e com iniciativas com Exército, Marinha e Força Aérea no sentido de que os egressos do sistema militar encontrem nos mercados oportunidade de emprego de forma mais rápida”, afirma Marcio Milan, vice-presidente da Abras (Associação Brasileira dos Supermercados).

“O que a gente vem identificando nos últimos meses é que o jovem está mudando de perfil e espera, muitas vezes, trabalhos mais flexíveis”, afirma Milan.

Ele reconhece que o valor do salário é “básico”, mas aponta como vantagens os benefícios que as empresas oferecem e a certeza de contratação pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

“Ao iniciar no mercado de trabalho, ele [trabalhador] tem, mesmo na função básica com salário de entrada, vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-transporte, férias, 13º, fundo de garantia. Mas, muitas vezes, essa comparação [de valor] é feita só com o salário de entrada.”

O vice-presidente afirma que, além das campanhas feitas pelas empresas e da parceria com as Forças Armadas, há ainda conversas com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Congresso para tentar mudar o cenário.

As demandas da associação envolvem mais mudanças na CLT -que passou por reforma em 2017, no governo de Michel Temer (MDB)- e debates aprofundados sobre o fim da escala 6×1, pois o setor teme a implantação da escala 4×3 proposta pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP).

A alteração na CLT estaria ligada à possibilidade de contratação dos trabalhadores por hora sem onerar as empresas com os impostos sobre a folha de salários, o que seria uma forma de atrair quem procura flexibilidade.

Seria o caso tanto dos mais jovens quanto das pessoas com 60 anos ou mais.

Milan afirma que o setor vê com preocupação os avanços pelo fim da escala 6×1 e implantação da escala 4×3, mas acredita que o debate é necessário. O problema, segundo ele, é que já há falta de mão de obra e os supermercados teriam mais dificuldades ainda de encontrar gente para contratar.

O setor supermercadista é um dos que mais emprega no país, com 3 milhões de vagas diretas e indiretas e mais de 400 mil lojas abertas, segundo ele.

Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da UGT (União Geral dos Trabalhadores), tem acompanhado de perto essa falta de mão de obra nos setores de comércio e serviços.

O sindicato e a UGT são responsáveis por organizar, todos os anos, um mutirão de emprego na região central da capital paulista. Embora trabalhadores ainda durmam na fila em busca de uma vaga, a lotação que se via no vale do Anhangabaú não existe mais.

Desde 2023, o número de pessoas em busca de emprego desta forma tradicional é cada vez mais escasso.

A vantagem de se buscar vaga no feirão é sair empregado, já que grandes companhias, como supermercados e redes de varejo, levam toda a equipe de recursos humanos para dar esse suporte e “fisgar” os talentos, segundo sindicalistas.

Jovens, mulheres e pessoas com deficiência têm sido priorizadas no mutirão, justamente porque são um público mais afetados pelas oscilações no mercado de trabalho e pelos preconceitos, segundo Patah.

Neste ano, o feirão deverá ser realizado no segundo semestre, ainda sem data. Uma das estratégias tem sido realizar os mutirões em outras regiões do país, para tentar atender a um número maior de trabalhadores e empresários.

Patah é um defensor do fim da escala 6×1, com aumento da automatização dos supermercados e outras redes de varejo.

“Comerciário trabalha demais, de domingo a domingo. Um trânsito infernal em SP, demora uma hora e meia para ir e para voltar. Quando tem a folga, é para trabalhar também. No século 21, tanta tecnologia e mudanças importantes que precisamos rever essa jornada”, diz.
Banda B – Edição: Montedo.com

Respostas de 10

  1. Por onde andam os infiltrados, os ressentidos, os mal-amados, que vêm a este canal vociferar contra os militares das FAs ?? Eu aguardo os vossos comentários acerca do Orçamento/2025. Desejo saber o que eles pensam sobre o valor das “Emendas Parlamentares”.

    1. Mas esse é um trabalho compatível com o grau de escolaridade exigido para os concursos militares.
      E também para a complexidade do cargo, que é baixa e pode ser executada por um temporário do NPOR de 19 anos.

      Não é ressentimento meu amigo. É a verdade que dói na sua alma. Os cargos são remunerados conforme a complexidade, este é o art. 37 da CF, a complexidade dos cargos das FFAA é baixa e um menino do NPOR executa.

      Essa é a prova. Para empacotador de mercado, são ótimos.

      Agora veja o salário de mercado para essa função braçal.

      Não se ofenda. Mas você acha que alguma empresa do mundo ia colocar efetivos tão grandes na mão dessas pessoas? Claro que não, essa é a prova do que digo. A vaga nao é para a XP investimentos, chefiar uma carteira milionária, ou para a google, gerir equipes de mil pessoas.

      1. Não sabia que engenheiros do IMe ou do ITa poderiam ser bem remunerados em supermercados, pilotos de caça, comandantes de Embarcações, guerra eletrônica, ordenador de despesas….pessoal desperdiçado mesmo….inclusive , 90% das funções do serviço público poderiam ser Substituídas por IA, sem Erros, sem corrupção, sem pressao para reajuste …realmente, tem muita gente dando bobeira mesmo….partiu pão de açúcar

        1. Nao queira comparar engenheiros do ime/ita com Os infantes.
          Sobre “comandantes”, eles sao pessimoS, os piores gestores de pessoas que conhecemos.

          Quem diz isso nao sou eu.
          Quem diz isso é o mercado.

          O mercado não os absorve. Nenhum. Nenhum está no google, na amazon, etc.

          São muito ruins, ineficientes, ignorantes

  2. Eu quero é o fim da 6×1, banco trabalhando 4×3, exercito trabalhando 3 dias e no 4 meio exped. Kkkk mantendo o mesmo salario. Como amo o brasil. Kkkk

  3. “Desde 2023, o número de pessoas em busca de emprego desta forma tradicional é cada vez mais escasso”.

    A vantagem dos JOVENS é” esperar uma bolsa cervejinha “, uma bolsa família, bolsa presidiário. A forma mais tradicional é o narcotráfico, apoiar ex presidiário e criminalizar a polícia militar. Basta ver a realidade do RJ, onde um copiloto no helicóptero da core foi atingido na cabeça, áreas dominada por narcotráficantes, onde os ” infiltrados” , interpretam textos e enxergam a realidade e não admitem que apenas a Policia Militar leve a culpa da onda de ” redução de penas, saidinhas temporárias, tornozeleiras eletrônicas, prisão em regime semi aberto e visitinhas íntimas e violência como um todo, portando, a utopia é que o orçamento 2025 não acabe nos bolsos dos corruptos e as emendas não seja estratégias para mais um palanque eleitoral próximo…

  4. As vagas de entrada na maioria dos mercados Conseguem ser piores que o serviço militar obrigatório ( para os engajados)….normalmente salário mínimo mais alguns benefícios que chegam a +- 2k….SD 2 CL engajado ganha uns 2500 com auxílio transporte…mas enfim, pelo menos é uma profissão justa e importante para a sociedade ( ninguém viveria sem mercado p/comprar , confere?)

    1. Perfeito, apesar que na linha de frente de combate ao crime, não é “vida mansa”, como alguns sem experiência acreditam, nem falta de capacidade, apenas a questão de finalidade Constitucional diferente, porém com prerrogativas similares, não dá para debater com o leigo que generaliza, na Questão, por exemplo onde um grupo de soldado pintando meio fio, tendo dois ou três comandantes para Supervisionar, não se compara com aquele soldado veterano que tem as mesma Autonomia e prerrogativas que o próprio comandante possui, caso estivesse na missão real, a Visibilidade, Responsabilidade e Oportunidades em questões de “erros será maior”, isso Freud explica!

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