Ao Metrópoles Entrevista, Allan contou o sonho de seguir na carreira militar. Ele e Heittor participaram de mutirão para jovens trans
Jade Abreu
O sonho de Allan Guimarães, 18, é ser militar pelo Exército Brasileiro. Ele é um homem trans que conseguiu a retificação de gênero no ano passado e aproveitou o serviço obrigatório militar para se alistar nas Forças Armadas.
No dia da visibilidade trans, a Defensoria Pública do Distrito Federal organizou o primeiro mutirão específico para homens trans, que ocorreu na segunda-feira (29/1) atendendo 30 pessoas.
“É uma coisa que arde assim no meu coração, que eu sinto uma vontade apaixonante de servir ao meu país”, disse. Para o jovem, a possibilidade de preconceito dentro das Forças Armadas não é um impeditivo. “Não posso viver com medo. Eu quero mostrar que pessoas trans podem estar em todo lugar que quiser”, destacou.
A coragem do rapaz impressionou Heittor Neves, 21. Também jovem trans que não pretende seguir a carreira militar. O Metrópoles Entrevista conversou com os dois sobre as avaliações de cada um do mutirão e como percebem a carreira militar. Assista:
“Eu achei bonito, acho que uma desconstrução que ele teve até ele com ele mesmo poder falar que é isso mesmo que quer. Então acho muito bonito da parte dele correr atrás de um sonho”, reforçou Heittor.
Allan contou que todos os dias que sai de casa tem medo do que pode acontecer e que se apega a oração. “Se a gente for deixar de viver as nossas coisas pelo medo, a gente nem vive”, destacou.
O medo de Allan é também de Heittor e não ocorre à toa. Em 2023, 155 pessoas trans morreram no país, sendo 145 assassinatos e 10 suicídios. Os números são do Dossiê: assassinatos e violências contra travestis e trasexuais brasileiras em 2023, divulgado da Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra)
Conquista de espaço
A história de Allan e Heittor já tinha sido contada pelo Metrópoles, quando eles relataram alívio com um mutirão trans. A sensação de conforto foi causada exatamente porque houve um acolhimento com as especificidades de cada um. No entanto, os jovens relataram a angústia ao ler comentários maldosos nas redes sociais com a publicação.
“As pessoas têm todo aquele ódio com a gente”, disse Allan. “Nós somos pessoas normais, querendo viver a nossa vida e conquistar nossos espaços, sendo na política, na faculdade, no trabalho, na questão militar também.”
Mutirão
O 1º Mutirão de Alistamento Militar promovido pela Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) para Homens Trans e Pessoas Transmasculinas promoveu 30 atendimentos na segunda-feira (29/1), Dia Nacional da Visibilidade Trans. A atividade ocorreu por meio da Junta do Serviço Militar da Administração Regional do Plano Piloto.
Em 2023, mais de 300 pessoas conquistaram o reconhecimento de documentos e certidões com requalificação por meio de audiências realizadas pelo Núcleo de Assistência Jurídica de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da DPDF (NDH/DPDF), em parceria com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).
Respostas de 9
As FA acabaram, para que isso nas FA?
Impossível mulher ser homem ou homem ser mulher.
O exército vai aceitar isso ai, só pq tem medo do MP.
Ja aceitou.
Não há escolha
Ué, o mutirão não era para emitir e entregar CDI? Deu ruim Hein? Tiro pela culatra… fui…
Na cara não, para não estragar o enterro.
Kkkkkkkkkkkkkkkk
Qualquer zé mané com um mínimo de inteligência já sabe que FFAA é só embuste.
Legalmente não há nada que impeça ou não poderiam ter se alistado.
Aos que são contra a entrada delas (pessoas), deve-se fazer uma reflexão. Se elas são incapazes de exercer o seu direito de ser cidadãs, então, deve-se ampará-las com uma pensão por invalidez. Não foram elas que querem essa situação, são os “contra” as que querem impedir.
Todos deveriam assumir a sua responsabilidade, se elas pagam impostos, cumprem as leis, deveriam ter todos os direitos iguais aos demais. Senão, compensar.
Não acho que elas não aguentariam a pressão dos idiotas preconceituosos dentro da caserna, mas se proibir, deve-se compensar.
Você está confundindo alistamento, prestação do serviço militar, incapacidade para o serviço e pensão por invalidez decorrente de acidente em serviço. A matéria trata apenas do alistamento para a equalização da situação documental do cidadão perante a legislação para fruição de direitos (passaporte, matrícula em universidades, inscrição em conselhos de classe, etc).
Com base em seu comentário, quem receberia a eventual pensão seriam os pais desse rapaz, em tese.
As forças armadas acabaram!