STM cassa posto e patente de tenente-coronel do Exército após condenação por estupro de criança

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Imagem: Favor_of_God / iStock Photo

Condenação do oficial ocorreu em novembro de 2015 pelo TJ/SC

O Superior Tribunal Militar (STM) declarou indigno para o oficialato e determinou a perda do posto e da patente de um tenente-coronel do Exército, condenado na justiça criminal comum, por unanimidade, a dez anos e seis meses reclusão por violência sexual contra uma criança.

O caso tramitou em segredo de justiça no STM para preservar a identidade da vítima.

A Declaração de indignidade para o oficialato ocorre quando um oficial é condenado à pena privativa de liberdade por um período superior a dois anos. Nesses casos, ele é submetido a uma representação proposta pelo Ministério Público Militar (MPM) e julgada no Superior Tribunal Militar, conforme determina a Constituição Federal.

A condenação do oficial ocorreu em novembro de 2015 pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, com trânsito em julgado em abril de 2022. O caso ocorreu em Florianópolis.O militar foi denunciado pelo Ministério Público daquele estado pelo crime de estupro de vulnerável, previsto no artigo 217-A do Código Penal, em continuidade delitiva.

O militar teria, segundo a acusação, abusado sexualmente de uma sobrinha por afinidade por cerca de cinco anos seguidos, desde quando a criança tinha cerca de sete anos de idade, geralmente em residências de parentes.

Em razão de a condenação ter transitado em julgado, o Ministério Público Militar representou contra o oficial junto ao STM, pedindo sua “expulsão” das Forças Armadas.

No STM, a relatoria coube ao ministro Leonardo Puntel. Em sua fundamentação, o magistrado disse que as condutas do tenente-coronel, além de caracterizarem infração penal de excepcional gravidade, violadoras dos direitos humanos e produtoras de efeitos psicossociais devastadores na vítima, ofendem, indubitavelmente, o pundonor, o decoro e a ética militares, previstos no Estatuto dos Militares.

“Os militares lidam com valores únicos: a vida, o patrimônio, a ordem pública e a própria soberania estatal. Todos esses preceitos exigem retidão inequívoca em seu comportamento, inclusive em sua vida particular. A seu turno, os oficiais devem observar com ainda mais rigor esses mandados éticos, uma vez que representam modelos paradigmáticos a serem seguidos por seus subordinados”.

O ministro afirmou também que o crime é de natureza afrontosa, devendo ser anotado que a conduta atingiu diretamente a honra do oficial, com reputação extremamente negativa no seio da instituição a que pertence, além de provocar repercussões nocivas à hierarquia e à disciplina militares, tornando-se, por razões óbvias, difícil sua acomodação funcional em qualquer unidade de sua Força Armada, inclusive no estabelecimento prisional em que está cumprindo pena.

Por unanimidade, os demais ministros acolheram a Representação.

STM

Respostas de 8

  1. Para mim o correto seria além da perda seria apagar os registros escolares, fotos, destruir RG e uniformes que acaso o tenha, ou seja, apagar da história militar, pois isso pode ser tudo, menos uma menção de militar. Caberia saber se a família sabia disso, pois nem deveria receber qualquer pensão de morto ficto.

    1. “…apagar da história militar…”.

      Prática do “comunismo” stalinista.

      Não contentes em reescrever os fatos históricos, agora querem destruir o arcabouço pessoal do indivíduo.

      Seja formada por fatos positivos ou abomináveis, a história do indivíduo faz parte de sua existência.

      Não duvido que a próxima etapa é criar a pena da “destruição individual”, condenando o julgado a “sumir” da história e da vida.

      Parece até que utopias de livros estão agora sendo colocadas em prática.

      Que fase…

  2. Antes de comentar, seria interessante conhecer o funcionamento da justiça militar.
    Não são apenas 50 casos por ano e
    As leis brasileiras deixam muitas brechas e direitos (recursos e atestafos meficos, por exemplo) que fazem com que os casos demorem anos para serem julgados.

  3. mais um oficial que vai passar de vivo para “morto vivo” e sua bela esposa continuará sendo privilegiada com seu alto salário e demais vantagens.

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