“Entraram para matar, não tem outra frase”. É desta forma que o soldado Maurício Bekin Wencik, de 20 anos, classifica o ataque surpresa causado pelo grupo extremista islâmico armado Hamas em Israel.
Maurício é natural de Curitiba, no Paraná, e luta no exército israelense. De acordo com a mãe, Thatiana Bekin Wencik, a família mora em Israel desde 2014.
No último sábado (7), o grupo Hamas realizou o ataque, considerado um dos maiores sofridos pelo país nos últimos anos. Ao todo, 1.587 pessoas morreram desde o início do conflito, segundo autoridades dos dois lados.
As ações aconteceram principalmente na parte sul do país. Milhares de foguetes foram lançados e os militares de Israel afirmaram que “vários terroristas infiltraram-se no território israelita a partir da Faixa de Gaza”.
O conflito entre Israel e Palestina se estende há décadas. Na forma moderna remonta a 1947, quando as Nações Unidas propuseram a criação de dois Estados, um judeu e um árabe, na Palestina, sob mandato britânico. Israel foi proclamado no ano seguinte. Desde então, há uma disputa por território, na qual o Hamas faz frente.
Thatiana conta que conversou com o filho no sábado, após os ataques. No dia, conforme ela, Maurício estava combatendo na região do festival “Universo Paralelo”, festival de música eletrônica atacado pelo Hamas.
“Ele ligou uma hora no meio do dia e falou: ‘Eu estou vivo’, e aí alguém chamou e ele desligou. Foi horrível, porque ele falar isso quer dizer que outras pessoas não estavam vivas”, afirma Thatiana.
Conforme a mãe, Maurício presta serviço militar obrigatório no país há cerca de um ano. Porém, se prepara desde os 15 anos para entrar no exército. Entre eles, segundo a brasileira, está uma formação em escola preparatória na qual trabalhou liderança, psicológico e contextualização dos conflitos no Oriente Médio.
‘Toca a sirene a gente larga tudo’
Thatiana conta que em Ra’anana, cidade onde mora a cerca de 20 quilômetros de Tel Aviv, sirenes de alerta tocaram no começo da manhã de sábado. Desde então os avisos sonoros são frequentes. Com eles, os moradores da cidade são orientados a buscar abrigos seguros.
“O pior momento é quando toca a sirene. […] Naquele segundo que toca a sirene a gente larga tudo. Hoje eu estava trabalhando, tocou e então eu falei pro passageiro: ‘Estou indo para o bunker’. É surreal você ter que falar isso. É desumano. A gente não tem que se acostumar a correr porque vai cair míssil na sua cabeça”, relata.
De acordo com ela, apesar do conflito, a vida cotidiana continua, o que representa um desafio para a população local.
“Tem de tudo. Tem gente com mais medo, menos medo. Ao mesmo tempo, a gente tem que buscar o equilíbrio do dia a dia, com as tarefas domésticas e com o trabalho”, afirma.
“Neste momento, conforme a brasileira, os moradores se reúnem para se ajudar. Thatiana conta que familiares de Holon, cidade no sudoeste de Tel Aviv, estão hospedados na casa dela para se proteger e se apoiar.
Além disso, amigos se reuniram para juntar dinheiro para o filho dela comprar comida. Isso porque, segundo a mãe, os alimentos enviados não chegam a tempo nas bases do exército.
“Neste momento o povo se une. Mandaram tanto [dinheiro] que eu pude ajudar outro soldado e uma outra pessoa que estava comprando uniforme pros soldados. Ontem eu fui distribuir comida”, conta.
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Maurício Bekin Wencik e a mãe, Thatiana Bekin Wencik, moram em Israel há 10 anos — Foto: Arquivo Pessoal
Relatos de desaparecidos
“Aqui é um país muito pequeno. Todo mundo conhece alguém que esteva naquela festa ou que mora naqueles kibutzim, naquelas cidades que eles invadiram e mataram as pessoas. Todo mundo conhece alguém que conhece alguém…”, compartilha.
Com isso, relatos de pessoas próximas desaparecidas, sequestradas ou feridas são frequentes. O próprio filho chegou a comentar a questão.
“Tentaram me matar diversas vezes, tentaram matar meus amigos, tive amigos que tomaram balas, tenho amigos desaparecidos”, afirma o soldado.
Thatiana, que é agente de viagens, conta também que tem recebido contatos recorrentes de pessoas em desespero.
“Tem gente querendo vir pra cá para ficar com a família, e tem gente querendo sair, seja turista ou pessoas que tem família no Brasil e não aguentam ficar aqui nesse momento”, afirma.
Conflito
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Mapa mostra conflito em Israel — Foto: Arte/g1
No sábado (7), o Hamas bombardeou Israel, em um ataque surpresa considerado um dos maiores sofridos pelo país nos últimos anos. Ao todo, 1.587 pessoas morreram desde o início do conflito, segundo autoridades dos dois lados.
Os ataques aconteceram principalmente na parte sul do país. Milhares de foguetes foram lançados e, em comunicado, os militares de Israel afirmaram que “vários terroristas infiltraram-se no território israelita a partir da Faixa de Gaza”.
Ao reivindicar a ofensiva, o grupo afirmou se tratar do início de uma grande operação para a retomada do território.
O grupo extremista armado é a maior organização islâmica nos territórios palestinos e tem envolvimento no histórico de conflitos em Israel.
Ele faz parte de uma aliança regional que inclui o Irã, a Síria e o grupo islâmico xiita Hezbollah no Líbano, que se opõem amplamente à política dos EUA no Médio Oriente e em Israel. O nome em árabe é um acrônimo para Movimento de Resistência Islâmica, que teve origem em 1987 após o início da primeira intifada palestina contra a ocupação israelense da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.
O grupo não aceita as condições propostas pela comunidade internacional: reconhecer Israel, aceitar os acordos anteriores e renunciar à violência.
A disputa entre Israel e Palestina se estende há décadas. Na forma moderna remonta a 1947, quando as Nações Unidas propuseram a criação de dois Estados, um judeu e um árabe, na Palestina, sob mandato britânico.
Uma resposta
Não é militar. É blogueirinho. Não está trocando tiro. Deve ser um daqueles que ficam lá na retaguarda porém conta as histórias de quem realmente tá na frente. Penso que quem está em guerra não teria tempo de ficar postando coisas em Redes Sociais. Traduzindo: Imbuste!!!