Tentando conter crise militar, Planalto e Exército se articulam para a CPI

General Tomás e demais comandantes em cerimônia do Dia do Exército: continência ao presidente Lula Ricardo Stuckert/ Presidência da República

Investigações sobre o 8 de Janeiro podem reacender clima de beligerância entre o governo Lula e as Forças Armadas

Marcela Mattos

Instalada na última quinta-feira, 25, a CPI Mista do 8 de Janeiro tem mobilizado o Palácio do Planalto e o Exército em torno de articulações para evitar que as investigações gerem novos desgastes entre as Forças Armadas e o governo do presidente Lula.

Dentro do governo, todos têm certeza de que os atos de vandalismo nas sedes dos três poderes representaram apenas a primeira etapa de uma intentona militar. Lula já disse repetidas vezes que os ataques eram o começo de um golpe. Seu braço-direito, o ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmou que generais “patriotas” eram traidores do Brasil.

Em meio a uma relação esgarçada na origem, o governo passou a tentar restabelecer as pontes com as Forças Armadas. Recentemente, Lula reforçou a sua presença em eventos militares, entre os quais um almoço com o seleto grupo do Alto Comando e a cerimônia do Dia do Exército — da qual figuras como o general Villas Bôas e o agora deputado Eduardo Pazuello participaram. O recado é o de que o clima de desconfiança ficou no passado e é hora de unir as tropas.

Até aqui, vinha funcionando. Mas a CPI tem tudo para reavivar o clima de beligerância e provocação entre o governo e os fardados. O principal objetivo da investigação será definir uma linha do tempo – passando pelos preparativos dos atos, os financiadores e executores – para esclarecer se os atentados representaram apenas uma manifestação de eleitores descontentes com o resultado das urnas ou se havia, de fato, um plano para tirar Lula da cadeira.

Para avançar sobre essa segunda versão, a do golpe, é preciso mergulhar no meio militar em busca de se apurar se havia ou não uma estrutura pronta para assumir o poder — e é aí a fonte de preocupação. Na última semana, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (Sem partido-AP), e o líder do PT na Câmara, Zeca Dirceu, tiveram um jantar com o presidente da comissão, Arthur Maia (União-BA).

No encontro, pediram ao parlamentar ter “responsabilidade” no tratamento com os militares. “O governo reconhece que a relação com as Forças Armadas não está boa e que não dá para esticar a corda, botar os militares na parede e jogar a CPI para cima deles. Estão com muito receio”, resumiu um dos participantes.

Uma CPI tem a prerrogativa de convocar pessoas, mandar prender depoentes, fazer longas inquirições e vasculhar os sigilos fiscais, bancários e telefônicos de seus alvos. Mesmo que nada seja encontrado, o constrangimento é grande. A VEJA, um general resume o tamanho do imbróglio. “Caso seja convocado um militar da ativa e ele não compareça, quem é que vai fazer a condução coercitiva? Quem é que vai mandar buscar?”, disse. No Congresso, ninguém tem uma resposta para essa questão.

Nos últimos dias, o Exército também passou a se debruçar sobre os efeitos da CPI. De pequenos detalhes, como se o ideal seria se um militar da ativa fosse fardado ou à paisana ao Congresso (irá fardado), à diferenciação de tratamento interno. Enquanto o tenente-coronel Mauro Cid é considerado um “problema político” e, por isso, deve ser respaldado unicamente pela sua defesa jurídica, o general Gustavo Dutra, ex-comandante militar do Planalto, terá maior respaldo da força, já que o entendimento é que é a imagem do Exército que estará sob inquirição dos parlamentares.

Em outra frente, o comandante Tomás Paiva trabalha na reconstrução de pontes com a política, mantendo conversas com parlamentares governistas e de oposição, e com o Judiciário, principalmente com Alexandre de Moraes, responsável pela ordem de prisão de Mauro Cid — que, diga-se, é vista internamente como um tanto exagerada.

veja

Respostas de 16

  1. Estou vendendo banquinhos de madeira bem confeccionados em imbuia …

    (só para os praças Que votaram no presidiário pensando em aumento )
    🤣🤣🤣🤣

  2. O mais engraça é que o “cambirimba” não foi eleito e fez um estrago violento e agora quem tem que acabar com tal estrago é o dito “criminoso” novo PR. Herança maldita, de uma trupe maldita, reverberando. Ainda mais com essa CPI – iniciada por uma pessoa investigada por fomentar o golpe e com demais assinaturas daqueles que anuiram -. Afinal, quando isso vai acabar? E, como tem gente que defende esse estado inconstitucional das coisas no país? Bando de tumultuadores que vivem dessa balburdia criadas por eles próprios.

  3. A verdadeira crise esta nos hospitais militares, no HMAR para variar as
    Coisas vao de mau a pior, so distribui senha no Último dia Útil do mes, para td mes seguinte, se vc precisar fazer um exame fora do Hospital vc tem que esperar um mes para pegar a senha para fazer o exame. No fusex e uma tristeza, ninguem sabe de nada. Nada mudou no HMAR, so piora a cada dia!

  4. Consequências Nefastas dos atos daquele ser que foi quase que praticamente escurraçado da Força e protegido pelo seus camaradas de turma. Tá aí o resultado desses atos.

  5. Não entendi, a CPMI vai convocar alguns militares envolvidos e não o Exército, cada um que arque com suas responsabilidades ou vão empurrar mais fundo na instituição.

  6. Só que de colocar os oficias da aman na cadeia, estou feliz. Por mais criminosos na cadeia. “Adeus Aman, eu vou partir para bem longe daqui ….. cadeia”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *