À PF, almirante Bento Albuquerque diz que joias sauditas eram para o Estado brasileiro

Bento Albuquerque

O ex-ministro de Bolsonaro prestou depoimento à PF e contrariou a versão do ex-presidente de que as joias eram de caráter personalíssimo

Manoela Alcântara
A versão do ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque à Polícia Federal sobre as joias recebidas pela comitiva brasileira na Arábia Saudita diverge do que disse Jair Bolsonaro (PL) em nota publicada há alguns dias pelo advogado que acompanhava o caso, Frederick Wassef. Em depoimento prestado à Polícia Federal, nesta terça-feira (14/3), Albuquerque declarou que as joias eram um presente para o Estado brasileiro, não personalíssimo, como alegou a defesa do ex-presidente.

Em cerca de uma hora de depoimento por videoconferência, o ex-ministro disse aos investigadores que tentou entrar com as joias, avaliadas em R$ 16,5 milhões, para incorporá-las ao patrimônio do Brasil. Essas, no entanto, foram apreendidas pela Receita Federal.

Outro pacote contendo um relógio, uma caneta e abotoaduras entrou no país dentro da mala de Marcos Soeiro, da comitiva de Albuquerque. Esse também foi entregue nas mãos dos representantes do governo brasileiro para serem incorporados ao patrimônio do país.

Na nota, o então advogado de Bolsonaro no caso afirmou que o ex-chefe do Executivo federal agiu dentro da lei e “declarou oficialmente os bens de caráter personalíssimo recebidos em viagens, não existindo qualquer irregularidade em suas condutas”.

Além desse ponto conflitante, Albuquerque ainda afirmou à PF ter dito aos profissionais da alfândega que as joias de R$ 16,5 milhões eram endereçadas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro por dedução. Aos investigadores o ex-ministro afirmou que não tinha conhecimento do conteúdo do pacote. Quando viu que as joias eram femininas, afirmou a eles, por “dedução”, que eram para Michelle.

Vídeo
Imagens mostraram Albuquerque dizendo a auditores da Receita Federal que as joias dadas de presente pela Arábia Saudita ao Brasil eram para Michelle. O vídeo, obtido pela TV Globo, foi registrado pelas câmeras de segurança do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em 26 de outubro de 2021, data em que Albuquerque desembarcou no Brasil.

“Isso tudo vai entrar lá para a primeira-dama”, diz o ex-ministro aos auditores na filmagem. Albuquerque se referia a joias avaliadas em R$ 16,5 milhões, que ficaram retidas na alfândega.

Caneta e relógio
O outro pacote, com um relógio e uma caneta, entrou no país dentro da mala de Marcos Soeiro, integrante da comitiva de Bento, que também deve ser ouvido pela Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários da Polícia Federal de São Paulo.

O próprio Soeiro tentou explicar para os auditores que o conteúdo era um presente para o ex-ministro. “Isso é um presente do príncipe regente da Arábia Saudita para o ministro. Isso tudo aqui é presente. Vocês não têm ideia do problema”, aponta Soeiro.

Ligação para ministro
Soeiro, então, liga para Bento Albuquerque: “O ministro está vindo aqui, provavelmente vai ligar para o diretor da Receita Federal”, afirma.

O ex-ministro nega ter visto as joias e alega que as recebeu somente quando estava saindo da Arábia Saudita. Em seguida, um auditor explica que os bens não poderiam sair dali por não terem sido declarados, e que, depois, caso fossem doados para o Estado brasileiro, os itens seriam liberados.

“Nós vamos reter os bens. Vamos gerar um documento em nome do senhor, que é o portador, certo? Aí, qual foi a orientação? Pega esse documento, entrega no gabinete do ministério de sua chefia. Esse gabinete vai entregar no gabinete da Secretaria da Receita Federal, para que estes trâmites para a outorga dessa imunidade sejam iniciados”, disse um dos auditores.

Soeiro questiona se o termo de retenção de bens poderia ser feito no nome de Bento Albuquerque. “Quer colocar no nome do ministro? Acho que é até melhor.”

Albuquerque também foi questionado, durante o depoimento, se chegou a tratar o tema das joias, de ambos os pacotes, com Jair Bolsonaro. Ele disse que não.

METRÓPOLES/montedo.com

Respostas de 13

  1. Vai ter que dar muitas explicações uma x que tem vídeos gravados em total de querer rever as jóias 8x. Outra dentro da caixa tem um papel de onde as jóias vieram e foram fabricados e vai dar para rastrear de onde vieram as jóias e a quem davam interessados. Outra se o Almirante tiver mentindo e vai ser fácil de Detectar. E se for provado a sua mentira deve perder o posto de almirante, pois estão de certo achando que na testa do povo brasileiro está escrito idiotas? Pois esqueceu que está tudo gravado e contra fatos não há argumentos. O tempo é o senhor absoluto da razão.

  2. Já tinha declarado varias vezes e sido gravado também se referindo que as jóias eram para a esposa do bozo. Porém, afirmou em depoimento que não sabia o conteúdo da caixa e nem o destinatário, imagina se fosse uma caixa cheia de drogas. Olha realmente o governo anterior se fazia pela mentira, todos sofriam de uma doença chamada “mentidinite” – inflamação causada no cérebro por compulsão a Mentira -. Vergonha!

  3. Não vou ficar repetindo o texto e os comentários acima. Vou só sintetizar a minha opinião.
    É bem claro que ele está mentindo.
    Por que será?
    Para mim, ele está procurando uma versão que o faça pagar menos, pois não tem como escapar do erro. a versão escolhida é para assumir a culpa sozinho para proteger o Bolsonaro e deve ter recebido a orientação (provavelmente do seu advogado) que o ideal é só responder administrativamente alegando incompetência por desconhecimento.
    Acredito que a verdade só vá aparecer quando a conta a pagar por ele não seja apenas administrativa. Quando aparecer uma pena de interdição de liberdade ou valores financeiros para ressarcir ao estado, ele não segurará, vai entregar.
    por isso, tem que ir fundo nas investigações e processá-lo, se for o caso, para ele se arrepender da versão fácil de Incompetência. Ninguém acredita.

  4. Por meio de nota, a Receita afirmou que a incorporação ao patrimônio da União exige pedido de autoridade competente, com justificativa da necessidade e adequação da medida, como, por exemplo a destinação de joias de valor cultural e histórico relevante, que possam ser enviadas para um museu.

    “Não cabe incorporação de bem por interesse pessoal de quem quer que seja, apenas em caso de efetivo interesse público”, informou a instituição, explicitando novamente que o governo não apresentou pedido para que as joias fossem tratadas como bem da União.

  5. Esse depoimento constrangedor do ex ministro parece comédia. Fico imaginando como ele consegue olhar na cara de seus pares e subordinados, familiares amigos, vizinhos, na padaria…

    E o Bozo? Dizem os companheiros que era conhecido como Cavalão…mentira! Era covardão !

    E a cúpula das FFAA , com raras e meritosas exceções, participaram da fantochada.

  6. Agora passou a ser conhecido do grande público, não interessa o motivo! Bolsonaro e Mourão ficaram conhecidos devido a indisciplina, Pazzuelo pela incompetência e algumas milhares de mortes, … é só se candidatar que o povo vota!

  7. Para fazer jus, não tem um valor da avaliação das jóias podendo até ser menos ou muito mais segundo o delegado da receita federal. Também as jóias vieram com papéis de onde foram fabricados. Tem muito água para rolar o que não pode a pessoa querer desmentir um vídeo gravado esse Almirante deve achar que na testa do povo brasileiro esteja escrito idiotas? Devia perder a patente isso ia o refrescar a memória. Os semideus acham que podem tudo, mas a Conta vai chegar e não chegar aqui perante Deus ninguém escapa. Lembrando que a vida não e eterna para ninguém aqui na terra. O tempo é o senhor da razão.

  8. Sua Excelência o Almirante descreveu em detalhes de maneira que ficasse bem claro o ocorrido e esclarecido o seu controle e tirocínio sobre a situação. Segundo seu relato:

    Que estava trabalhando num telhado de um prédio de 6 andares. Ao terminar meu trabalho, verifiquei que havia sobrado 250 kg de tijolos. Em vez de levá-los a mão para baixo (o que seria uma asneira), decidi colocá-los dentro de um barril, e, com ajuda de uma roldana, a qual felizmente estava fixada em um dos lados do edifício (mais precisamente no sexto andar), descê-los até o térreo.

    Desci até o térreo, amarrei o barril com uma corda e subi para o sexto andar, de onde puxei o dito cujo para cima, colocando os tijolos no seu interior. Retornei em seguida para o térreo, desatei a corda e segurei-a com força para que os tijolos (250kg) descessem lentamente. Surpreendentemente, senti-me violentamente alçado do chão e esqueci de largar a corda, sendo içado do chão a grande velocidade.

    Nas proximidades do terceiro andar dei de cara com o barril que vinha descendo. Ficam, pois, explicadas as fraturas do crânio e das clavículas.

    Continuei a subir a uma velocidade um pouco menor, somente parando quando os meus dedos ficaram entalados na roldana. Felizmente, nesse momento já recuperara a minha presença de espírito e consegui, apesar das fortes dores, agarrar a corda.

    Simultaneamente, no entanto, o barril com os tijolos caiu ao chão, partindo seu fundo. Sem os tijolos, o barril pesava aproximadamente 25 kg.

    Como podem imaginar comecei a cair vertiginosamente, agarrado à corda, sendo que, próximo ao terceiro andar, quem encontrei? Ora, pois, o barril que vinha a subindo. Ficam explicadas as fraturas dos tornozelos e as lacerações das pernas. Felizmente, com a redução da velocidade de minha descida, veio minimizar os meus sofrimentos quando caí em cima dos tijolos embaixo, pois felizmente só fraturei três vértebras. No entanto, lamento informar que ainda houve agravamento do sinistro, pois quando me encontrava caído sobre os tijolos estava incapacitado de me levantar, porem pude finalmente soltar a corda.

    O problema é que o barril, que pesava mais do que a corda, desceu e caiu em cima de mim fraturando-me as pernas. Espero ter fornecido as informações complementares que me haviam sido solicitadas. Esclareço que este relatório foi escrito por minha enfermeira, pois os meus dedos ainda guardam a forma da roldana.

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