Marinha dá adeus ao porta-aviões São Paulo

O NAe São Paulo. Imagem, https://www.airway.com.br/.

Gabriel Centeno*.
O antigo porta-aviões NAe (Navio Aeródromo) São Paulo da Marinha do Brasil deixou o cais do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) na última quinta-feira (04). A embarcação iniciou sua última viagem, puxado pelo rebocador Alp Centre, com destino à Turquia onde será sucateado.

Foto: Marinha do Brasil

O navio, originalmente construído na França como um porta-aviões da Classe Clemenceau, esteve em serviço no Brasil entre 2000 e 2014, quando foi ancorado no AMRJ. Lá, passou a maior parte de sua vida na Marinha até ser descomissionado em 2020 e leiloado no ano seguinte.
O casco do A-12 São Paulo foi arrematado por R$ 10,5 milhões (aproximadamente US$ 2 milhões) pelo estaleiro turco Sok Denizcilikve Tic, através de sua representante Comarck Marítima. No entanto, uma ação popular a Justiça do RJ tenta impedir o reboque do antigo São Paulo até a Turquia.
A ação judicial foi movida pelo Instituto São Paulo/Foch, que defende que o antigo porta-aviões não seja desmantelado, mas sim mantido no Brasil como um navio-museu. A Marinha, por outro lado, já disse que não possui recursos para manter a embarcação.
A Justiça concedeu a liminar que impede que o casco seja levado à Turquia. No entanto, de acordo com O Globo, sites de monitoramento por GPS mostram que a determinação ainda não foi cumprida, e o porta-aviões está próximo à Região dos Lagos, perto de atravessar a fronteira brasileira, o que tornaria muito difícil a reversão do quadro.
Inicialmente, o Instituto não conseguiu a liminar para anular o leilão, mas, com a notícia de que o porta-aviões começou a ser transportado na quinta, o juiz federal Wilney Magno de Azevedo deferiu a liminar para que o a embarcação “seja impedida de sair do local em que se encontra, até a manifestação do Ministério Público Federal no processo e até que haja autorização judicial em sentido contrário”.
Como a ordem não foi cumprida, na tarde de sexta foi expedido um mandado de segurança, com a mesma finalidade.
O São Paulo teve sua construção iniciada na França em 1957, sendo o segundo porta-aviões da Classe Clemenceau. Entre 1963 e 2000 ele foi o FS Foch da Marinha Francesa, até ser aposentado e logo em seguida adquirido pela Marinha do Brasil.
Na época, a MB buscava substituir o A-11 Minas Gerais, enquanto finalmente recuperava sua capacidade de operar aeronaves de asa fixa com a compra dos jatos A-4KU Skyhawk, aqui chamados de AF-1.
O Brasil pagou US$ 12 milhões pelo casco já bastante usado. O São Paulo passou apenas 206 dias no mar e lançou 566 aeronaves brasileiras, argentinas e uruguaias até ser finalmente parado no AMRJ em 2005. O motivo foi a explosão de uma caldeira de vapor durante um serviço de manutenção, matando três marinheiros. Antes disso o NAe São Paulo já apresentava diversos problemas.
A Marinha ainda planejava investir R$ 1 bilhão na modernização do São Paulo até que tivesse recursos para comprar um novo porta-aviões. A atualização e reforma do navio estava prevista para ocorrer entre 2015 e 2019 e deveria manter o NAe São Paulo em serviço até 2039.
A embarcação deveria receber novos sistemas de lançamento (catapulta) e recuperação (cabos) de aeronaves, melhorias nas acomodações, substituição completa do cabeamento, novos conjuntos de propulsão e energia elétrica e outros serviços, que jamais chegaram.
Dessa forma, o São Paulo passou a maior parte de sua trajetória na Marinha parado no AMRJ, onde serviu para diversas cerimônias. Seu tamanho também impressionava que o via mesmo de longe, ou quem sobrevoava o Rio de Janeiro durante os pousos no Aeroporto Santos Dumont.
Agora, tudo indica que, mesmo com a ação judicial, o São Paulo deverá ter o mesmo destino que o seu predecessor, o NAeL Minas Gerais, e vários outros navios que chegam ao fim de sua vida: o desmantelamento.
*Estudante de Jornalismo na UFRGS, spotter e entusiasta de aviação militar.
AEROFLAP/montedo.com

Respostas de 9

  1. gostaria de saber quem aprovou a compra dessa sucata na epoca. Talvez os “altos estudos” tenham a resposta. Matou 3 marinheiros e consumiu milhões, sem nenhuma serventia, além do palco para “cerimonias militares”. Sinceramente? uma vergonha fardada

    1. A administração pública tem a seu favor a discricionariedade administrativa e seu mérito não pode ser discutido, apenas legalidade e entendo, a Força não teria dinheiro para mantê-lo e ninguém quis mater. No entanto, se existe decisão judicial, aliás duas, sendo uma em AP e outra em MS, cabe apenas o cumprimento. Alguém tem que sofrer as consequências deste descumprimento.

      1. O leilão foi autorizado. A venda foi feita. Tem que ser entregue. Daqui a pouco a justiça vai querer interferir em tudo o que não lhe diz respeito. Porquê o Instituto São Paulo/Foch não deu um lance para comprar e manter o porta aviões como museu com dinheiro deles?

      2. Discricionariedade adminsitrativa numa compra de 12 milhoes de dolares?
        Ja ouviu falar de uma coisa chamada ciclo de vida de material? Ela é vinculante!
        Essa sucata passou a maior parte da vida ancorada!!! Isso é um prejuízo inimaginável ao pagador de impostos. Serviu para “cerimônias militares”. O dinheito do pagador de impostos foi para bancar “cerimônia” ao custo de 12 milhoes de dólares (cotação de 2000) e tu vens falar em discricionariedade? Foi uma ação impensada demais!

        Passou 266 dias no mar. 12 milhoes de dólares.

        Para que serviu isso?

        Controle externo, venha rápido!!!!

        1. Leia o que escrevi, falo da discricionariedade administrativa em vender ou manter como museu. Ainda escrevi que nenhuma associação não se dispôs a manter e pagar a manutenção como museu. Em momento algum me referi a compra dele da França e nem sua manutenção custosa sem no entanto ter sido objeto de persuasão. Se bem que meu comentário saiu como resposta e não era. Bons ventos!

  2. Uma vergonha. Se essa compra não foi um ato de improbidade, nada mais é.

    Digo mais, os envolvidos deveriam estar presos. Mas não, tudo corre bem intramuros…

  3. Porta aviões, helicóptero de combate russo, aviões AMX, tudo dinheiro jogado no ralo em um país onde milhões de pessoas não possuem direito a necessidades básicas previstas na carta magna. Não é a primeira vez e com certeza não será a última que essas desastradas aquisições são realizadas pelas três Forças. Mesmo existindo a interferência política, sabemos que a última palavra é da instituição, portanto senhores, não explica e não justifica esse tipo de dano ao erário por quem é formado e pago por meio do contribuinte brasileiro e portanto tem a obrigação de realizar aquisições sensatas e coerentes com a situação do país, afim de que o público interessado, não seja mais uma vez lesado.

    1. Será que vc imagina ou pensa que só no Brasil tem gente pobre com necessidades? Sabe qual pais é o mais rico em petroleo e mais pobre que o Haiti? Não faz nenhuma ideia da pobreza nos EUA, França? Rússia, China, etc? Tem ideia de quando foi comprado esse porta aviões?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *