Militares traficaram drogas em aviões da FAB 30 vezes, diz informante à PF

Os tabletes de cocaína encontrados com militar brasileiro na Espanha
Imagem: Divulgação/Guarda Civil da Espanha

Josmar Jozino
Colunista do UOL

Um colaborador anônimo disse à Polícia Federal que os militares que usaram a estrutura da FAB (Força Aérea Brasileira) para enviar cocaína à Europa fizeram 30 viagens e que os donos da droga trocaram os aviões oficiais por navios a partir de portos da região Sul do país por causa da prisão de um sargento da Aeronáutica.
Segundo o informante, os envolvidos no esquema mudaram de tática logo depois da detenção do sargento Manoel da Silva Rodrigues, flagrado em junho de 2019 com 39 kg de cocaína ao desembarcar no aeroporto internacional San Pablo, em Sevilha, na Espanha.
O autor das denúncias afirmou que mesmo com a prisão do sargento, o esquema cresceu tanto que os traficantes passaram a utilizar contêineres em grandes embarcações. Ele acrescentou que a cocaína vinha para o Brasil provavelmente do Peru ou Colômbia.
De acordo com o colaborador anônimo, o esquema de tráfico de drogas para a Europa que culminou com a detenção do sargento Rodrigues começou em 2013 e que foram feitas ao menos 30 viagens internacionais em aviões da FAB.
Ele contou que em cada viagem eram transportados no mínimo 10 kg de cocaína. A droga era comprada por US$ 6 mil o quilo e depois revendida na Europa por 20 mil euros o quilo.

10 mil euros por viagem

O segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, preso em Sevilla, na Espanha, por transportar cocaína
Imagem: Reprodução Rede Social

O denunciante disse que o militar recrutado para levar o entorpecente no avião da FAB recebia mil euros por quilo transportado, ou seja, ganhava dos traficantes internacionais pelo menos 10 mil euros em cada viagem.
O informante da PF acrescentou que tomou conhecimento do esquema em 2018 — durante o governo Michel Temer (2016-2019) —, quando um amigo muito próximo dele foi convidado por um corretor de imóveis, a “participar da empreitada delitiva”.
À Polícia Federal o colaborador anônimo alegou que não queria que seu nome fosse revelado porque temia pela própria vida e também pela vida de seus familiares. Ele disse que soube também que desde a época do governo de Dilma Rousseff (2011-2016), o esquema de envio de drogas para a Europa em aviões da FAB já funcionava.
Mas foi no governo de Jair Bolsonaro, que Manoel da Silva Rodrigues foi preso em flagrante em Sevilha. O sargento estava em missão oficial do presidente da República e comitiva rumo ao Japão para reunião com a cúpula do G20.
Reportagem publicada pelo UOL em 31 de maio de 2021 mostrou que Rodrigues traficou cocaína em pelo menos sete viagens oficiais no Brasil e no Exterior antes de ser preso. Ele foi condenado a seis anos de prisão pela Justiça espanhola.
A Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal investigou as denúncias feitas pelo informante. As pessoas citadas pelo colaborador anônimo, todas civis, entre elas aquelas apontadas como donas da cocaína enviada à Europa, foram identificadas e localizadas pelos agentes.
Duas delas foram indiciadas por tráfico internacional de drogas em IPM (Inquérito Policial Militar) conduzido pelo Comando da Aeronáutica. A Justiça Federal também decretou a quebra de sigilo bancário e telefônico e o sequestro dos bens dos envolvidos.
Entre todos os acusados de envolvimento no esquema, apenas o sargento Rodrigues está preso. Os civis denunciados pelo colaborador anônimo da PF já responderam a processo por tráfico de drogas. Um deles foi preso em outubro de 2021, mas acabou solto por determinação da Justiça Federal.
Ele é investigado também por lavagem de dinheiro. A Receita Federal e a Polícia Federal apontam que o acusado é dono de academias de ginástica, imóveis de alto padrões e veículos importados em Brasília, mas que o patrimônio milionário adquirido é incompatível com os rendimentos dele.
UOL/montedo.com

Respostas de 9

  1. Senhor Capitão Editor,
    Segura aí, tá difícil, “vamu” dormir só com péssimas notícias.
    Acordamos mais péssimas notícias.
    arRêgo!
    Barro!
    A mosca do Poder mordeu muitos militares após a Vinda do falso ‘meçias’.
    Serviço com Alteração todo dia.
    O senhor terá que contratar mais uns três estagiários, até as eleições será alucinante.
    Os militares bolsopetistas não param, pelo contrário, como faltam menos de 9 meses pra Terceira baixa, vão meter os pés na jaca, serão milhões de alterações.
    Tá osso! Eita governo alterado.
    Mito.

  2. Por causa desse tipo de colaborador de merda que faz umas denuncias fúteis é que as coisas não funcionam, pois se esse acéfalo imoral e covarde de plantão tivesse capacidade para denunciar na primeira ou na segunda vez Traficantes usavam avião, não teriam ido tão longe os ditos ….os traficantes Vagabundos que são SUSTENTADOS por viciados da sociedade e isso cresce cada vez mais, pois ao invés de lutarem por saúde, segurança pública e Educação ficam Defendendo idologias fúteis e denigrindo a imagem das Policais Militares toda vez que colocam um traficante na cadeia ou um viciado Vagabundo para correr…

    1. Quem cuidava disso nos governos anteriores ,tbm não tinham nenhum interesse em descobrir ,simples assim!Muitas vzs tbm lucravam ,ou vc acha que não ?!!

  3. Isso é bastante preocupante , como um avião presidencial é usado para transporte de drogas . nessas trintas vezes uma poderia ter sido uma bomba tranquilamente ,é uma caso a pensar .

    1. TrAfico internacional de drogas no aviao presidencial, essa ai a pm nunca fez. Nao é falta de experiência desses bandidos, é excesso de confiança por nada acontecer.
      Ferro neles PF!

  4. Trinta viagens internacionais em aviões da FAB e a última culminou com a prisão do sargento Rodrigues, e, a primeira na comitiva do novo presidente que é desafeto do petismo.
    Agora; retroagindo 30 viagens internacionais em comitivas presidenciais abrange o mandato tampão, primeiro mandato e parte do segundo mandato da… e os dois mandatos do ex inocente, se aprofundar bem pode até chegar naquele outro.
    Talvez seja por isso que se financia toda essa aversão ao atual, pois viram que não poderiam continuar e tentaram melar a primeira comitiva.

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