O cabo Meia Sete e a missa

MISSA

Causo domingueiro

Ricardo Montedo
O 144 RC sempre contou com figuras folclóricas, que ajudaram a construir sua história, as quais passaram a ser personagens de causos repetidos ao pé do fogo nas madrugadas geladas dos bivaques, nos intervalos de ronda noturna, na “tora” dos alojamentos.
O Cabo 67-SANTO foi um desses, e dos mais notórios, ele que respondia pela alcunha de Catatumba, corruptela de catacumba, fruto de seu ar soturno e perturbador, a esconder a alma pura que habitava o coração do competente ferrador.
Por ser simplório, era alvo de muitas peças por parte dos colegas, das quais, até onde sei, a maior foi esta:
Ocorre que Frei Sério, antigo capelão da 33ª Divisão de Cavalaria, recorria regularmente os quartéis, realizando celebrações religiosas de toda ordem.
E assim fez o bom frei, naquele dezembro calorento. A missa, a cujo comparecimento todos estavam obrigados, começou pontualmente a uma e meia da tarde, no lotado auditório do regimento. Vale lembrar que os militares classificam esse horário como “nobre”, pois o processamento do almoço pelo organismo recém inicia e a letargia é inevitável, a tal ponto de tornar-se um espetáculo divertido observar, durante uma ocasião destas, os companheiros cabeceando para lá e para cá, numa luta desesperada contra o sono.
Era o caso do Cabo Santo naquele dia, bom garfo que era, entregue à modorra, enquanto o dedicado frei desfiava sua ladainha que, pelas circunstâncias já descritas, revestia-se de poderosas qualidades soporíferas.
A identidade do gaiato que protagonizou tamanha maldade constitui-se num grande mistério, mas o fato é que, quando o capelão abriu os braços dizendo:
– Santo, santo, santo, senhor Deus do universo …
O indigitado cutucou o pobre e adormecido cabo, sussurrando:
– Tchê, Santo, o padre tá falando contigo…
Ao que o infeliz Catatumba, pondo-se em pé de um pulo e tomando a posição de sentido, respondeu, garbosamente:
– MEIA SETE!
Ante o olhar atônito de todos, o pobre Santo tratou de disfarçar a esparrela ensaiando um sinal da cruz e sentando-se o mais rápido que pode.
Não adiantou muito: na “hora do pato” do dia seguinte, foi dureza explicar a história para o subcomandante; mas o bom cabo conseguiu e o “causo” virou mais uma lenda das tantas da velha Cavalaria do Rio Grande.

Respostas de 2

  1. São Santo.
    MEIA SETE!
    Há Há Há Há Há Há Há Há Há

    Me lembrou as lutas em vão contra morfeu no auditório da EsSA após uma baita feijoada.
    Era uma diversão sem tamanho.
    Morfeu vive no Olimpo.
    É deus do sono e dos sonhos.
    Daí a expressão “estar nos braços de Morfeu”, dormindo.

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