O Exército, a Nação e a República

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Foi com o advento da República que o Exército atingiu sua maioridade institucional

Edson Pujol*, O Estado de S.Paulo
Uma instituição à qual a Constituição do País confere status nacional e permanente obriga-se a apreciar sua própria história com a responsabilidade de extrair de cada contexto ensinamentos que contribuam para explicar sua identidade e trajetória e que forneçam indicações para sua caminhada futura. Para esse propósito, torna-se mais relevante analisar os processos que norteiam a evolução dessa instituição, que propriamente os distintos episódios em que esteve envolvida.
No caso do Exército brasileiro, cuja história se confunde com a própria História da Pátria, essa argumentação é ainda mais válida. Se a gênese da Força Terrestre pode ser identificada com o simbolismo patriótico das Batalhas dos Guararapes e se a Independência do País permitiu consubstanciar sua criação formal, foi com o advento da República que o Exército atingiu sua maioridade institucional, assim entendida como a afirmação de seu profissionalismo, requisito indispensável para manter-se à altura da estatura político-estratégica da Nação.
A chamada “questão militar” encontra-se entre os fatores que mais contribuíram para a crise que resultou na queda da monarquia. Durante a década de 1880, oficiais opuseram-se publicamente a sucessivos gabinetes imperiais, devido à insatisfação provocada pelas atitudes de desprezo em relação ao Exército, à postura abolicionista de recusa a participar da captura de escravos fugidos e ao sentimento de distanciamento e desvinculação do governo.
Tal posicionamento refletia a adesão à causa republicana de parcela da oficialidade, em grande parte jovens influenciados pelas ideias positivistas de Augusto Comte, professadas pelo tenente-coronel Benjamin Constant e difundidas em sua cátedra na Escola Militar da Praia Vermelha. Com a criação do Clube Militar, em 1887, sob a liderança do Marechal Deodoro e do próprio Benjamin Constant, fortaleceu-se a participação do Exército na mudança do regime.
Com efeito, a juventude militar não aristocrática formada na Praia Vermelha após a Guerra do Paraguai, adepta da meritocracia e empolgada pelo cientificismo positivista, via na monarquia um anacronismo a retardar a modernização do Brasil e, consequentemente, a profissionalização do Exército, objetivos a serem alcançados por uma sociedade orientada de acordo com o paradigma do “cidadão-soldado”.
Mediante a assimilação de atributos, tais como organização, articulação, planejamento estratégico, doutrina, ensino, instrução, treinamento, serviço militar, política de pessoal e liderança, essenciais ao profissionalismo de uma força armada, o Exército se consolidaria como genuína instituição republicana, síntese da nacionalidade.
Transcorridos 130 anos de experiência republicana, os integrantes do Exército de hoje encontram-se empenhados em um processo de transformação com vistas à obtenção de novas capacidades para o cumprimento de renovadas missões. Mas mantêm o compromisso legado pelas gerações passadas, calcado no culto à liberdade e à democracia e no amor à Pátria, o que confere ao Exército os mais altos índices de credibilidade junto à Nação brasileira.
*COMANDANTE DO EXÉRCITO BRASILEIRO
O ESTADO DE SÃO PAULO/montedo.com

Respostas de 11

  1. Observem os itens das fichas de avaliação dos militares. Existe o atributo “coragem”? Nem poderia. O bom cabrito é aquele que não berra. Isso define tudo.

    1. Cara… vc éintragável! Reclama de tudo! Cospe no prato que vc sua familia comem. Pergunto, se c nao tivesse os proventos de Sgt QE! Estaria vivendo com qtos salário!? Quando iria se aposentar e com qtos???? Aprenda a agradecer!!! Não Só pedir! Vc não é mendigo!!!!

      1. Julio Cesar, o que leva vc a acreditar que a postagem pertence a um QE? Retorno a pergunta: Se não fosse o exército vc iria sobreviver como??

    2. É o típico descompromissado. Sem conhecimento, sem vontade de adquirir conhecimento e sem capacidade de desenvolver um senso crítico. Só resta fazer comentários fora do contexto da matéria.

      1. Li a postagem do anônimo e entendi, acho que suas críticas se referem a vc. Foi usada linguagem de metáfora que produz sentidos figurados por meio de comparações. O comentário está dentro do contexto da matéria, vc que não tem discernimento para entender. Dedique-se mais a leitura.

  2. Muito a aprender com o minúsculo exército boliviano. O ex presidiário dizia que temos uma suprema corte completamente acovardada. Acho que ele se enganou de instituição. O STF tem peito até mesmo para fazer atrocidades em plena luz do dia. Já o comandante do exército fica falando em nação e república e teorizando em cima de sua inércia. Generais realizam-se ouvindo suas próprias vozes e suas palavras absolutamente vazias.

  3. Acompanho muito o blog do Montedo e vejo o quanto de comentários ofensivos a diversos militares… Sou 1 Sgt e vejo que há diversos colegas desrespeitando militares do quadro especial, pessoal da reserva e outros….
    A vida passa senhores! Não somos donos da verdade e ninguém deseja tomar o espaço do outro.
    Somos um único Exército e não um grupo de pessoas desagregadoras….
    Quando cheguei na força muitos camaradas QE e outros graduados que hj estão na reserva me ajudaram e muito na minha formação profissional….
    Sou totalmente grato por Deus e por todos os nobres camaradas, os quais estes citados acima por mim, foram essenciais, não só para minha formação e enriquecimento profissional, mas tb de muitos outros sargentos oriundos da ESA….
    Então vamos parar com esta guerrinha inútil de egos e peço para que algumas pessoas aqui do blog, reflita antes de fazer comentários infantis, por favor….

  4. Bom dia,
    Vejo o ataque de alguns “bobos da corte” que trem por habito ofender os militares QEs! chamando-os com termos pejorativos! Não creio que esses sujeitos sejam militares e sim “bananas”, “Ignorantes e idiotas” ao ler babaquices que escrevem! faz mal ao nosso cérebro nos deixa pra baixo! porém compensa por outro lado Comentários de pessoas com nível cultural elevado, com bom discernimento, inteligencia, com alta capacidade de interpretar o significado de alguns comentários que nos elevam a ainda acreditar que no nosso Glorioso EB é formados por Oficiais, ST, Sgts, Cabos e Soldados que merecem terrem um lugarzinho ao Sol. Não humilhem ninguém para não serem humilhados, Não firam ninguém para não serem feridos! e ai vai! Parabéns Cel do Agreste e Anonimo do dia 13 Nov 10:44hs. Nossos aplausos

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