O general reformado do Exército Augusto Heleno Ribeiro, de 72 anos, deixou de vez no cabide a farda de militar de
bastidor. Na semana passada, seu estilo político agressivo ficou mais em evidência e Heleno virou figura em ascensão do bolsonarismo nas redes sociais. A nova postura do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) surpreendeu antigos companheiros de quartel, que sempre o consideraram um nome da estratégia, do consenso e da moderação.
Ao aparecer ao lado do então candidato à Presidência Jair Bolsonaro, em 2018, Heleno ajudou a vencer a resistência ao nome do ex-capitão nas Forças Armadas. Os oficiais refratários a Bolsonaro avaliaram que o general poderia segurar possíveis rompantes do presidente.
Nos últimos dias, porém, Heleno passou a ocupar a linha de frente da guerra contra a imprensa e a esquerda, alimentada pelo bolsonarismo. O último embate o deixou exposto a críticas, inclusive da caserna. No último dia 31, em entrevista ao Estado, o general comentou a defesa feita pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, de um “novo AI-5” para conter eventuais distúrbios de rua. As declarações levaram Heleno a ter que se explicar na Câmara.
Decretado em 13 de dezembro de 1968, o Ato Inconstitucional n.º 5 foi a mais dura medida da ditadura militar (1964-
1985). Autorizava o chefe do Executivo, sem apreciação judicial, a fechar o Congresso, intervir nos Estados e
municípios, cassar mandatos de parlamentares, retirar direitos políticos de qualquer cidadão e suspender a garantia de direitos como o habeas corpus.
Heleno teve de se explicar. Na Câmara, disse que jamais pensou em resgatar o AI-5, mas adotou um tom agressivo com
deputados da oposição em audiência na Comissão de Integração Nacional e partiu para ataques nas mídias sociais.
Criticado pela atitude radical, Heleno não recebeu apoio público de nenhum nome de destaque das Forças Armadas, nem
do presidente.
No Planalto há quem diga que sua postura está relacionada à sobrevivência política em um governo com alto grau de
belicosidade. Foi isso que levou o ministro do GSI a se reinventar, mais uma vez.
Oficiais-generais da ativa e da reserva receberam com preocupação o comportamento do companheiro, que é querido e
respeitado na área. Consideram que Heleno “exagerou” e “perdeu o tom” ao partir para o enfrentamento político, ao estilo dos filhos do presidente. A avaliação é a de que o ministro foi “engolido” pela guerra palaciana ao se associar à militância, e dá sinais de esgotamento na missão de seguir cada passo de Bolsonaro. A sugestão é que ele deveria se preservar em nome da biografia.
Na redemocratização, Heleno construiu um perfil de general de boa relação com a imprensa. Ao comandar o Centro de
Comunicação do Exército, foi reconhecido pela melhoria da imagem do Exército, afetada pelo período militar. O general soube usar a mídia a favor da Força Terrestre, abrindo os quartéis e mostrando o trabalho para o público externo, aproximando-a da sociedade. Repetiu o gesto quando foi comandante militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) e chefiou o Comando Militar da Amazônia. Foi na Amazônia que Heleno entrou em confronto com a esquerda. Ele classificou a política indigenista do governo de Luiz Inácio Lula da Silva como
“lamentável, para não dizer caótica”.
Confronto
Até o meio do ano, Heleno usava pouco as mídias sociais. Em agosto, abriu conta no Twitter. Já alcançou 230 mil
seguidores, 20 mil a mais que o guru bolsonarista Olavo de Carvalho, que tem 210 mil, e quase empatando com o
presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O deputado tem 234 mil seguidores.
Após declaração sobre o AI-5, Heleno foi chamado por Maia de “auxiliar do radicalismo do Olavo”. Em reação, o
general subiu o tom nas postagens contra a imprensa.
Também durante a audiência na Câmara, na semana passada, Heleno teve de responder por outro momento vivido no
centro do poder. Em 1977, o capitão recém-promovido assumiu a função de ajudante de ordens do então ministro do
Exército, Sylvio Frota, período que marcou sua vida.
Defensor fervoroso dos ideais do regime, Frota discordava da distensão proposta pelo presidente Ernesto Geisel, a quem sonhava suceder. Acabou demitido em 12 de outubro de 1977. O grupo de Frota ensaiou um levante. Mais de cem
oficiais foram exonerados e transferidos para quartéis distantes de Brasília. Heleno sempre minimizou sua participação no episódio, que já classificou como “irrelevante”. Lembra que tinha apenas 30 anos na época. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
UOL/montedo.com
Respostas de 14
Bom…estas análises de jornalistas sobre a caserna são o mesmo blá blá blá inconsistente de sempre! O que eu vi, nestes décadas após o fim do período militar, foram generais preocupados, unicamente, com promoções e mordomias, ou seja, com o próprio umbigo, enquanto seus subordinados ficaram oito anos sem reajuste algum e perderam inúmeros direitos que as PMs mantêm até hoje (período FHC). Também vi um enorme puxasaquismo e subserviência de quem devia nos representar enquanto nossos proventos eram corroídos pela inflação frente as esmolas dadas pela turma do cachaceiro. Outro fato visível, neste doloroso período, foi o sucateamento das forças armadas: aeronaves não voando por falta de peças…embarcações paradas…falta de combustível…comida e até munição! Ladeira abaixo nos governos civis! Também vi o silêncio, e porque não dizer, a falta de PATRIOTISMO diante da imensa roubalheira promovida pelos governos de esquerda! Ninguém se pronunciou enquanto uma quadrilha saqueava os cofres públicos! Uma vergonha e covardia, travestida de “respeito às instituições” que faria Caxias, Osório e outros bravos corarem de vergonha de quem os sucederam nestes tempos de “democracia”! Estou na reserva e sou, infelizmente, mero telespectador do que o Brasil se tornou nos últimos anos! Continuo meu trabalho como professor e tento mostrar aos meus alunos como devem se preparar para cenários cada vez mais difíceis neste país: avanços tecnológicos e desemprego massivo! O pior ainda virá! Quanto ao General Heleno, e suas atitudes, digo que assisti uma palestra dele, no Rio de Janeiro, e vi que teve a coragem de descrever o que ocorria na Amazônia. Tem o meu respeito pois os seus pares só se serviram do silêncio…
Parabéns. Você descreveu perfeitamente a realidade dos nossos generais. Subscrevo sua análise e não espero de nenhum deles qualquer atitude que tenha por base a coragem e a altivez.
Gostaria muito que tivessem mais generais desse porte no Brasil. General Heleno é um verdadeiro combatente.
CORRETO
ESTA PARECENDO DESINFORMAÇÃO
O blog esta estranho, muito estranho.
Até aqui tem puxa-saco…
Não…não tem puxa saco aqui! Escrevi o primeiro comentário sobre o que vi nestes anos após o período militar! O que vejo aqui, na sessão de comentários do Montedo, são salafrários esquerdistas, como você, sempre prontos a atacarem quem defende o governo de Bolsonaro ou qualquer um que seja contrário à ideologia assassina a qual você pertence! Espero que seja muito infeliz na sua vida medíocre!
Da cabeça de quem partiu essa análise que o alto comando está desconfortado com as declarações do Gen Heleno, que sempre disse o que pensava baseado em conhecimento e fatos. Gen Heleno não foi chamado para dar explicações sobre A1 5.
esse montedo mais parece uma melancia- verde por fora e vermelho por dentro. e o pior é natural da minha cidade -Cruz Alta- que coisa feia. todo muindo sabe que esse estadão é um antro de comunistas podres. e não adianta chiar seu montedo, porque cruzaltense também sou.
ele teve que se reinventar para sobreviver nesse governo louco
General Heleno, meus agradecimentos ao sr por defender não somente as FFAA e o governo democraticamente eleito, mas também o Brasil!
Vi o vídeo em que o sr coloca no devido lugar os esquerdiotas de plantão que tentaram desmoralizá-lo.
Matéria do UOL/Estadão sempre depreciativa e cheio de viés político com ideologias de esquerda.
Sempre com aquele tom de NÓS CONTRA ELES.
Continue a defender os brasileiros de bem General, estamos todos com o Sr.
Brasil acima de tudo!
O Brasil não mudará se esperar ações positivas do congresso e do stf, por passeatas e eleições. Como estamos assistindo ao nosso redor na América do Sul, as verdadeiras mudanças virão somente com violência e o derramamento do sangue daqueles que trabalham a favor da impunidade e da corrupção.
Como existem cérebros de ameba, que em qualquer comentário, qualquer assunto, não importa a fonte, já saem chamando o autor, ou a fonte, ou quem fez o comentário, de comunistas, esquerdistas, etc etc etc. Mas vão achar um pátio para capinar, vão abrir essa cabeça blindada em que não entra nada, vão aprender a viver numa democracia, onde a opinião é livre, e devemos respeitar. Nosso caro Montedo, seguidamente é chamado de “melancia”, pelo simples motivo de publicar matérias que falam a verdade, ou perto disso. Claro, esses leitores são como o gado fardado, que não querem enxergar a verdade, mas apenas o que lhes interessa.
Marcos.
Criticar o General Heleno é muito suspeito. Da parte de quem quer que seja.