Bolsonaro amplia presença de militares em 30 órgãos federais

O presidente do STM, Marcus Vinicius Oliveira dos Santos, coloca faixa em Jair Bolsonaro em
cerimônia de comemoração ao aniversário da Justiça Militar da União - Pedro Ladeira - 28.mar.19/Folhapress

Ao menos 2.500 membros das Forças Armadas ocupam cargos de chefia ou no assessoramento em ministérios e repartições

Camila Mattoso
Ranier Bragon
BRASÍLIA

Em seus primeiros nove meses na Presidência, Jair Bolsonaro já ampliou em ao menos 325 postos o número de militares, da ativa e da reserva, que participam da administração federal.
Além dele —capitão reformado— e do vice, o general Hamilton Mourão, e de 8 de seus 22 ministros, há ao menos 2.500 militares em cargos de chefia ou assessoramento, em uma curva ascendente iniciada sob Michel Temer (2016-2018) —que rompeu com a simbólica prática de governos anteriores de nomearem civis para comandar o Ministério da Defesa.
A Folha obteve as informações por meio de pedidos da Lei de Acesso à Informação enviados a mais de cem órgãos federais, incluindo os ministérios e principais estatais, como Embratur, Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco) e Casa da Moeda.
Em pelo menos 30 houve ampliação do número de militares em relação a Temer. Em apenas 4 houve redução. Alguns não responderam ao pedido.
A ampliação de fardados em funções ocupadas eminentemente por civis após o fim da ditadura militar (1964-1985) foi mais expressiva em pastas próximas a Bolsonaro, como o Gabinete de Segurança Institucional, que passou de 943 para 1.061 militares. Na Vice-Presidência, houve salto de 3 para 65.
Outras também tiveram crescimento relevante. No Meio Ambiente, responsável pelo mais recente desgaste do governo, o número de militares foi de 1 para 12.
O Ministério da Justiça, comandado por Sergio Moro, quase dobrou o seu contingente verde-oliva —de 16 para 28. Por ordem do general Guilherme Theophilo, secretário nacional de Segurança Pública, os militares da pasta devem ir fardados toda quarta-feira.
Pela manhã, pontualmente às 8h45, eles se perfilam para a execução do Hino Nacional. A solenidade, conhecida como formatura, é comum apenas em unidades militares.
Meio-ambiente Chefe de gabinete do ministro e assessorias estão entre os cargos ocupados pelos militares
Secretaria do governo Todos ocupam cargos de confiança
Secretaria-Geral da Presidência Maynard Marques de Santa Rosa, secretário especial da pasta, foi exonerado de um cargo no Exército no governo Lula por criticar a Comissão Nacional da Verdade
GSI Pasta tradicionalmente ocupada por militares, por envolver segurança institucional
Há 325 militares a mais no governo Bolsonaro, entre ministros e assessores

A Folha ouviu ex-ministros da Defesa e especialistas.
Em linhas gerais, avaliam que o governo Bolsonaro recorreu à caserna menos pela afinidade do presidente com os militares e mais pela quase absoluta falta de estrutura partidária e política dele, que foi um deputado de baixíssima expressão na maior parte de seus 28 anos de Congresso Nacional.
“Ele sempre foi uma espécie de sindicalista parlamentar voltado para as Forças Armadas, sobretudo os escalões mais intermediários e baixos, além de policiais. Obviamente tem uma visão ideológica por trás, mas, quando ele chega ao governo, onde vai buscar estrutura? Nas Forças Armadas”, afirma Raul Jungmann, que foi ministro da Defesa e da Segurança Pública de Temer.
“Elas [Forças Armadas] hoje têm um programa de formação de quadros que eu reputo entre os melhores do mundo. A gente não tem a tecnologia, o dinheiro, mas em termos de formação eles são muito exigentes”, diz o ex-ministro.
“Esses presidentes que chegam ao poder sem uma estrutura partidária consolidada, de apoio, tendem a fazer esse movimento. O primeiro é diminuir o número de ministérios, até pela falta de quadros capacitados. A dimensão do autoritarismo é muito flagrante no governo atual, mas tem essa outra dimensão que é o despreparo, não só do presidente, mas uma ausência dos quadros ao seu redor”, reforça o historiador Carlos Fico, professor da UFRJ.
Sobre as consequências da “invasão verde-oliva” em cargos eminentemente civis, Jungmann diz não ver maiores problemas.
Fico ressalta a discrepância entre a lógica da caserna e da administração pública.
“Esse ethos militar seguramente não é familiar e frequentemente não é compatível com o ambiente de gestão mais democrática. Esse é um dos prejuízos. Existe também um certo mito de que os militares seriam bem preparados. O fato é que eles são preparados nas escolas militares, que têm um componente ideológico muito forte e muito negativamente forte, que ainda ressoa aquele ambiente da Guerra Fria.”
Para Aldo Rebelo, que foi coordenador político do governo Lula (2003-2010) e ministro da Defesa de Dilma Rousseff (2011-2016), o maior prejuízo pode ser para a imagem dos militares.
“O problema que vejo é que isso possa parecer um aval das instituições militares a políticas de governo, algumas das quais eu sei que eles não estão de acordo, como a política externa.”
No fim de janeiro, o cientista político Octavio Amorim Neto, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape), da FGV, publicou artigo em que manifestava preocupação com a ameaça de perda de controle civil sobre os militares.
“O referido controle é uma condição necessária de um regime democrático. Não há democracia quando as Forças Armadas vetam decisões governamentais que não digam respeito à defesa nacional”, escreveu à época.
Agora, afirmou à Folha que a demissão do general Santos Cruz da Secretaria de Governo é um exemplo de limite político estabelecido por Bolsonaro aos seus antigos colegas de caserna. Mesmo assim, há um enfraquecimento desse controle, em sua visão.
“O Ministério de Defesa é, em qualquer lugar do mundo, o principal instrumento de controle dos militares pelos civis. O simples fato de estarmos há quase 20 meses sem um civil à frente do ministério é evidência suficiente da erosão do referido controle.”
O Ministério da Defesa afirma que os militares “podem contribuir com suas sólidas formações e experiências nas atividades e funções julgadas necessárias e oportunas pelos gestores públicos, desde que guardem consonância com suas competências”.
A pasta diz que o número de militares da ativa em funções da administração pública não é representativo e que uma das atribuições subsidiárias das Forças Armadas é cooperar para o desenvolvimento regional.
O Gabinete de Segurança Institucional diz que o crescimento de militares no órgão se deve ao aumento do nível da segurança prestada ao presidente, vice-presidente e familiares, que são em maior número em relação a 2018.
A Secretaria-Geral afirma que o número de militares da ativa na administração permanece estável em relação ao governo passado. “A contribuição dos militares é relevante na medida em que possuem formação e experiência nas áreas em que atuam”, diz.
O Incra (órgão da reforma agrária) alega que o aumento do número de militares foi uma decisão de gestão do atual governo.
Minas e Energia afirma que as nomeações levam em conta a meritocracia, independentemente da origem civil ou militar.
Ciência e Tecnologia diz que os militares, assim como os outros servidores, foram selecionados por suas qualidades técnicas.
FOLHA DE SÃO PAULO/montedo.com

Respostas de 38

    1. Só oficiais em cargos. Um sub oficial da aeronáutica que tinha cargo foi exonerado por ter comentado sobre a pl 1645 . farinha pouca meu PIRAO primeiro

  1. ministerio da defesa com civil? um comunista, um pelego, um trapaceiro, e por ai foram varios ministros. Militar? bem esses ai fazem manter o topo da piramide…..ta dificil concorrer com a realidade…

  2. Bolsonaro nunca mais
    Votei nele e fiz campanha cheguei a discutir com minha família por causa dele e me arrependo. Este PL é o símbolo do desamparo para os praças
    Bozo nunca mais

    1. Não votei mas estou satisfeito. Se não fosse ele jamais seria proposta uma reestruturação das carreiras das FFAA.

      Felizmente o PL foi proposto e será aprovado em breve.

  3. Até agora tudo mundo está igual jacaré esperando capivara…todos de olho no PL! Esquecem que é PROJETO e pode ser muuuito modificado ou mesmo nem ser aprovado…esquecem da enorme defasagem de nossos proventos frente à inflação! Algo em torno de 30%

    1. Quando era o Lula e a Dilma,eram a “petezada”! Hoje,com o Bolsonaro ,a equipe é verde-oliva. Amanhã,se o Luciano Huck for presidente,teremos a rede Globo no comando! Realmente é pra chorar de tristeza!

  4. O Brasil um país com mais de 200 milhões de habitantes, não é possível que não haja por aqui cidadãos honestos, capacitados e acima de tudo patriotas. Militar não consegue nem administrar um aquartelamento, são péssimos líderes, tantas licitações com problemasve não podemos tapar o sol com a peneira. Agora temos um governo cooptando militares para os postos de 3º, 2º e 1º Escalões, essa história de trazer os militares para o governo ocorreu na vizinha VENEZUELA, quando o homem surge como salvador da pátria a nossa experiência não é boa, vide LULA. Milhares de militares recebem cargos e pomposos salários e de quebra aqueles que não foram contemplados nesta festa receberão via PL um agrado no mínimo controverso.

  5. General está igual urubu na carniça. Mente fechada desse governo, perderam os graduados, na próxima eleição que se elejam com os votos dos oficiais.

  6. BRAGA precisa assumir alguma carteira no governo com seus altos estudos e profundo conhecimento em todos assuntos.
    sugiro Ministério da Defesa
    para defender os interesses da Marinha do Brasil.

    Mentiroso de carteirinha.

  7. Caro Montedo, acompanho seu ótimo trabalho desde o início! E muitas das vezes você falava de militares na política e quê tínhamos de apoiar esse projeto! Hoje vejo quê foi a pior coisa que fizemos. Eu ainda verei o nobre camarada concordar comigo! Forte abraço!

  8. serão 4 anos para os Oficiais levantarem a pipa

    fazer dinheiro para o futuro de si e seus familiares

    aproveitem bem seu ótimos salários

    da pra juntar uma boa grana nesse periodo

    1. Será um excelente ministro, experiência tem de sobra no quesito viagem. Conhece o Brasil e o mundo ao lado do presidente. E como o Presidente falou: os Ministros serão pessoas capacitadas e experientes.

    2. Só vive viajando mesmo…fazendo turismo com o dinheiro do contribuinte…fico pensando…em um país pobre como o nosso…centenas de deputados federais e estaduais…milhares de vereadores…milhares e milhares de assessores…tudo pago como o dinheiro dos pesados impostos…Para que servem os políticos mesmo?

  9. Vamos ver o resultado disso. Órgãos civis não são quartéis e o que muitos estão acostumados é a produção de burocracia e ordens. O governo atual está tendo a chance de ouro, talvez única, da história brasileira, assim como o Lula teve representando os trabalhadores,de ter o “leite, o queijo e a faca”. Vamos ver qual a qualidade do produto final.

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