Dados indicam aumento no consumo, posse e tráfico de drogas por militares

Ministro do Superior Tribunal Militar, José Barroso Filho, dá palestra sobre o tema na Unimes (Carlos Nogueira/AT)

Tráfico e posse de entorpecentes ilícitos entre esse público cresceram 700% de 2010 a 2018, segundo o Centro de Estudos Judiciários

Eduardo Brandão
Santos (SP) – A Justiça Militar da União pretende fechar o cerco à escalada do consumo, posse e tráfico de drogas por membros das Forças Armadas Brasileiras. Dados do Centro de Estudos Judiciários indicam que o número de militares acusados por esses crimes aumentou 700% entre 2010 e 2018.
Trata-se do segundo tipo de transgressão mais comum analisada pela corte especializada, perdendo apenas para o delito deserção (quando o integrante se ausenta do local de trabalho por mais de oito dias). Nesse caso, a pena é de 6 meses a 2 anos de detenção.
A aplicação de penas mais severas aos militares que pratiquem esses delitos foi comentada nesta sexta-feira (20) pelo vice-presidente do Superior Tribunal Militar (STM), o ministro José Barroso Filho. Ele participou do primeiro Congresso de Direito Militar da Baixada Santista, organizado pela Universidade Metropolitana de Santos (Unimes) em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil – Santos (OAB-Santos).
“A presença de drogas ilícitas nas Forças Armadas compromete a espinha dorsal, que é exatamente a hierarquia e a disciplina militares”, afirma o ministro.

Sem condescendência
Segundo ele, pouco mais de um em cada 10 processos recebidos nas Justiça Militar (11%) é relacionado a entorpecentes.
O rigor da Justiça Militar sobre o tema ocorre em meio à descriminalização do uso de entorpecente, tratado por lei como questão de saúde pública – a posse de drogas para consumo próprio prevê medida educativa. “Em relação aos usuários [militares], não há condescendência. São mais de 90% dos casos que se aplicam condenação”.
O Código Penal Militar estabelece pena de reclusão de 1 a 5 anos para casos tipificados de crimes de tráfico e porte em ambiente militar. “Quando se constata tráfico de drogas, os militares são severamente punidos desde o inquérito [investigação]”.

Escolas militares
Barroso Filho também avaliou proposta do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de ampliar o número de escolas militares no país.
Segundo ele, é preciso caminhar para “um novo modelo de ensino que desafie o aluno, para que ele possa construir soluções sozinho e em grupo”.

Números de processos
De acordo com o STM, 1.324 casos suspeitos de envolvimento de militares com tráfico, uso ou posse de drogas foram analisados entre 2010 a 2018. Do total, 656 foram condenados. Até maio, a Justiça Militar já possuía 69 processos. O caso mais emblemático ocorreu em junho passado. O segundo sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues foi detido no aeroporto de Sevilha, na Espanha, por transportar 39 quilos de cocaína na bagagem. Comissário de bordo em voos da Força Aérea Brasileira (FAB), ele costumava fazer a rota de avião do presidente em viagens longas.

Unimes terá disciplina
A Unimes finaliza os últimos detalhes para incluir a disciplina Direito Militar em sua grade. A cadeira é inédita na formação jurídica no Brasil. “Apesar da Justiça Militar ser a mais antiga no País, essa capacitação não está no curso de Direito e nem cobrado no Exame de Ordem”, destaca a docente da instituição, Luciana Formaggio.
Segundo ela, a atual formação faz com que o aluno de Direito saia da graduação sem nenhum conhecimento de Justiça Militar. “Falamos de dois milhões de brasileiros, que convivem com essa matéria. Há um campo para o advogado atuar”.
O coordenador do curso de Direito da Unimes, o desembargador Ramon Mateo Junior, destaca que a formação terá início de forma optativa. “Vai enriquecer muito [a formação], pois o Direito militar transcende os que ingressaram na carreira militar”.

O que é
A Justiça Militar da União é um dos ramos do Poder Judiciário, especializada no julgamento de crimes militares. Os membros das Forças Armadas têm os delitos analisados por essas cortes apenas se cometeram crimes durante atividade profissional.
Civis também são alvo de ações no fórum especializado se cometerem atos contra instituições militares brasileira.
A Tribuna/montedo.com

Respostas de 8

  1. Hoje em dia a regra da mídia de esquerda é atacar militares e atacar o presidente, quando não é um é o outro, todo dia, a cada 10 matérias pelo menos 5 tem esses dois temas.
    Isso só reforça que o Brasil tomou a melhor decisão certa nas eleições, e os ladrões e corruptos estão caindo cada dia mais e mais.

    1. Matéria para a esquerdalha se divertir. Aumentou nos governos anteriores, mas a Justiça Militar não é mimimi. Lá, senta no pinico. Espero que as penas sejam as máximas nesses julgamentos. Falta incluir exame toxicológico nos militares antes de serem admitidos e esporadicamente, em toda tropa. O militar paga prte do exame, como é comum, menos o recruta. Esse fica curto período, seria só na convocação, doando sangue, inclusive, para o bem dos bancos de sangue. Os estoques ficariam providos por um bom tempo durante o ano. Quanto à matéria, Justiça Militar, deve ser bom para quem vai prestar concurso para a própria instituição e formar melhor o aluno nas leis próprias, como Estatuto e leis Administrativas, como as que tratam de vencimentos. Muitos direitos existentes foram tirados dos militares, pelos próprios Comandos Militares, que ficam a mercê de perseguições e de ordens absurdas para que não ingressem na justiça. Foi assim no Soldo Legal, na 8.852/94, na Medida Provisória eterna de 2001, esta, a mais danosa e absurda, além do porte de arma dos oficiais da reserva.
      São garantias Constitucionais e previstas no Estatuto dos Militares, cláusulas pétreas, mas que, por serem punidos, caso ingressem na ativa, ficam com medo e só vão requerer na passagem para a reserva, muitas vezes precluindo o prazo legal de direito. Espero que o ensino seja, mesmo que optativa, dedicado à profundidade das normas, para que esses alunos interessados possam chegar com base sólida nas demandas. Falta mudar a mentalidade dos Comandos Militares, também. Requerer um direito não é ir contra a instituição, mas estar dentro da legalidade para com ambos, Militar e Servir Militar.

  2. Quem sabe assim haverá mais advogados dispostos a defender ações para militares. Situações mais simples que tentamos entrar na Justiça e é difícil encontrar um advogado que presta para tal. Uma vez, uma advogada me falou que tinha vontade de fazer um curso direcionado a causas militares, fazia inscrição mas não era chamada. Só iam os “peixes”.

  3. A verdade é que o indivíduo já entra para prestar serviço, principalmente o obrigatório, viciado em drogas. Depois passa a ganhar dinheiro levando drogas para os colegas. Todo mundo que foi recruta sabe disso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *