Existe um pacto secreto entre Bolsonaro e o Exército?

Jair Bolsonaro atende a cerimônia de graduação na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende. (PAULO WHITAKER/REUTERS)

A aposta arriscada do Presidente de militarizar o Governo e o Estado pode ser uma faca de dois gumes

Juan Arias
Ainda se escreverá muito sobre o cara e coroa da forte presença militar no governo de Jair Bolsonaro que pode superar a dos governos da ditadura. Por enquanto, são especulações. Será positivo ou negativo ao Brasil? Essa convergência da presença militar e religiosa, a cruz e a espada, em uma presidência consagrada nas urnas, teria todos os elementos para aparecer como um retrocesso dos governos progressistas do Partido dos Trabalhadores. E até um perigo aos valores democráticos.
Há, entretanto, quem comece a observar que os generais presentes no governo podem significar uma garantia democrática contra os arroubos autoritários de Bolsonaro e seus filhos que parecem querer governar com ele. É o que acha, por exemplo, Jair Krischke do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, que afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que “o equilíbrio para a observância dos princípios democráticos está vindo dos militares”.
Frente ao silêncio, por exemplo, do Presidente e do ministro da Justiça, Moro, sobre o caso da suposta corrupção que ronda o senador eleito, Flávio, o filho mais velho do Presidente, foi o general e vice-presidente do governo, Hamilton Mourão, que falou mais claro. Mesmo insistindo que ainda “não se trata de um caso do Governo”, e sim pessoal do senador, interrogado dias atrás pela GloboNews, foi taxativo: “Se há crime que seja julgado de acordo com a lei”. E acrescentou: “Qual é a grande glória da democracia? A lei. A lei é fundamental no sistema democrático. E mais, a lei serve para todos”.
Por sua vez, Leonardo Sakamoto, doutor em Ciências Sociais e Conselheiro da ONU na luta contra o trabalho escravo, disse ao correspondente da RFI de Genebra, Rui Martins, sobre o fato de que os militares que entraram no governo se mostram mais preocupados com a Constituição do que os civis. Segundo ele, “se por um lado preocupa (essa grande presença do Exército), já que a sociedade elegeu um governo civil e não militar, por outro, e isso é o mais interessante, boa parte dos militares escolhidos por Bolsonaro parece mais moderada, racional e atenta em seguir a Constituição do que alguns ministros civis”. E cita entre estes últimos os da Educação e das Relações Exteriores que, afirma, “deram declarações e escreveram textos preocupante em relação aos direitos da coletividade”.
Bolsonaro sem dúvida soube jogar para chegar à presidência derrotando a esquerda com as duas preferências da sociedade como o são o Exército e a Igreja que aparecem, diante da crise da política, como as duas instituições mais confiáveis à maioria dos brasileiros. As duas realidades, a militar e a religiosa, servem por sua vez ao novo Presidente como escudo e garantia contra a mediocridade de sua biografia.
O presidente alertou seus seguidores que seu fracasso significaria “a volta de Lula e do PT ao governo”. Para evitar esse possível fracasso, o ex-paraquedista Bolsonaro se blindou no governo com a cúpula militar. Hoje o Exército está presente não somente em quase um terço dos ministérios como conta com 45 membros, entre eles 18 generais e 11 coronéis, espalhados em 21 áreas de infraestrutura que lidarão com bilhões de orçamento. Algo que não aconteceu sequer durante os governos da ditadura. Os militares, a partir dos governos de FHC, saíram pela primeira vez até do ministério do Exército, que passou ao controle de um civil. Eles voltaram aos quartéis.
Para Bolsonaro, a aposta arriscada de militarizar o governo e o Estado pode ser uma faca de dois gumes. Mas também pode ocorrer o mesmo aos militares. Ao aceitar uma presença tão maciça em um governo saído das urnas, um fracasso comprometeria também sua credibilidade diante da sociedade. Eles sabem, como o presidente, que neste caso eles também ficariam expostos e em evidência diante da sociedade. E a esquerda, muito provavelmente, voltaria a governar. Uma possibilidade tão temida por eles que, para evitá-la, apoiaram abertamente Bolsonaro para chegar ao Planalto.
Ficará, de fato, para a história a famosa publicação no Twitter de 18 de setembro de 2018, do à época comandante do Exército, Villas Boas, às vésperas de uma decisão crucial do STF sobre a possibilidade de colocar Lula em liberdade. Nela, o comandante lembrava que o Exército “repudiava a impunidade” e que “estava atento às suas missões institucionais”. O Supremo deixou Lula na cadeia e o Supremo Tribunal Eleitoral o impediu de ser candidato ao aplicar contra ele a lei da Ficha Limpa. O presidente Bolsonaro teve o caminho aberto. Já eleito presidente, agradeceu a Villas Boas pela publicação com essas palavras: “O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”. E acrescentou enigmático: “O que conversamos morrerá entre nós”.
Esse possível pacto secreto, quase de sangue, que o presidente Bolsonaro e o Exército, dizem, levarão para a tumba, é o grande enigma do novo Governo direitista. De acordo com Bolsonaro se trata de uma “nova era” para o Brasil. Ninguém, entretanto, ainda se atreve a prognosticar seu fim e o que isso poderia significar. Será cara ou coroa?
El País/montedo.com

Respostas de 18

  1. El País?? Eles sabem onde fica o Brasil? A maioria de estrangeiros acha que a capital do Brasil é Bogotá. Se teve ou não pacto, o importante é que foi, e será, uma vassourada nos “ratos” instalados pelo PT. Os generais ao declararem publicamente o alerta sobre a soltura do marginal Lula, impediram uma convulsão social que haveria com a liberdade dele, e a situação seria mais grave com a participação das Forças Armadas e garanto que a maioria dos brasileiros os apoiaram. Bolsonaro e os militares estão tendo, talvez, a única oportunidade de acabar de uma vez, com as aspirações socialistas no país.É hora de mostrar trabalho bem feito, sem ligar para os invejosos.

  2. O pacto que tem é a falta de referência intelectual do presidente que se resume ao meio militar, que ele deixou à passos largos, com uma pitada de clamor religioso difuso e discurso nacionalista, de soberania Nacional e anticomunista. É uma pessoa de reduzida capacidade intelectual que toda hora muda de opinião após feitos o estrago.

  3. Só se for para terminar o trabalho que o FHC, e o PT começaram. Estamos de Pires na mão. Falta tirar o Pires e arrancar a mão. Francamente…O pacto deve ter sido com o judiciário, que furou a fila e já recebeu.

  4. Hoje eu pergunto aos camaradas graduados se o clamor explessado por muitos querendo militares no poder está atendendo os anseios da família militar?

    1. TE RESPONDO QUE NAOOOO

      SOMENTE OS OF GENERAIS DAS 3 FORÇAS ESTÃO SENDO BENEFICIADOS

      JA FORAM 40 NOMEAÇÕES NOS 1, 2, e 3 escalão

      salarios 20,,25..30..35 mil

      serao 4 anos nessas boquinhas ricas,,,pouponça para vida toda

      em apenas 24 dias de governo.

      suas famílias estão bem ,,

      enquanto a tropa sofre sofre,,,sem perspectivas boas

      so vem bomba..35 anos ,,,7,5% para 11% etc etc

  5. Cadê nosso aumento? Adorei não ver a esquerda no poder…mas esta história de que vale qualquer sacrifício, inclusive entrar na “reforma da previdência” e não ter aumento salarial, não cola! A família militar esta empobrecida e não pode esperar mais! Se não for agora…quando será?

  6. Anônimo no 24 de janeiro de 2019 a partir do 21:11, como é que você pode afirmar que foram só graduados que clamaram? Outra coisa, você acha que o Haddad e PT fariam alguma coisa melhor? Deixe de ser ingênuo! Ou quer nos fazer de ingênuo?! Particularmente, acho que está tudo preparado para “passarem a perna no Bolsonaro”. Pode ser até agora nessa cirurgia.

  7. A pergunta que ninguém responde, pq a mídia bate tanto nas únicas instituições que sustentam ainda esse país? Quem paga essas mídias? quais os interesses? Grupo globo, Grupo Abril…. Eu achei que jamais viria uma luz no fim do túnel… Espero que um dia esteja vivo pra ver o grupo Abril e o grupo Globo fecharem as portas……

    1. Ao longo da História? Beleza. Mas é tudo de uma vez assim, já teve ? E ainda querendo ferrar com a classe e não ajudar? Já teve isso lá?

  8. “Farinha pouca, meu pirão primeiro!”
    Acho um exagero o número de militares nomeados para os diversos escalões do novo governo, se antes os “severinos” atuavam em troca de uns trocados, “$representação$, pagos a duras penas e depois de muito tempo, melhor nem citar diárias, porque isso não é para praças, agora de terno e gravata a elite dos “severinos” receberá de imediato e poupudas quantias. Para finalizar, quem carrega e por vezes toca o piano, ou seja o praça, será novamente duramente penalizados por essa mudança prevista, uma vez que cortar na própria carne é característica dos homens e mulheres de farda. Uma última coisa, não a conheço, mas acho que merece um lugar nesse governo é a Sra. KELMA COSTA, justiça seja feita de alguma forma, essa sim já fez mais por nós do que todos esses nomeados juntos!

  9. Governo bom pra esses jornalistas canhotos e comunistas dos infernos era do Luladrão e de Dilmanta cheio de guerrilheiros, corruptos, incompetentes e desqualificados.
    Ose filhos de Luladrão enriqueceram e esses lixos ficaram em silêncio.
    Mil vezes militares que têm competência do que um bando de facínoras e avidos pelo dinheiro público. MAVs e melancias ,lula tá preso babacas.

  10. Como é que é ??? “governos progressistas do Partido dos Trabalhadores” ??? Quer dizer então o Socialismo e Comunismo é PROGRESSO ??? Aff !

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