O ‘efeito Bolsonaro’ e os militares fora da bolha

Desde que criei o Blog, em 2009, empenhei-me em divulgar massivamente as candidaturas ligadas às Forças Armadas, sem sucesso algum. Definitivamente, é malhar em ferro frio. Em sua imensa maioria, a classe fardada não tem e não deseja ter cultura política. Os militares profissionais habituaram-se a viver numa bolha: seus dias são nos quartéis, vivenciando uma realidade própria; cultivam amizades apenas com colegas de farda; moram em vilas militares; sua vida social é restrita aos clubes militares. É óbvio que as características da profissão induzem a esse insulamento, mas é a acomodação a esse estado de coisas que o faz parecer intransponível.

Congressistas de ‘Nárnia’
Exemplo claro dessa dissociação com o ‘mundo exterior’ é um questionamento que sempre ocorre nas eleições municipais, quando divulgo os candidatos a vereador: ‘para que vou votar em vereador, se os militares são subordinados ao executivo federal?’. Quem assim pensa deve acreditar que senadores e deputados materializam-se no Congresso, vindos de Nárnia ou de uma galáxia distante . Nada entendem do sistema político brasileiro.

Sem retaliação
O cenário desta eleição é distinto dos anteriores. Estimulada pela ascensão de Bolsonaro, desta vez a mobilização em torno de candidaturas de militares veio de cima para baixo e generais da reserva trataram de colocar os postulantes ‘em forma’. De imediato, vislumbro aí um efeito benéfico no pós-eleição: não deverão ocorrer as tradicionais transferências compulsórias dos ex-candidatos, tão logo retornem ao serviço ativo, como tem acontecido há décadas.

Chances? Desta vez, sim.
Desta vez há, sim, chance de que um ou outro representante das Forças Armadas chegue ao Congresso. Mas essa possibilidade se restringe aos poucos que conseguiram ‘sair da bolha’ e levar sua mensagem ao eleitorado civil. Os demais, ficarão à espera dos votos dos colegas de farda. Sentados, para não cansar.

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