Se Bolsonaro vencer, general Pujol deve ser o Comandante do Exército

O general Edson Leal Pujol, apontado como substituto natural de Eduardo Villas Bôas no comando do Exército – Pedro Ribas – 23.mai.2016/ANPr

General que defendeu manifestações contra políticos é visto como sucessor de Villas Bôas
Edson Leal Pujol é citado como ‘democrata’ para os padrões militares e tem boas relações com Bolsonaro

BRASÍLIA
Rubens Valente
O general-de-exército Edson Leal Pujol, 63, é considerado por oficiais como o nome natural para substituir o comandante do Exército, Eduardo VillasBôas, 66, que avisou que deixará o cargo em dezembro próximo. Ex-comandante das forças da paz da ONU no Haiti, Pujol apareceu no noticiário em setembro do ano passado quando, durante uma palestra, instou as pessoas a fazerem manifestações de rua contra a situação política do país.
Em fevereiro passado, após uma solenidade no Palácio do Planalto, Villas Bôas confirmou a um grupo de jornalistas
que deixará o cargo em dezembro. Ainda não está claro se o processo de transição será feito no governo Michel
Temer ou se será adiado para janeiro, para coincidir com a posse do novo presidente da República.
Não há uma regra escrita detalhada sobre o processo de escolha do nome do comandante, cuja decisão final cabe
ao presidente da República. É apenas determinado em lei que cabe ao ministro da Defesa encaminhar ao presidente
o nome do indicado ao cargo, privativo de um oficial general no último posto da Força.
Nos seus dois mandatos (2003-2010), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou os generais-de-exército mais
antigos na época, Francisco Roberto de Albuquerque (2003) e Enzo Martins Peri (2007), que permaneceu
quase oito anos no cargo. Antes de Lula não havia essa tradição porque o Ministério da Defesa só foi criado em
1999. A solução petista contentou os militares porque evitava “interferências políticas” ao usar o critério
objetivo do tempo de serviço prestado.
No seu segundo mandato, em 2015, Dilma Rousseff (PT) inovou ao pedir ao Ministério da Defesa uma lista tríplice
com os oficiais mais antigos. Ela então escolheu Villas Bôas, que não era o mais antigo, mas a opção também foi
bem aceita pelos militares dada a boa imagem interna que o general desfrutava. A expectativa agora no Exército é
que o critério da próxima escolha do presidente retome a tradição inaugurada por Lula, o que levaria à nomeação
de Pujol.

‘Cidadãos de bem’
Nascido em Dom Pedrito (RS), a 441 km de Porto Alegre (RS), filho de um coronel da Brigada Militar gaúcha,
Pujol é o oficial mais antigo entre os 17 generais de exército, conhecidos como “quatro estrelas”, que estão na
ativa na Força. Nos anos 70 Pujol estudou com o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) na Aman (Academia Militar das
Agulhas Negras) em Resende (RJ). Por coincidência, os outros três generais-de-exército imediatamente menos
antigos que Pujol também são contemporâneos do presidenciável na academia: Paulo Humberto Cesar de
Oliveira, Mauro Cesar Lourena Cid e Carlos Alberto Neiva Barcellos.

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Folha de São Paulo/montedo.com

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