Em abril deste ano, o Brasil ganhou duas medalhas inéditas no Campeonato Mundial Militar de Esgrima, disputado em La Guaira
(VEN). A equipe de Qorete masculino formada por Fernando Scavasin, João Antônio de Albuquerque e Marcos Cardoso – e o atleta Renzo Agresta, da categoria sabre, levaram bronze na competição.Das 41 primeiras edições do Mundial Militar entre 1947 e 2009 somente dez brasileiros participaram. Nesta temporada, a delegação brazuca contou com vinte atletas.
-É sempre bom ganhar algo inédito. Nossa equipe já chegou sabendo que tinha chances contou ao LANCE! Fernando, um dos membros da equipe medalhista.
O processo de militarização da esgrima brasileira começou em novembro do ano passado. Incorporados ao exército em caráter provisório, os atletas firmaram contratos com duração de um ano, que exigem a disputa de uma competição militar por temporada.
Graças aos bons resultados alcançados na Venezuela, os atletas devem ter o vínculo renovado até novembro de 2011. Com isso, somam a disputa do Mundial Militar do Rio de Janeiro aos principais compromissos da temporada.
Os membros da Seleção, no entanto, gostariam que a parceria continuasse depois do torneio.
– Se surgir essa oportunidade e o exército tiver interesse, porque não Um bom resultado no Mundial pode ajudar disse Marcos Cardoso, também ao LANCE!.
De acordo com Ricardo Machado, vice-presidente da CBE, o apoio do exército é importante principalmente na internacionalização dos atletas. Em entrevista ao LANCE!, o dirigente comemorou a possibilidade de enviar mais atletas para mais torneios no exterior.
– No início do ano, fomos para um camping de treinamento na Itália. Nós custeamos a viagem dos atletas civis, e o exército bancou os militares contou Ricardo.
Renzo Agresta
MEDALHISTA NO MUNDIAL, AO L!
1 – Você é a favor da militarização da Seleção Brasileira?
Sim. Na Europa, as principais potências fazem. Beneficia ambas as partes. Os atletas ganham em estrutura e o exército tem a imagem divulgada.
2 – Você acha que a parceria deve continuar após 2011?
Eu sou a favor, continuaria com muito prazer.
3 – Um bom resultado da equipe no Rio de Janeiro pode ajudar na renovação do vínculo?
Sem dúvidas. O esporte é movido por resultados. Além disso, acredito que exista um objetivo maior, que é a divulgação da imagem do exército.
4 – Você tem alguma prioridade para o ano que vem, entre os Jogos Pan-Americanos e o Mundial Militar do Rio de Janeiro?
Não tenho. Ambas são competições importantes. Vai ser uma temporada puxada, já que vai começar a classificação olímpica, e vamos ter os dois campeonatos. Nesse segundo semestre, vou tentar ganhar uma base física importante para chegar no ano que vem com pique.
5 – A classificação para Londres 2012 é possível?
Sim. Participei das duas últimas Olimpíadas. Tenho crescido em resultados. Medalhei no Mundial Militar e fui ouro no Sul-americano de Medellín.
As duas principais competições do ano serão disputadas em um curto intervalo de tempo. Os Jogos Mundiais Militares serão disputados em julho de 2011, enquanto o Pan de Guadalajara acontece em outubro.
Além disso, começam no ano que vem os eventos classificatórios para a Olimpíada de Londres-2012. Garantem vaga, por categoria, os oito primeiros do ranking mundial, os dois primeiros de cada continente que estiverem fora da lista e, dos remanescentes, o campeão do torneio pré-olímpico de cada continente.
Com a palavra, Alexandre Teixeira
TÉCNICO DO TIME MEDALHISTAPrincipais atletas lutam pelo Exército
A gente tem dificuldade de profissionalizar o atleta. Ele tem de trabalhar, de estudar, e aí sobra pouco tempo para treinar. Os melhores resultados a gente viu quando o atleta pôde se dedicar exclusivamente ao esporte. A militarização veio em ótima hora. Acho até que veio tarde, na realidade, porque em outros países, os atletas que são destaques internacionalmente são vinculados ao exército.