A Guerrilha do Araguaia sob a Ótica do Exército Brasileiro – 1973.

Guerrilha feitos prisioneiros pelo Exército no Araguaia

Análise histórica mostra como o Exército Brasileiro classificou a Guerrilha do Araguaia como ameaça interna e estruturou, em 1973, a Operação Marajó

Durante o período da ditadura militar, o Exército Brasileiro tratou a Guerrilha do Araguaia como uma operação de contraguerrilha e segurança interna. Na visão oficial das Forças Armadas à época, o foco instalado na região do rio Araguaia, entre Pará, Maranhão e Goiás, era compreendido como um grupo subversivo armado que representava risco à estabilidade institucional do Estado.

O enquadramento do conflito: “Ameaça interna e influência externa”

Para o comando militar de 1973, o PCdoB havia enviado militantes urbanos para a selva com o objetivo de criar um “foco guerrilheiro” nos moldes da Revolução Cubana. Os documentos militares da época classificavam a área como uma “República de Marabá”, uma zona libertada onde o Estado não exercia soberania. Assim, a ação era justificada internamente como combate à insurgência armada e defesa da integridade territorial e da ordem constitucional vigente naquele momento. A proximidade com o contexto da Guerra Fria também era usada para argumentar que o movimento recebia inspiração de modelos revolucionários estrangeiros.

A mudança de doutrina em 1973: Operação Marajó

Militares do Exército combateram a Guerrilha do Araguaia
Militares do Exército combateram a Guerrilha do Araguaia (Imagem: As Guerras e suas batalhas)
Após as duas primeiras campanhas de 1972, avaliadas como ineficazes por envolverem muitos soldados convencionais em terreno de selva, o Estado-Maior do Exército adotou a doutrina de contraguerrilha. A Operação Marajó foi planejada com base em três pilares, segundo a lógica militar:
  • Primeiro, o uso de tropas especializadas e reduzidas, com paraquedistas e comandos, atuando em pequenos destacamentos e sem identificação para evitar alertar o inimigo.
  • Segundo, o isolamento operacional da área, com controle de acesso e censura, para impedir a comunicação dos guerrilheiros com o exterior e negar logística ao grupo.
  • Terceiro, a conquista da população local, por meio da cooptação de posseiros como guias, já que estes conheciam as trilhas e os deslocamentos na floresta.

O desfecho tático de 1973

Do ponto de vista militar, 1973 foi o ano de êxito operacional. O ataque ao acampamento Chafurdão em 25 de dezembro de 1973, que resultou na morte de Maurício Grabois, foi considerado o golpe de comando que desarticulou a estrutura de liderança da guerrilha. Com a morte dos quadros principais e a dispersão dos demais combatentes, o Exército considerou o foco militarmente neutralizado ainda no final daquele ano. Os combates residuais se estenderam até 1974 e 1975, mas sem capacidade de reorganização do grupo.

A doutrina de “não deixar rastro”

Na documentação militar, a ausência de prisioneiros e de processos formais era justificada pela natureza da guerra na selva. O argumento era de que não havia condições logísticas para manter, transportar e julgar capturados em área de conflito ativo, e que os enfrentamentos terminavam com a morte dos combatentes no local. Os sepultamentos em valas não identificadas foram tratados como procedimento de campo para evitar contaminação e para não criar locais de memória que pudessem ser usados politicamente.
As Guerras e as suas batalhas (Faceboook) – Edição: Montedo.com

Respostas de 4

    1. Se não fosse assim, teríamos sido uma segundo mundista república cooperativa Social, satélite da URSS. Combateu-se antes que o foco se espalhasse e nos transformasse em uma nova Cuba. Foi o que era possível fazer e foi feito e bem feito. Porque as viúvas do comunismo vivem hoje como abastados burgueses?

      1. Claro, claro… aqueles 48 matutos no meio do nada estavam prestar a salvar o Brasil da ditadura militar e transformar o Brasil na ditadura deles

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